domingo, 18 de janeiro de 2026

“Não desista”: a provocação de Lula a Flávio Bolsonaro sobre a disputa presidencial


       Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um comentário irônico sobre a possível candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência durante uma conversa reservada, em dezembro, com um dirigente partidário que mantém interlocução com o senador. O episódio ocorreu fora da agenda oficial e foi relatado por pessoas a par do encontro. As informações são de Lauro Jardim, do Globo.

Em tom de galhofa, Lula perguntou ao interlocutor se ele poderia levar um recado ao filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, frequentemente citado nos bastidores como potencial nome da direita para a disputa presidencial de 2026. Diante da resposta positiva, o presidente fez o pedido de forma direta e jocosa.

“Então, peça que ele não desista”, disse Lula, arrancando risos dos presentes. A frase foi interpretada como uma provocação política, mas também como uma leitura estratégica do cenário eleitoral, marcada pela fragmentação do campo bolsonarista e pela disputa interna na direita.

Nos bastidores do governo e do partido, o anúncio de Flávio como possível escolhido do pai é visto menos como ameaça direta e mais como um fator de instabilidade no campo adversário. A leitura predominante é que a direita, já fragmentada, teria dificuldade para se unificar em torno de um nome com alto potencial de transferência de votos.

Dirigentes petistas apontam que Flávio carrega fragilidades políticas e jurídicas que dificultariam a construção de uma candidatura ampla, sobretudo quando comparada a alternativas como a do governador paulista Tarcísio de Freitas, considerado mais competitivo eleitoralmente. A eventual entrada do senador na disputa reforçaria disputas internas e reduziria as chances de formação de uma frente única contra Lula.

Essa avaliação interna encontra respaldo nos números da mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta semana, que mostra Luiz Inácio Lula da Silva à frente de Flávio Bolsonaro tanto em cenários de primeiro turno quanto em simulações de segundo turno para 2026.

Cenários de segundo turno em 2026. Foto: Reprodução/Quaest

 

Fonte: DCM com informações do jornal O Globo

União Europeia convoca reunião de emergência após ameaça de Trump à Groenlândia

Declarações do presidente dos Estados Unidos sobre anexação da ilha geram reação imediata do bloco

O presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA - 5 de maio de 2025 (Foto: REUTERS/Leah Millis)

A União Europeia decidiu convocar uma reunião de emergência com os embaixadores dos 27 países do bloco após novas pressões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, relacionadas à Groenlândia. O encontro está marcado para este domingo (18), às 17h no horário local (12h em Brasília), no Chipre, país que ocupa a presidência temporária do bloco. As informações são do G1.

A iniciativa ocorre em meio a um aumento das tensões diplomáticas depois que Trump voltou a defender a anexação da Groenlândia aos Estados Unidos e passou a usar ameaças tarifárias como instrumento de pressão política sobre aliados europeus.

◈ Reação imediata do bloco europeu

Desde o início de seu segundo mandato, há cerca de um ano, Donald Trump tem afirmado que a Groenlândia é estratégica para os interesses de segurança do país. Segundo o republicano, o território é “vital” para o Domo de Ouro, um escudo antimísseis que ele pretende construir.

As declarações provocaram reação imediata em Bruxelas. Em publicação conjunta na rede social X, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, alertaram para os riscos de agravamento das relações entre Europa e Estados Unidos. “Tarifas prejudicariam as relações transatlânticas e poderiam desencadear uma perigosa escalada negativa. A Europa permanecerá unida, coordenada e comprometida em defender sua soberania”, afirmaram.

◈ Tarifas e risco de escalada transatlântica

A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, também criticou duramente as ameaças do governo norte-americano. Para ela, eventuais tarifas trariam prejuízos econômicos significativos para ambos os lados do Atlântico e desviariam a atenção do bloco de prioridades estratégicas.

“A China e a Rússia devem estar se divertindo muito. São elas que se beneficiam das divisões entre os aliados”, disse Kallas. Em seguida, acrescentou: “As tarifas podem empobrecer a Europa e os Estados Unidos e prejudicar nossa prosperidade compartilhada. Se a segurança da Groenlândia estiver em risco, podemos resolver isso dentro da OTAN”.

◈ Importância estratégica da Groenlândia

Situada entre os Estados Unidos e a Rússia, a Groenlândia é considerada há décadas uma área de grande importância geopolítica, especialmente no contexto da segurança do Ártico. Os Estados Unidos mantêm uma base militar no território, embora tenham reduzido de forma significativa sua presença nos últimos anos.

Diante das recentes declarações de Trump, Alemanha, França, Reino Unido, Noruega, Holanda e Suécia enviaram tropas militares à Groenlândia na última quinta-feira (15). Segundo o governo alemão, a missão foi solicitada pela Dinamarca, responsável pela custódia do território, com o objetivo de avaliar possíveis contribuições militares e reforçar a segurança na região.

◈ Críticas diretas do presidente dos EUA

No início da semana, Donald Trump voltou a adotar um tom provocativo ao comentar as capacidades defensivas da ilha. “Se não tomarmos a Groenlândia, a Rússia ou a China o farão, e não vou deixar isso acontecer. Eu gostaria de fazer um acordo com eles, é mais fácil. Mas a teremos de um jeito ou de outro”, afirmou.

