sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Pesquisa Nexus: 48% dos brasileiros defendem estreitamento de relações com os BRICS

Levantamento mostra também que população brasileira se divide quanto ao uso do dólar americano como moeda no comércio internacional

Fotografia de Chefes de Estado e de Governo dos países-membros, parceiros e de engajamento externo do BRICS (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

Os BRICS – bloco econômico formado pelo Brasil e outros 10 países, entre eles os também fundadores Rússia, Índia, China e África do Sul – entraram na pauta política, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor uma taxação maior a países que têm negociado com o bloco. Em julho, a cidade do Rio de Janeiro sediou a 17ª Cúpula do BRICS.

Pesquisa inédita da Nexus aponta que 48% dos brasileiros defendem um estreitamento maior das relações políticas e econômicas com os integrantes do BRICS, desenvolvendo ainda mais parcerias e acordos comerciais. Outros 33% são favoráveis a um afastamento do bloco econômico e a buscar outros parceiros internacionais, enquanto 18% não souberam ou quiseram responder.

O apreço pelos BRICS é maior entre o público masculino entrevistado (52% são a favor do estreitamento das relações, enquanto 35% são contrários e 11% não souberam responder) do que no universo feminino, onde 44% são a favor, 33% contra e 23% não opinaram.

No público jovem (16 a 24 anos), o apoio ao estreitamento de relações foi de 53% contra 29%. Por sua vez, a população acima dos 60 anos é a que menos nutre apoio e se mostrou dividida – 39% defendem mais parcerias com o BRICS e 38% preferem outros parceiros internacionais e 22% não souberam/quiseram responder à pergunta.

“Quase metade da população apoia o fortalecimento dos BRICS, mas significativos ⅓ são contrários. Isso é reflexo da polarização política, pois 1 em cada 3 brasileiros são contrários provavelmente apenas porque não concordam com o governo, e não necessariamente porque entendem que os BRICS sejam desvantajosos para o Brasil”, analisa Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.

Para aqueles que declararam ter votado no presidente Lula no segundo turno das eleições de 2022, o apoio aos BRICS foi de 55%, enquanto 29% optaram pelo distanciamento do Brasil com o bloco e 16% não souberam responder. Já no eleitorado do ex-presidente Jair Bolsonaro, houve uma inversão de tendência: 44% querem distanciamento do bloco, e 42% desejam mais aproximação com o bloco formado pela China, Rússia, Índia e mais sete países além do Brasil. “O cruzamento com o voto na eleição de 2022 é um sinal claro de como a polarização política interfere nesse debate”, reforça Tokarski.

◈ Brasileiros se dividem quanto ao uso do dólar

A preferência pelo estreitamento das relações com o BRICS não é a mesma quando o assunto é a utilização do dólar no comércio internacional. A pesquisa da Nexus detectou uma clara divisão da população sobre o assunto.

Atualmente, 44% dos brasileiros se declararam favoráveis a procurar novas alternativas para substituir o dólar americano no comércio internacional. Por sua vez, 43% preferem a manutenção da moeda, por ser a mais utilizada no mundo, trazendo segurança e estabilidade às negociações. Outros 12% não souberam responder ao tema.

Mulheres são mais inclinadas a buscar novas alternativas (45%) do que a manter a utilização do dólar (39%). Esse é o mesmo sentimento da população entre 41 e 59 anos (48% contra 40%) e do Nordeste (49% a 36%).

Já entre homens, os dados da Nexus mostram que a predileção é pela continuidade do uso da moeda americana (48% contra 44%). Essa também é uma tendência do público de 16 a 24 anos (48% a 42%), do Sul (48% a 40%), daqueles que recebem mais de cinco salários mínimos (52% a 46%).

◈ Jovens entre 16 e 24 anos são os que melhor avaliam EUA e China

A pesquisa da Nexus também mediu a imagem de Estados Unidos e China na opinião dos brasileiros. Para 46%, a visão dos americanos é positiva, enquanto 43% acham negativa. Já os chineses são bem avaliados por 45% e vistos negativamente por 43%.

“Esse dado chama a atenção. Historicamente, os Estados Unidos sempre tiveram entre os brasileiros uma imagem melhor do que a China. Ver que essas percepções hoje se equivalem é um forte indicativo de desgaste da imagem norte-americana, que perdeu parte da admiração para os chineses”, explica Marcelo Tokarski.

