A instituição estava sob regime de administração especial temporária desde novembro, quando foi liquidado o Banco Master
Banco Central decreta liquidação do Will Bank, banco digital do Master (Foto: Divulgação) O Banco Central decidiu nesta quarta-feira (21) decretar a liquidação extrajudicial do Will Bank, banco digital pertencente ao grupo Master. A instituição estava desde novembro sob regime de administração especial temporária, medida aplicada quando há indícios de problemas graves, mas ainda existe a possibilidade de recuperação ou venda do ativo. As informações são da Folha de São Paulo.
Segundo o BC, a decisão ocorre "em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse, evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A", liquidado em 18 de novembro.
A expectativa inicial do regulador era de que o Will Bank pudesse ser negociado com investidores interessados, o que levou o BC a preservar suas operações quando anunciou, em 18 de novembro, a liquidação do Banco Master. No entanto, as tratativas não avançaram e o prazo máximo de 120 dias do regime especial se aproximava do fim sem uma solução concreta.
A liquidação é adotada quando o Banco Central conclui que a situação de uma instituição financeira é considerada irreversível. Nesse cenário, todas as atividades são interrompidas e o banco é retirado oficialmente do Sistema Financeiro Nacional. Com a medida, também ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição.
Antes mesmo do anúncio oficial, a bandeira Mastercard já havia suspendido a aceitação de transações realizadas com cartões emitidos pelo Will Bank. A decisão ocorreu após operações feitas por clientes não terem sido devidamente liquidadas pelo banco junto aos participantes do arranjo de pagamentos. A iniciativa buscou evitar a ampliação do montante devido pelo Will Bank.
Além da suspensão, a Mastercard executou garantias relacionadas a dívidas do banco digital, passando a deter participações relevantes na varejista de móveis Westwing e no BRB (Banco de Brasília). Essas garantias estavam vinculadas às obrigações financeiras do Will Bank dentro do sistema de pagamentos.
No regime de administração especial temporária, as operações do banco são mantidas, embora seus dirigentes percam o mandato. Já na liquidação, o funcionamento é totalmente encerrado, com impactos diretos para clientes, credores e para o próprio sistema financeiro.
Fundado em 2017 e adquirido pelo grupo Master em 2024, o Will Bank fechou o primeiro semestre com R$ 14,4 bilhões em ativos, prejuízo acumulado de R$ 244,7 milhões e patrimônio líquido em torno de R$ 300 milhões, de acordo com dados do Banco Central. Em setembro, a instituição mantinha R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo e não possuía saldo em depósitos à vista, como contas correntes.
A frustração da venda do Will Bank tende a ampliar as perdas do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O fundo deverá indenizar até R$ 250 mil por investidor, alcançando cerca de 800 mil pessoas físicas e jurídicas detentoras de CDBs e outros títulos garantidos emitidos pelo grupo Master. O valor total estimado é de R$ 40,6 bilhões, a maior indenização já realizada pelo FGC.
Paralelamente, a crise do grupo Master segue sob investigação policial. Na semana passada, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura o uso de fundos de investimento para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master. Essa etapa teve como alvos endereços ligados a Daniel Vorcaro, proprietário do grupo, a familiares e a empresários, entre eles Nelson Tanure e João Carlos Mansur, ex-dono da gestora Reag, também liquidada pelo Banco Central e investigada por suspeitas de ligação com o crime organizado.
Na primeira fase da operação, em novembro, Daniel Vorcaro foi preso sob a acusação de liderar um esquema de criação de carteiras falsas de crédito, que teriam sido usadas para inflar o balanço do Banco Master antes de uma tentativa de venda ao BRB. Ele foi libertado menos de duas semanas depois, mas segue sendo monitorado por meio de tornozeleira eletrônica.
Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo