Avaliação é de que o secretário dos EUA tenta atribuir ao senador um papel que o parlamentar não ocupa nas negociações oficiais entre os dois países
Lula, Flávio Bolsonaro, Marco Rubio, Planalto, notas de dólar e de real, e bandeiras do Brasil e dos EUA (Foto: Ricardo Stuckert/PR I Agência Senado I Divulgação )
O Palácio do Planalto avalia que a carta escrita pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi uma maneira de o político do Partido Republicano dar protagonismo ao senador em meio à guerra comercial lançada pelo governo Donald Trump contra o Brasil. Interlocutores da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ouvidos pela coluna da jornalista Malu Gaspar, de O Globo, entenderam que o aliado do presidente estadunidense estaria tentando atribuir ao parlamentar um papel que o próprio congressista da extrema direita brasileira não ocupa nas negociações oficiais entre os dois países sobre o tarifaço de 25% defendido pela Casa Branca contra o país sul-americano.
A correspondência de Rubio foi enviada na última terça-feira (23) em resposta a uma carta encaminhada por Flávio Bolsonaro no início de junho. O senador teria feito um pedido ao secretário dos EUA para rejeitar o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o território estadunidense, mas, conforme sinalizou o Planalto, os dois políticos apenas ensaiam uma tentativa de legitimar o parlamentar como interlocutor no debate sobre as tarifas.