Os dados da pesquisa também mostram que 23% dos brasileiros têm imagem positiva dos dois países e 21% têm imagem negativa dos dois países. Por outro lado, 23% dos entrevistados têm imagem positiva só dos EUA e 22% possuem imagem positiva só da China. Outros 11% não souberam responder ou não quiseram responder.

Os jovens de 16 a 24 anos nutrem melhor avaliação aos Estados Unidos (58% veem positivamente aquele país e 34% não são favoráveis) e à China (57% contra 36%). A imagem de ambas as nações é desfavorável entre os brasileiros acima de 60 anos. Destes, 46% veem os Estados Unidos com maus olhos, enquanto 38% avaliam positivamente. Sobre a China, 45% não aprovam e 40% são favoráveis.

A imagem americana é mais positiva para jovens de 16 a 24 anos (58% x 34%), moradores do Sul (56% x 37%), pessoas com ensino superior (52% x 39%) e homens (50% x 42%). Já a visão mais negativa dos EUA está centrada no Nordeste (54% x 35%), em pessoas com ensino fundamental (51% x 35%), de idade entre 41 e 59 anos (50% x 40%) e mulheres (45% x 43%).

Os chineses são melhor avaliados dentre jovens de 16 a 24 anos (57% x 36%), pessoas com ensino superior (53% x 39%), homens (52% x 40%), pessoas que recebem de dois a cinco salários mínimos (50% x 40%) e moradores do Sudeste (48% x 42%).

A imagem da China é mais negativa entre quem recebe até um salário mínimo (49% x 36%), no Nordeste (49% x 42%), com ensino fundamental (45% x 38%) e acima dos 60 anos (45% x 40%).

◈ Para 56% dos brasileiros, a liderança dos EUA é negativa

O impacto político e econômico e a liderança de Estados Unidos e China para o Brasil também foi medido pela pesquisa da Nexus. Os americanos ficaram em desvantagem: 56% avaliam a liderança do país como negativa e 32% veem como positiva. Já a liderança chinesa é vista como positiva por 47%, enquanto 39% enxergam de forma ruim.

“Embora em termos de imagem positiva os dois países ‘empatem’, atualmente mais brasileiros aprovam o papel que a China exerce sobre o Brasil mais do que aprovam o papel dos EUA. Aqui, a atual política norte-americana parece ter tido forte impacto na opinião pública brasileira”, destaca Tokarski.

A rejeição à liderança americana se mostrou maior entre nordestinos (63% x 25%), pessoas que ganham até um salário mínimo (62% x 23%), na faixa de 41 a 59 anos (61% x 34%) e mulheres (58% x 28%).

Por sua vez, a liderança dos chineses apresentou seus maiores índices entre pessoas de ensino superior (54% x 39%), que recebem de dois a cinco salários mínimos (52% x 37%) e têm entre 16 e 24 anos (52% x 37%).

◈ Brasileiros se dividem quanto à aproximação comercial

Considerando que Estados Unidos e China são atualmente os dois maiores parceiros comerciais do Brasil, há uma divisão clara na opinião dos entrevistados sobre qual a melhor nação para estreitar relações comerciais.

43% preferem uma relação mais firme com os americanos, enquanto 42% são pró-chineses. Nessa pergunta, 12% não souberam responder e 2% não responderam.

Os EUA ganharam preferência entre pessoas que recebem mais de cinco salários mínimos (50% x 44%), de 16 a 24 anos (49% x 42%), do Sul (47% x 38%) e com ensino médio (46% x 41%). Já a aproximação com a China foi mais recomendada por pessoas nordestinas (47% x 37%), de 41 a 59 anos (45% x 39%), que ganham de um a dois salários mínimos (43% x 39%) e com ensino fundamental (41% x 37%).

Por sua vez, a liderança dos chineses apresentou seus maiores índices entre pessoas de ensino superior (54% x 39%), que recebem de dois a cinco salários mínimos (52% x 37%) e têm entre 16 e 24 anos (52% x 37%).

◈ Brasileiros se dividem quanto à aproximação comercial

Considerando que Estados Unidos e China são atualmente os dois maiores parceiros comerciais do Brasil, há uma divisão clara na opinião dos entrevistados sobre qual a melhor nação para estreitar relações comerciais.