O presidente dos Estados Unidos também ironizou a defesa local. “A Groenlândia deveria fazer um acordo [com os EUA], porque eles não querem ver a Rússia ou a China dominar. (...) E sabe qual a defesa da Groenlândia? Basicamente dois trenós puxados por cachorros”, disse.

As declarações ampliaram o mal-estar diplomático e levaram a União Europeia a acelerar articulações internas em busca de uma resposta coordenada à postura do governo estadunidense sobre o território estratégico do Ártico.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

Delação de Daniel Vorcaro entra no radar e vira ameaça real para aliados em Brasília

Após nova fase da operação Compliance Zero, a hipótese de colaboração do dono do Banco Master passa a ser tratada como risco político e jurídico

       Daniel Vorcaro (Foto: Reprodução)

A possibilidade de uma delação premiada de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, voltou a circular com força em Brasília depois da segunda fase da operação Compliance Zero, quando uma nova rodada de busca e apreensão reacendeu o temor de que o ex-banqueiro decida contar o que sabe sobre negócios e conexões construídas nos bastidores do sistema financeiro e do poder. A informação foi divulgada pelo jornalista Lauro Jardim, em O Globo.

Segundo o relato publicado, a defesa de Vorcaro tende a negar a existência de tratativas, “é do jogo”, mas, desde a semana passada, a oferta de delação “entrou na roda” e chegou a ser considerada. A avaliação, no entorno do caso, é de que, se Vorcaro detalhar “o que sabe” e “o que viu” sobre operações e acordos de que participou, o estrago político pode ser grande.

O que mudou com a nova fase da Compliance Zero

A nova etapa da investigação é tratada, nos bastidores, como um ponto de inflexão por elevar a pressão processual sobre o investigado e ampliar a disputa por versões dentro do caso.

No mundo político, o cálculo é simples: delações não produzem apenas novos fatos, mas podem reordenar alianças, expor cadeias de intermediação e acionar mecanismos de autoproteção em série, sobretudo quando o alvo tem histórico de relações transversais com diversos polos de influência.

Fonte: Brasil 247

Governo Lula adota cautela sobre Venezuela, mas avalia que interlocução de Trump com Delcy reduz desgaste político

Planalto vê menor espaço para exploração eleitoral da aliança histórica do PT com o chavismo

        Lula e Delcy Rodríguez (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil | Reuters/Gaby Oraa)

O presidente Lula adotou um tom mais cauteloso e passou a evitar declarações públicas sobre a atuação dos Estados Unidos na Venezuela, depois de uma reação inicial mais enérgica, segundo avaliação de integrantes do governo

As informações constam em reportagem do jornal Folha de S.Paulo, que relata que, apesar do cuidado diplomático, auxiliares do presidente consideram que a aproximação entre Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, e Delcy Rodríguez tende a reduzir a capacidade de a oposição explorar, na eleição, a relação histórica do PT com o chavismo.

☉ Menos munição para ataques e tentativa de “colar” Lula a Maduro

De acordo com a avaliação de aliados do Planalto, a saída de Nicolás Maduro do centro da crise, após ser retirado da Venezuela por militares norte-americanos para ser julgado nos EUA, deixa Lula em posição politicamente mais confortável, por esvaziar tentativas de associação direta entre os dois líderes.

Ainda segundo interlocutores citados, a decisão de Trump de reconhecer Delcy Rodríguez, então vice-presidente venezuelana, como principal interlocutora de Washington, e de escantear a opositora María Corina Machado, também reduziria a pressão política sobre o governo brasileiro.

O texto aponta ainda que Lula já vinha, desde 2024, calibrando o distanciamento de Maduro, ao não reconhecer de forma aberta a vitória do líder venezuelano na última eleição, marcada por denúncias de fraude.

☉ Itamaraty evita sinalizar endosso ao regime venezuelano

Mesmo com o Itamaraty classificando o episódio como um “sequestro”, houve, nos bastidores, cautela para que a posição do Brasil não fosse interpretada como endosso ao regime de Caracas, conforme a reportagem.

A preocupação, segundo auxiliares, é administrar o custo político interno sem abrir uma crise diplomática adicional em um cenário internacional já instável e altamente polarizado.

☉ PT aposta em campanha com foco no bolso e no trabalho

No plano eleitoral, petistas avaliam que temas internacionais tendem a ter influência reduzida na campanha presidencial, não apenas no caso da Venezuela, porque frequentemente não afetam o cotidiano do brasileiro e acabam perdendo ressonância junto ao eleitorado.

A estratégia do partido, de acordo com a reportagem, é priorizar uma agenda doméstica e destacar medidas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000.

Outra frente é reforçar propostas ligadas ao mundo do trabalho e ao custo de vida, incluindo o fim da escala 6x1 e a tarifa zero para transporte público, iniciativas que o PT considera capazes de mobilizar apoio em bases populares e também em segmentos urbanos.

☉ Relação Brasil–EUA deve entrar na disputa pelo episódio do “tarifaço”

Ainda segundo o relato, a relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos pode aparecer na campanha a partir da reação de Lula ao tarifaço imposto por Trump em 2025.

A linha política pretendida por aliados do presidente é sustentar que o governo buscou reverter o cenário sem abrir mão da soberania nacional, transformando um conflito comercial em vitrine de firmeza diplomática e capacidade de negociação.

☉ Principal temor envolve interferência externa e plataformas digitais

Apesar do diagnóstico de que a agenda internacional terá menor peso, persiste um temor central no Planalto, a possibilidade de interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral, não apenas por ações oficiais, mas também por meio de plataformas digitais.

A expectativa descrita por auxiliares é que o relacionamento positivo construído entre Lula e Trump desde o primeiro encontro entre ambos na Assembleia-Geral da ONU diminua o risco de uma ingerência direta.

Ainda assim, a imprevisibilidade de Trump e a volatilidade do cenário internacional mantêm aliados apreensivos, especialmente diante da avaliação de que o presidente norte-americano poderia repetir, no Brasil, estratégias políticas atribuídas a episódios recentes na Argentina e em Honduras, com sinalizações públicas e condicionantes de apoio que tensionam disputas domésticas.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

Lula lidera ciclo histórico de concessões e amplia investimentos em infraestrutura no Brasil

Com 50 leilões entre 2023 e 2025, governo acelera projetos em portos, rodovias e aeroportos e prepara nova carteira para 2026

    Renan Filho e Lula (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerra 2025 à frente do maior volume de concessões federais de infraestrutura já registrado no país, com 50 leilões de rodovias, portos e aeroportos no ciclo 2023–2025.

Os dados constam de um levantamento dos ministérios dos Transportes e dos Portos e Aeroportos, feito a pedido da Folha de S.Paulo, que mostra a concentração recente dessa política: desde 1995, quando entrou em vigor a Lei das Concessões, foram 160 leilões federais de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, e quase um terço, 31%, ocorreu entre 2023 e 2025.

O desempenho supera o volume executado em governos anteriores. Entre 2019 e 2022, a gestão Jair Bolsonaro foi responsável por 45 leilões, enquanto Fernando Henrique Cardoso realizou 26, sendo 22 no primeiro mandato, de 1995 a 1998.

A leitura de especialistas e do próprio governo é que o avanço das concessões responde a uma estratégia pragmática para elevar investimentos, acelerar obras e ampliar a capacidade de entrega em um contexto de restrições fiscais, aproveitando uma carteira considerada atrativa e um ambiente regulatório mais amadurecido. “O presidente percebeu que, para ampliar o investimento, era importante aumentar a participação da iniciativa privada dadas as restrições fiscais”, disse o ministro dos Transportes, Renan Filho, em entrevista à Folha.

☆ Portos puxam o recorde e Tecon 10 entra no radar de 2026

O setor portuário é o principal motor do recorde recente, com 26 terminais concedidos desde o início do governo. Segundo o Ministério dos Portos e Aeroportos, os projetos somam R$ 15,5 bilhões em investimentos.

Para 2026, a pasta projeta a realização de um dos leilões mais aguardados pelo mercado. O Tecon 10, megaterminal de cargas no porto de Santos, deve ser ofertado em março, com investimento previsto de R$ 6,5 bilhões, reforçando a perspectiva de continuidade da carteira e de ampliação da capacidade logística do país.

☆ Rodovias ganham escala e concentram investimentos bilionários

O segundo maior peso da carteira está nas rodovias, com 22 certames no ciclo atual, sendo 13 somente em 2025. De acordo com o Ministério dos Transportes, os projetos somam R$ 247 bilhões em investimentos, e a expectativa para 2026 é de mais 13 rodovias licitadas.

Além dos portos e rodovias, completam a conta dos 50 leilões do atual mandato a relicitação do aeroporto de Natal e a concessão de um bloco de terminais aeroportuários regionais, ampliando o alcance da política para diferentes modais e regiões.

☆ Perfil dos projetos muda e governo prepara retomada ferroviária

A série histórica também revela mudanças no perfil das concessões ao longo de três décadas. As ferrovias viveram a “era de ouro” durante o governo FHC, quando ocorreram 9 dos 12 leilões feitos desde 1995, embora alguns ativos daquele período tenham enfrentado dificuldades de conservação e operação, caso da FCA (Ferrovia Centro-Atlântica), concedida em 1996. Segundo o relato presente no material, o governo fechou recentemente um acordo de renovação com a concessionária responsável pelo trecho, com compromissos de investimentos e indenização à União.

Hoje, o setor ferroviário passa por um momento de renegociações e busca por novos projetos. A última concessão ocorreu em 2021, no governo Bolsonaro, referente a um trecho da Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste). Para enfrentar a paralisia, o Ministério dos Transportes prepara oito leilões de ferrovias para 2026, com expectativa de movimentar cerca de R$ 140 bilhões.

☆ Aeroportos: de onda forte a ritmo menor, com foco em reequilíbrios

O setor aeroportuário, que teve forte ciclo em períodos anteriores, aparece agora com ritmo mais baixo, em meio a reacomodações do mercado. No primeiro mandato de Dilma Rousseff (2010 a 2014), ativos considerados atrativos foram concedidos, como Guarulhos, Viracopos e Galeão. Depois, o governo Michel Temer (2016 a 2018) destravou projetos que ficaram represados durante a crise econômica e leiloou quatro aeroportos. A gestão Bolsonaro intensificou a agenda, com 9 leilões que agruparam 49 aeroportos em blocos.

Ao comentar a orientação da atual política, Renan Filho afirmou à Folha que o impulso recente tem base pragmática. “O presidente Lula, apesar de ser pessoalmente de esquerda, faz um governo de frente ampla. Ele nunca foi um político ideológico”, disse.