43% preferem uma relação mais firme com os americanos, enquanto 42% são pró-chineses. Nessa pergunta, 12% não souberam responder e 2% não responderam.

Os EUA ganharam preferência entre pessoas que recebem mais de cinco salários mínimos (50% x 44%), de 16 a 24 anos (49% x 42%), do Sul (47% x 38%) e com ensino médio (46% x 41%). Já a aproximação com a China foi mais recomendada por pessoas nordestinas (47% x 37%), de 41 a 59 anos (45% x 39%), que ganham de um a dois salários mínimos (43% x 39%) e com ensino fundamental (41% x 37%).

◈ Metodologia

A Nexus entrevistou 2.005 cidadãos com idade a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação, entre os dias 15 e 19 de agosto. A margem de erro da amostra é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Fonte: Brasil 247

Tensão política cresce em Brasília com cerco às fintechs

Congresso resiste a novas regras de fiscalização após operação da PF expor fraudes envolvendo o PCC

      (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O avanço da fiscalização sobre fintechs reacendeu as tensões no Congresso Nacional. Segundo a coluna do jornalista Valdo Cruz, do g1,reportagem do g1, parte da classe política vinha atuando para barrar tanto a elevação de tributos quanto o aumento da supervisão sobre essas empresas digitais de serviços financeiros. Investigadores ressaltam, porém, que essa defesa não significa participação direta de parlamentares em crimes de lavagem de dinheiro, mas pode indicar que alguns deles mantêm investimentos nessas instituições, atraídos pelo alto retorno das aplicações.

A ofensiva do governo ganhou força com a megaoperação "Operação Carbono Oculto", deflagrada nesta quinta-feira (28) pelo Ministério Público de São Paulo, Ministério Público Federal e polícias Federal, Civil e Militar. A ação, realizada em dez estados, desmantelou uma rede ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que adulterava combustíveis e lavava recursos ilícitos por meio de fintechs. Os investigados são acusados de crimes fiscais, ambientais e econômicos.

De acordo com um assessor que acompanha as apurações, as empresas financeiras digitais vinham sendo usadas como esconderijo para movimentações suspeitas.

“As fintechs eram um paraíso para quem queria esconder suas aplicações financeiras. Agora, isso vai acabar e revelar quem está atuando de forma irregular nessas empresas”, afirmou.

As revelações aumentam a pressão sobre o Congresso, que há meses discute novas normas de regulação. Parte dos parlamentares resiste às medidas, mas integrantes da equipe econômica defendem que a fiscalização é essencial para coibir fraudes e dar mais transparência ao setor.

No início do ano, a Receita Federal já havia publicado uma instrução normativa obrigando fintechs a enviar dados detalhados das transações financeiras de seus clientes. A regra previa ainda que operações atípicas via Pix fossem comunicadas ao fisco. Para investigadores, a polêmica campanha contra o Pix registrada nos primeiros meses de 2025 pode ter sido articulada justamente para frear esse avanço da fiscalização.

Ainda conforme a reportagem, a resistência política está associada também à proximidade entre parlamentares e instituições financeiras digitais. A defesa feita por essas lideranças pode estar ligada à preservação de investimentos pessoais, o que ajuda a explicar a tensão crescente em Brasília.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

R$ 52 bilhões, 2.500 postos e 1400 agentes: os números da Operação Carbono Oculto

Viaturas da PF e da Receita em frente a prédio na Faria Lima – Amanda Perobelli/Reuters

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (28) a Operação Carbono Oculto, que revelou um esquema bilionário do Primeiro Comando da Capital (PCC) envolvendo fraudes no setor de combustíveis e no mercado financeiro.

De acordo com as investigações, entre 2020 e 2024 a organização criminosa movimentou cerca de R$ 52 bilhões por meio de fintechs e fundos de investimento. Apenas uma dessas instituições financeiras registrou R$ 46 bilhões em transações não rastreáveis. O Ministério Público estima ainda R$ 7,6 bilhões em sonegação fiscal.

O patrimônio do PCC foi calculado em aproximadamente R$ 30 bilhões, distribuídos em ao menos 40 fundos de investimento, muitos deles fechados e com apenas um cotista, para dificultar a identificação dos reais beneficiários.

Esses recursos foram usados na compra de imóveis de alto valor, incluindo fazendas no interior de São Paulo e uma residência de luxo em Trancoso (BA), além de usinas de álcool, caminhões de transporte e até um terminal portuário.

As fraudes se estendiam ao setor de combustíveis, atingindo cerca de 2.500 postos em São Paulo, número equivalente a 30% do total do estado. A adulteração incluía concentrações de até 90% de metanol, substância tóxica e altamente inflamável cujo limite permitido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) é de 0,5%.

       Agentes da Polícia Federal – Divulgação/PF

A importação e desvio clandestino desse produto pelo Porto de Paranaguá (PR) foram identificados como eixo central do esquema. Além da adulteração, os consumidores eram lesados por fraudes quantitativas, com bombas que registravam mais combustível do que efetivamente abastecido.

O Ministério Público e a Receita Federal também identificaram práticas de emissão de notas fiscais falsas em lojas de conveniência, usadas para justificar artificialmente a aquisição de postos de gasolina. Entre 2020 e 2024, as importações ilícitas de combustíveis somaram R$ 10 bilhões.

A ação mobilizou 1.400 agentes em oito estados e teve como alvos 350 pessoas físicas e jurídicas. Foram expedidos 14 mandados de prisão preventiva, dos quais seis foram cumpridos até o momento. Entre os líderes do esquema apontados pelas autoridades estão Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, que não haviam sido localizados. A Receita Federal autuou em R$ 891 milhões empresas ligadas ao grupo.

Entre as companhias envolvidas, estão o Grupo Aster/Copape, responsável por usinas e postos de combustíveis, o BK Bank, fintech que operava contas ocultas, e fundos como o Reag, utilizados para blindagem patrimonial. As investigações apontam ainda que 42 alvos atuavam diretamente na Avenida Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, demonstrando a infiltração do PCC em estruturas tradicionais do mercado de capitais.

Fonte: DCM

Carla Zambelli terá de pagar R$ 10 mil ao X, de Elon Musk; saiba o motivo

 

A deputada licenciada Carla Zambelli no início da sessão no Tribunal de Apelações de Roma na quarta-feira (27). Foto: Reprodução/TV Globo

O X, de Elon Musk, está cobrando cerca de R$ 10 mil de Carla Zambelli (PL-SP). Os advogados da rede social apresentaram à Justiça do Distrito Federal um pedido para que a deputada federal, atualmente presa na Itália, pague R$ 10.133,97 em até 15 dias, conforme informações do blog de Ancelmo Gois, do Globo.

A cobrança é resultado de uma condenação em processo aberto em 2024. Zambelli havia processado o X por permitir mensagens críticas de eleitores, mas não compareceu às audiências marcadas no Brasil após fugir para a Europa. A ausência levou à extinção do processo por desídia, e ela ainda foi condenada por litigância de má-fé.

Zambelli segue presa em Roma após decisão da Corte de Apelação da Itália nesta quinta-feira (28). O tribunal concluiu que existe o “grau máximo” de risco de fuga caso fosse solta, motivo pelo qual determinou sua permanência na prisão. A medida foi anunciada após audiência com três juízes italianos.

No processo, foram analisados laudos médicos apresentados pela defesa da parlamentar. Os magistrados concluíram que Zambelli tem condições de permanecer sob custódia. Segundo o documento, o perito destacou que a equipe da unidade prisional garante “a administração correta de terapias farmacológicas, o monitoramento básico e especializado constante da saúde e a administração correta e consistente das terapias estabelecidas”.

O caso também envolve o pedido de extradição feito pelo Brasil. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, formalizou a solicitação, já que a deputada foi condenada duas vezes pela Corte.

O processo segue em análise pela Justiça italiana, que decidirá se autoriza ou não o retorno da parlamentar ao Brasil.

       O bilionário Elon Musk, dono do X. Foto: Reprodução

Fonte: DCM com informações do jornal O Globo

Escuta da PF expõe esquema do PCC com combustíveis: “Precisa ver como sonegar isso”


Agentes da Polícia federal, em conjunto com as receitas federal e estadual fizeram buscas e apreensões em endereços na Faria Lima, em São Paulo. Foto: Werther Santana/Estadão

Uma frase registrada em uma escuta da Operação Carbono Oculto revela como integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) tratavam fraudes no setor de combustíveis. A investigação expõe um esquema que movimentava desde importações irregulares até a adulteração de gasolina em postos de grandes redes. Com informações da Folha de S.Paulo.