☆ Investimento privado ganha protagonismo e sustenta expansão da carteira

Renan também citou um levantamento da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base) indicando que o volume de investimento privado no Brasil deve ter batido a máxima histórica em 2025, segundo projeção feita em novembro. Do total de R$ 280 bilhões projetados para investimentos em infraestrutura no ano, 84% (R$ 235 bilhões) devem ter vindo de grupos privados, com alta real de 11% em relação a 2024, enquanto a participação pública recua.

Para Fernando Vernalha, sócio-fundador do escritório Vernalha Pereira, o cenário reforça a necessidade de ampliar a presença privada para aproximar o país do patamar considerado adequado de investimento. “Nós não tivemos muita alternativa que não buscar esses investimentos na iniciativa privada. A forma de fazer isso foi por meio de concessões e PPPs [parcerias público-privadas]”, disse.

Vernalha avalia ainda que o Brasil conseguiu oferecer oportunidades raras em comparação internacional, citando os aeroportos como exemplo de ativos que atraíram forte interesse de grupos estrangeiros. Renan Filho, por sua vez, aponta que poucos países reúnem simultaneamente carteira atrativa e condições institucionais para sustentar a confiança do investidor, como sustentabilidade ambiental, agências regulatórias com autonomia e mercado de capitais sofisticado.

☆ Contratos estressados e relicitações entram como “segunda rodada” de eficiência

A trajetória das concessões também inclui casos em que a primeira rodada não funcionou como esperado, com desequilíbrio financeiro, obras atrasadas e investimentos não realizados, os chamados “contratos estressados”. Parte desses ativos voltou ao mercado nos últimos anos, permitindo que novos desenhos contratuais e concorrência reorganizem projetos e viabilizem a execução.

No setor rodoviário, o governo já realizou quatro leilões envolvendo ativos problemáticos, e ainda há pelo menos outras seis estradas nessa situação. Para 2026, a previsão é de certames simplificados em alguns desses casos, com disputa para a assinatura de novo contrato.

Marco Aurélio Barcelos, diretor da ABCR (Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias), disse que o setor vive um momento especialmente favorável, embora com desafios operacionais a endereçar. “É o melhor momento, sem dúvida alguma. Agora, isso não significa que não temos desafios.” Entre os pontos citados, Barcelos mencionou melhorias na estrutura de seguros e maior celeridade no licenciamento ambiental, destacando o horizonte de obras à frente. “Nunca vivemos no Brasil o que vamos viver nos próximos oito anos em termos de execução de investimentos. É muita obra que vai acontecer”, afirmou.

Na avaliação do diretor, apesar do volume, o mercado ainda deve ter apetite e capacidade de absorção no curto prazo, mas com possível acomodação adiante. “Eu diria que vamos ter essa esteira de produção intensiva em 2026 e talvez até 2027. Depois, veremos uma queda na quantidade de leilões.”

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

Bia Haddad Maia cai na estreia do Australian Open e se despede na primeira rodada

Brasileira venceu o primeiro set, mas Yulia Putintseva reagiu e virou o jogo em três parciais após momento tenso em quadra

                        Bia Haddad Maia (Foto: Reprodução Instagram/Beatriz Haddad Maia)

A tenista Beatriz Haddad Maia está fora do Australian Open logo na primeira rodada. Neste domingo (18), a número 1 do Brasil foi superada pela cazaque Yulia Putintseva e deu adeus precocemente ao primeiro Grand Slam da temporada.

A informação foi publicada pela CNN Brasil, que destacou o retorno de Bia ao circuito após um período de afastamento e a virada sofrida em Melbourne.

● Volta ao circuito após pausa para cuidar do corpo e da mente

A estreia no Australian Open ocorreu em um contexto de recomeço. Antes da turnê australiana — iniciada por Bia no WTA de Adelaide — a brasileira estava sem competir desde setembro, quando caiu na segunda rodada do WTA de Seul, na Coreia do Sul, e anunciou uma pausa para priorizar a recuperação física e mental.
Jogo começou bem para Bia, mas rival cresceu nos momentos decisivos

O roteiro da partida teve mudanças bruscas. Bia começou melhor e venceu o primeiro set contra Putintseva, atual número 105 do ranking da WTA

A segunda parcial foi mais equilibrada e marcada por tensão. Em determinado momento, Putintseva demonstrou irritação com o andamento do jogo e chegou a jogar a raquete no chão. Ainda assim, a cazaque conseguiu quebrar o último saque de Bia e fechou o set, levando o duelo para o terceiro.

No set decisivo, a brasileira chegou a abrir 3 a 1, mas viu a adversária devolver a quebra e assumir o controle a partir daí. Putintseva aproveitou problemas no saque e erros não forçados de Bia para confirmar a virada, com parciais de 3/6, 7/5 e 6/3.

Fonte: Brasil 247 com informações da CNN Brasil

UE avalia sanções e ameaça a bases americanas para conter pressão de Trump por “aquisição” da Groenlândia

The Economist diz que Europa pode usar tarifas, sanções e até a retirada de instalações militares dos EUA

      Groenlândia (Foto: Reuters)

A União Europeia pode recorrer a sanções econômicas, à imposição de tarifas comerciais e até à ameaça de eliminar bases militares dos Estados Unidos em território europeu para pressionar Washington na disputa sobre o futuro da Groenlândia, segundo análise publicada pela revista The Economist.

A informação foi divulgada pela agência russa TASS neste domingo (18), ao relatar os principais pontos do texto da revista britânica sobre a escalada de tensões após novos anúncios do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, envolvendo tarifas contra países europeus vinculadas ao tema da Groenlândia.

☉ Pressão econômica e o “ponto sensível” das bases

De acordo com a The Economist, seria “extremamente difícil” para os EUA projetarem poder militar para regiões como África e Oriente Médio sem acesso a bases europeias estratégicas, como Ramstein, na Alemanha.

O texto citado pela TASS afirma ainda que operações recentes — como o sequestro de petroleiros na costa da Venezuela — dependeram diretamente do acesso a recursos em aeródromos militares britânicos, o que evidenciaria a relevância da infraestrutura europeia para a atuação externa de Washington.

☉ Ártico exige cooperação com aliados e com a própria Groenlândia

A avaliação destacada pela revista aponta que a capacidade da Casa Branca de monitorar e conter ameaças no Ártico exigiria cooperação com a Groenlândia, Islândia, Reino Unido e Noruega, além de outros aliados da OTAN.

Nesse contexto, o argumento central é que a Europa dispõe de instrumentos de pressão, mas que o próprio funcionamento da estratégia americana no Ártico passa por coordenação multilateral, reduzindo o espaço para uma política de imposição sem custo diplomático.

☉ Por que a revista considera improvável um confronto direto

Apesar de listar opções de retaliação, a The Economist afirma que uma confrontação frontal com os EUA seria improvável, porque exigiria que a União Europeia elevasse rapidamente seus gastos militares, diante da dependência do continente de tropas americanas e do setor militar-industrial dos EUA.

Além disso, uma guerra comercial imporia um peso elevado aos orçamentos europeus, ampliando o custo político e econômico de uma escalada prolongada.

☉ Tarifas anunciadas por Trump ligam comércio à “aquisição” da Groenlândia

Segundo o relato, Trump anunciou em 17 de janeiro, na rede Truth Social, que seu governo impôs tarifas de 10% sobre Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Finlândia e Países Baixos. As medidas, afirmou, permaneceriam em vigor até que haja um acordo sobre a “aquisição completa e final da Groenlândia” pelos Estados Unidos.

Ainda de acordo com a publicação, o presidente disse que a decisão entra em vigor em 1º de fevereiro e que, a partir de 1º de junho, a alíquota subiria para 25%.

Trump também criticou a intenção europeia de enviar forças para a Groenlândia, chamando a iniciativa de “um jogo muito perigoso”, e sustentou que a posse do território seria necessária para reforçar a segurança nacional dos EUA e viabilizar a implantação do sistema de defesa antimísseis “Golden Dome”.

Fonte: Brasil 247 com informações publicada pela revista The Economist

Cidades do CE e MG iniciam vacinação contra dengue com dose única

Maranguape e Nova Lima começaram a aplicar vacina do Butantan

Mosquitos (Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / ABr)


Guilherme Jeronymo, repórter da Agência Brasil - As cidades de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG) iniciaram a vacinação-piloto com o imunizante de dose única contra a dengue desenvolvido pelo Instituto Butantan. Nesta primeira etapa, 204,1 mil doses serão distribuídas entre Maranguape (60,1 mil), Nova Lima (64 mil) e também Botucatu, em São Paulo (80 mil). O quantitativo é suficiente para a vacinação em massa da população-alvo nessas cidades, composta por cidadãos com idade entre 15 e 59 anos. Em Botucatu, a vacinação começa no domingo (18).

Os resultados da imunização serão acompanhados durante um ano. As análises serão conduzidas com apoio de especialistas, que irão avaliar a incidência da dengue nos municípios selecionados, além de monitorar eventuais efeitos adversos raros após a imunização. Metodologia semelhante já foi adotada em Botucatu na avaliação da efetividade da vacina contra a covid-19.

Se os resultados forem positivos, será iniciada a produção em massa para atender todo o país. Até o momento, o Butantan fabricou 1,3 milhão de doses. Antes dos resultados, porém, será realizada a imunização de públicos prioritários com a chegada de mais doses da Butantan DV. A imunização de profissionais da atenção primária à saúde está prevista para o início de fevereiro. Esse grupo, composto por médicos, enfermeiros e agentes comunitários, deve receber as cerca de 1,1 milhão de doses que não foram usadas nesta fase prioritária.

Segundo o Ministério da Saúde, com a transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, a vacinação será gradualmente ampliada para todo o país, começando pela população de 59 anos e avançando até o público de 15 anos. A expectativa é de ampliação da produção em até 30 vezes.

No lançamento da vacinação em Maranguape, o ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, destacou os critérios adotados para a escolha dos municípios. “Cidades [que foram] escolhidas por terem população entre 100 mil e 200 mil habitantes e uma rede de saúde estruturada, que permite implementar a vacina e avaliar seu impacto na imunização da população e na circulação do vírus na comunidade”, afirmou. Massuda destacou, ainda, que a vacina é a primeira contra a dengue aplicado em dose única, o que permite imunização mais rápida e eficaz.

Os estudos clínicos indicaram eficácia global de 74%, com redução de 91% dos casos graves. Entre os vacinados, nenhum precisou de hospitalização por conta da dengue. A vacina foi desenvolvida em um processo de 20 anos, juntando tecnologias de diversos centros de pesquisa nacionais e apoio de pesquisadores estrangeiros. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apoiou com um financiamento de R$ 32 milhões, ainda em 2008. Um segundo aporte, para financiar a fábrica de vacinas, colocou R$ 97 milhões do banco à disposição, em 2017. Até o momento, o imunizante recebeu investimentos de R$ 305,5 milhões.

A rede de saúde das cidades que atuam nesta fase atenderá moradores com documento oficial, com foto, e a orientação é que se leve também o Cartão SUS. Mesmo com a imunização, o cuidado com essa e outras arboviroses permanece. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde de Nova Lima, "mesmo com a ampliação da cobertura vacinal, as ações de prevenção seguem fundamentais, especialmente o combate ao mosquito Aedes aegypti, com a eliminação de água parada".

Fonte: Brasil 247

Governo define estratégia para aprovar PEC da Segurança

Governo abre negociação para ampliar integração entre entes federativos e financiamento da segurança pública

Ação de segurança pública no Distrito Federal (Foto: André Feitosa / Agência Brasília)

O governo federal definiu os principais eixos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública como parte de uma estratégia para avançar nas negociações no Congresso Nacional. Tratada como prioridade pelo novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, a iniciativa busca fortalecer políticas de segurança por meio da integração entre entes federativos, do uso intensivo de inteligência e da ampliação de recursos para o setor.

Segundo a coluna do jornalista Paulo Cappelli, do Metrópoles, o secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Marivaldo Pereira, afirmou que o Executivo está disposto a negociar ajustes no texto da PEC para garantir mais investimentos e modernização das políticas públicas na área.

⊛ Dois eixos centrais da proposta

De acordo com Marivaldo Pereira, a proposta do governo está estruturada em dois pilares fundamentais. O primeiro é o fortalecimento do uso de inteligência e da integração entre União, estados e municípios. O segundo eixo é a ampliação dos recursos destinados à segurança pública, ponto considerado decisivo para viabilizar o avanço da PEC no Parlamento.

O secretário afirmou que o governo não impõe restrições ao debate quando o objetivo for ampliar o financiamento do setor. “Tudo aquilo que significar mais recurso para a segurança pública”, disse, ao destacar a disposição do Executivo para discutir mudanças no texto.

⊛ Tecnologia, dados e controle institucional

Outro aspecto central da proposta envolve o uso de novas tecnologias e o compartilhamento de informações entre os órgãos de segurança. Segundo Marivaldo, o texto prevê a criação de corregedorias e ouvidorias autônomas, medida considerada essencial para o fortalecimento dos mecanismos de controle. Para ele, a iniciativa é “extremamente importante para aumentar a transparência e permitir que a sociedade acompanhe de perto o que acontece nesses órgãos”.

A PEC também propõe a implantação de sistemas nacionais integrados de informação, permitindo a troca de dados entre estados e o governo federal. Na avaliação do secretário, essa integração amplia a segurança das operações e protege tanto os agentes públicos quanto a população. “Tudo isso é imprescindível para proteger a vida dos agentes de segurança pública e também a vida da população”, afirmou.

⊛ Ambiente político e articulação parlamentar

Nos bastidores, auxiliares do Ministério da Justiça avaliam que o relator da PEC, deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE), mantém interlocução aberta com o governo, apesar das divergências políticas em relação à agenda do Palácio do Planalto. A leitura interna é de que esse canal pode facilitar ajustes no texto durante a tramitação.

Durante seu discurso de posse, Wellington César Lima e Silva declarou confiar no trabalho do relator e sinalizou que pretende dar continuidade às tratativas no Congresso Nacional. Segundo Marivaldo Pereira, a disposição para o diálogo se estende a todo o Parlamento. “O governo está aberto ao debate não só com o relator, mas com todo o Parlamento”, afirmou.

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles

PT pede à PGR apuração sobre postagens pró-Tarcísio em perfis de fofoca

Legenda cita reportagem da revista piauí sobre suposto pagamento a perfis de fofoca

       Tarcísio de Freitas (Foto: Pablo Jacob /Governo do Estado de SP)

O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou neste sábado (17) uma notícia de fato na Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a apuração de um possível esquema de contratação de perfis de fofoca nas redes sociais para a publicação de conteúdos favoráveis ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). As informações são do jornal Folha de São Paulo.

O pedido tem como base uma reportagem publicada pela revista piauí na segunda-feira (12), que aponta a existência de pagamentos feitos por agências a influenciadores digitais para a divulgação de postagens positivas sobre ações do governo paulista

⊛ Conteúdos fora do padrão editorial

De acordo com o documento apresentado pelo PT, as publicações teriam sido feitas em linguagem despojada e trataram de temas como a inauguração de um trecho do Rodoanel Norte, a redução do IPVA para motocicletas, a cobrança de intervenção na Enel e ações de combate ao feminicídio. O partido afirma que esses assuntos não costumam integrar o conteúdo habitual dos perfis envolvidos, geralmente voltados ao entretenimento.

"A investigação jornalística revelou a existência de um possível esquema de contratação de perfis de grande alcance virtual, por meio de empresas e particulares, com uma finalidade clara de realizar postagens benéficas a Tarcísio de Freitas", afirma o texto da notícia de fato apresentada à PGR.

⊛ Suspeita de financiamento não declarado

Segundo o PT, a reportagem indica "robustos indícios de que o enaltecimento do governador do Estado de São Paulo não tenha ocorrido por mera liberalidade editorial dessas páginas, mas por meio de financiamento com recursos financeiros cuja fonte e a motivação se desconhecem".

O partido sustenta que os fatos relatados podem configurar ato de improbidade administrativa e abuso de poder econômico, especialmente diante do cenário eleitoral. No documento, a legenda afirma ser "premente a necessidade de que esta Procuradoria-Geral da República realize a investigação devida para esclarecer os fatos, promover a punição dos envolvidos em caso de prática ilícita, coibir condutas semelhantes e resguardar a tutela de probidade administrativa e o processo eleitoral de 2026".

⊛ Governo de SP nega contratação de influenciadores

Procurado, o governo de São Paulo negou qualquer contratação dos influenciadores e perfis citados pela revista. Em nota, a gestão estadual declarou que "não houve qualquer investimento público nas publicações mencionadas pela reportagem".

O comunicado afirma ainda que o governo paulista realiza apenas campanhas institucionais e de utilidade pública, com o objetivo de dar transparência às ações da administração e divulgar informações de interesse público, e que todas as campanhas seguem os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, publicidade e eficiência.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

Deputado atestou frequência de esposa de ministro do TCU, apontada como funcionária fantasma da Câmara

Documentos mostram que parlamentar validou presença sem faltas de esposa do relator do caso Master no TCU

Deputado Jhonatan de Jesus (Republicanos - RR) (Foto: Paulo Sergio / Câmara dos Deputados)

Documentos oficiais revelam que o deputado federal Gabriel Mota (Republicanos-RR) validou integralmente a frequência mensal de uma servidora lotada em seu gabinete na Câmara dos Deputados, sem qualquer registro de faltas, atrasos, licenças ou afastamentos. A servidora é Thallys Mendes dos Santos de Jesus, esposa do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus, relator do processo envolvendo o Banco Master.

Segundo a coluna do jornalista Tácio Lorran, do Metrópoles, documentos obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) apontam que a ficha de frequência da servidora foi atestada mensalmente pelo próprio parlamentar responsável pelo gabinete.

◎ Frequência integral sem registro de expediente

De acordo com os documentos, durante todo o período em que esteve nomeada, Thallys Mendes dos Santos de Jesus teve a frequência considerada integral, sem qualquer anotação de ausência. Ocorre que servidores que trabalhavam efetivamente no gabinete de Gabriel Mota afirmaram que não conheciam a esposa do ministro do TCU.

Além disso, a servidora cursava medicina com grade horária diurna e não comparecia para dar expediente na Câmara dos Deputados. Mesmo assim, permaneceu no cargo de secretária parlamentar entre março e agosto de 2023.

◎ Nomeação ocorreu após ida de ministro ao TCU

Jhonatan de Jesus deixou a Câmara dos Deputados no início de 2023, aos 39 anos, para assumir uma vaga no Tribunal de Contas da União. Com a vacância do mandato, o suplente Gabriel Mota assumiu a cadeira e nomeou a esposa do ministro para o cargo, com salário de R$ 12.139,40.

Apesar de ter permanecido poucos meses na função, Thallys chegou a receber crachá funcional com validade prevista até janeiro de 2027. A exoneração ocorreu apenas após a publicação de reportagem do jornal O Estado de São Paulo sobre o caso.

◎ Como funciona o controle de frequência na Câmara

O Ato da Mesa nº 72/1997 estabelece que secretários parlamentares devem cumprir jornada de 40 horas semanais, mas não estão sujeitos a controle biométrico nem a folha de ponto individualizada. A frequência é atestada mensalmente pelo parlamentar ou por servidor designado. No caso da esposa do ministro do TCU, a validação da frequência foi feita diretamente por Gabriel Mota, conforme os registros oficiais obtidos via LAI.

◎ O que diz o deputado Gabriel Mota

Procurado, o deputado afirmou que a servidora exercia atividades externas. Em nota, declarou que a servidora mencionada exercia atribuições diárias basicamente em atividades externas, me acompanhando diretamente em minhas agendas institucionais externas, razão pela qual sua presença física no gabinete não era permanente na Câmara dos Deputados. As funções inerentes aos cargos de secretário parlamentar, que não necessidade de registro biométrico, não se restringem ao trabalho interno, sendo legítima a atuação em compromissos externos, reuniões, visitas técnicas e deslocamentos oficiais ou viagens, conforme a natureza das atividades desempenhadas. Ressalto que a nomeação da servidora seguiu integralmente os critérios legais e administrativos aplicáveis, não havendo qualquer irregularidade ou interferência externa no ato.”

Até a publicação da reportagem original, nem Jhonatan de Jesus nem Thallys Mendes dos Santos de Jesus haviam se manifestado.

◎ Câmara não abriu investigação sobre o caso

A Câmara dos Deputados informou que não foi instaurado inquérito preliminar, sindicância nem Processo Administrativo Disciplinar para apurar o caso da funcionária fantasma vinculada ao gabinete do suplente do ministro do TCU.

◎ Arquivamento de processo contra Hugo Motta no TCU

O episódio se insere em um contexto mais amplo de questionamentos sobre a atuação de Jhonatan de Jesus no Tribunal de Contas da União. Em novembro, conforme noticiado pelo Metrópoles, o TCU arquivou um processo que investigava denúncias de rachadinha e uso de funcionários fantasmas no gabinete do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sem que o parlamentar fosse ouvido.

O relator da ação era o próprio Jhonatan de Jesus, que à época ainda era filiado ao Republicanos. Segundo a reportagem, o ministro ignorou procurações que indicavam que a chefe de gabinete de Hugo Motta possuía poderes para sacar salários de funcionários.

◎ Caso Master amplia críticas à atuação do relator

Mais recentemente, Jhonatan de Jesus voltou ao centro de críticas ao sinalizar que poderia reverter a decisão do Banco Central que determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master, instituição comandada por Daniel Vorcaro. Após forte repercussão negativa, o ministro recuou.

A movimentação foi criticada por agentes do mercado, por ministro do Supremo Tribunal Federal e por entidades da sociedade civil organizada, que defenderam a autonomia do Banco Central e questionaram a atuação do relator no TCU em processos de grande impacto institucional e econômico.

Fonte: Brasil 247 com informações da coluna do jornalista Tácio Lorran, no Metrópoles

Lula pede mais tempo para decidir sobre convite de Trump para “Conselho da Paz” em Gaza, dizem auxiliares

Governo avalia riscos diplomáticos e geopolíticos antes de responder à proposta dos EUA, que já enfrenta críticas por excluir palestinos

         Presidente Lula durante entrevista coletiva à imprensa (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O presidente Lula quer mais tempo para decidir se aceitará ou não o convite do governo dos Estados Unidos para integrar o chamado “Conselho da Paz” em Gaza, iniciativa anunciada pela gestão do presidente Donald Trump, atual presidente dos EUA, com a promessa de supervisionar a reconstrução e a transição política no território palestino.

As informações foram publicadas pelo jornal O Globo, que ouviu pessoas próximas ao presidente e interlocutores do governo brasileiro. Segundo esses relatos, a avaliação interna é de que uma resposta precisa ser construída com cautela, diante do peso diplomático e do impacto internacional que a adesão ao órgão pode provocar.

De acordo com um interlocutor do governo, não há como responder ao convite “sem entender as consequências”, ressaltando que “essa decisão não pode ser tomada de forma açodada”. A orientação, segundo auxiliares, é que qualquer posição oficial do Brasil seja tomada apenas após uma análise minuciosa sobre os desdobramentos políticos e geopolíticos do novo conselho.

A expectativa no Palácio do Planalto é que Lula só comece a discutir o tema com seus auxiliares a partir de segunda-feira. O convite foi feito na sexta-feira e chegou ao governo brasileiro por meio da embaixada do Brasil em Washington. Procurado, o Itamaraty não se manifestou.

◎ Conselho proposto pelos EUA mira reconstrução e transição política em Gaza

A proposta do chamado Conselho da Paz tem como objetivo, segundo os Estados Unidos, supervisionar a reconstrução, a governança e a transição política da Faixa de Gaza após o cessar-fogo mediado pelos norte-americanos, em meio a um conflito que já dura mais de dois anos entre Israel e o Hamas.

No entanto, a iniciativa tem sido alvo de críticas internacionais, principalmente pelo fato de que não prevê representantes palestinos no núcleo decisório, o que, para diversos setores da comunidade internacional, pode comprometer a legitimidade política do órgão e aprofundar a percepção de tutela externa sobre um território historicamente marcado por ocupação, violência e bloqueios.

Outro ponto que desperta reservas entre diplomatas e auxiliares de Lula é o protagonismo explícito dos Estados Unidos na formatação do conselho, sugerindo que o grupo pode atuar mais como extensão da estratégia geopolítica norte-americana no Oriente Médio do que como um mecanismo realmente multilateral.

◎ Dúvidas no governo brasileiro incluem composição do grupo e eficácia real

Segundo o relato publicado, integrantes do governo brasileiro consideram que a composição do conselho inclui figuras vistas como controversas para Brasília, o que amplia o desconforto sobre o real alcance do projeto e sobre a possibilidade de o Brasil ser associado a uma iniciativa com baixa capacidade de gerar resultados efetivos.

Até aqui, o governo brasileiro não confirmou oficialmente se aceitará participar do órgão. Auxiliares do presidente reforçam que a decisão será tomada somente após uma avaliação completa sobre impactos diplomáticos, coerência com a tradição da política externa brasileira e efeitos sobre a credibilidade internacional do país.

◎ Convite de Trump foi enviado a outros líderes globais

A solicitação enviada ao Brasil também foi feita a outros líderes, entre eles o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, o presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.

A lista evidencia a intenção dos EUA de reunir diferentes forças regionais e internacionais em torno do conselho, ainda que as divergências políticas entre os próprios convidados possam dificultar qualquer coordenação consistente.

◎ Brasil defende cautela e preservação de sua posição diplomática

No caso brasileiro, a decisão tem peso ainda maior porque envolve a imagem do país como ator internacional historicamente associado à defesa da solução negociada e do diálogo multilateral, com tradição de participação em fóruns internacionais sob o princípio da autodeterminação dos povos.

É nesse contexto que a avaliação do Palácio do Planalto, conforme descrito por interlocutores, é de que qualquer resposta precipitada pode gerar custos diplomáticos, seja com parceiros estratégicos, seja com países do Oriente Médio, seja com setores que defendem maior protagonismo palestino nas decisões sobre o futuro de Gaza.

Com isso, a orientação predominante no governo é que o Brasil não assuma compromissos sem compreender plenamente o formato do conselho, seus poderes reais, seu grau de legitimidade internacional e as consequências de uma eventual adesão — especialmente se o órgão continuar sendo criticado por excluir os palestinos e concentrar decisões estratégicas nas mãos de Washington.

A tendência, por ora, é de que Lula aguarde mais informações e conduza o tema internamente antes de responder formalmente ao convite.

Fonte: Brasil 247