Em um dos diálogos, dois investigados discutem a ideia de introduzir combustível sintético em São Paulo. Sem se preocupar com detalhes técnicos, um deles resumiu a prioridade do grupo: “Precisa ver como sonegar isso”.

Para o procurador do Gaeco, João Paulo Gabriel, o caso mostra que o PCC já não se limita a postos de bandeira branca. “Tem [fraude] em postos de grandes redes. Isso [da bandeira branca] é passado. O negócio deles é fraudar, não importa como”, disse.

Deflagrada na última quinta-feira (28), a operação cumpriu mais de 350 mandados em oito estados contra pessoas e empresas ligadas ao esquema.

Segundo a Receita Federal, o metanol entrava no Brasil pelo porto de Paranaguá (PR) com destino declarado a empresas químicas, mas era desviado para adulterar combustíveis. Em alguns casos, o nível da substância chegava a 50%, quando o limite permitido pela ANP é de 0,5%.

O Ministério Público afirma que até as máquinas de pagamento das lojas de conveniência de postos controlados pelo grupo transferiam recursos à facção. Estima-se que metade dos 44 mil postos no Brasil atuem sem bandeira, o que facilita a fraude.

O Sindicom, sindicato das distribuidoras, comemorou a ação e afirmou: “O combate às práticas ilícitas é fundamental para proteger consumidores, garantir a arrecadação de tributos, fortalecer a confiança dos investidores e assegurar um ambiente de negócios transparente”.

Polícia civil, Federal e Receita Federal se concentram para saída de megaoperação Carbono Oculto, com participação da Receita Federal. Foto: reprodução

Fonte: DCM com informações da Folha de S. Paulo

Itamaraty comunicará EUA sobre início do processo de reciprocidade nesta sexta-feira

Palácio do Itamaraty, em Brasília. Foto: Pablo Jacob

O Itamaraty comunicará nesta sexta-feira (29) ao governo de Donald Trump o início do processo de reciprocidade em resposta ao tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, conforme informações da CNN Brasil.

A decisão foi tomada após aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e coloca em movimento a Lei da Reciprocidade Econômica, sancionada neste ano.

Na noite de quinta-feira (28), o Ministério das Relações Exteriores acionou a Camex (Câmara de Comércio Exterior) para dar início às consultas e investigações que embasarão possíveis contramedidas. O comunicado oficial poderá ser feito pela embaixada americana em Brasília ou diretamente a Washington.

Segundo o governo, o procedimento abre espaço para a manifestação dos EUA e para negociações diplomáticas durante todo o processo.

Lula responde ameaça de nova taxa de Trump a quem regulamentar big techs: 'não são nosso patrimônio'
Lula e Donald Trump. Foto: Reprodução

A Camex terá até 30 dias para elaborar um relatório técnico avaliando se as medidas americanas se enquadram na lei. Caso a conclusão seja positiva, será instalado um grupo específico para sugerir retaliações que podem atingir não apenas o comércio de bens, mas também serviços e propriedade intelectual.

Integrantes do governo reforçam que a abertura do processo não significa rompimento do diálogo, mas a necessidade de preservar a posição do Brasil frente às sobretaxas.

O pedido para acionar a lei foi feito pelo chanceler Mauro Vieira, que argumentou a Lula sobre a necessidade de antecipar os trâmites devido à complexidade do processo.

A discussão contou ainda com os ministros Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Rui Costa (Casa Civil) e Fernando Haddad (Fazenda), que integram o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais.

Fonte: Brasil 247 com informações da CNN Brasil

Dívida pública bruta do Brasil sobe a 77,6% do PIB em julho, diz BC

Em julho, o setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 66,566 bilhões

       Moedas de reais (Foto: Reuters/Bruno Domingos)


Reuters - A dívida bruta do Brasil registrou alta em julho e ficou acima do esperado, enquanto o setor público consolidado brasileiro apresentou déficit primário mais forte do que o projetado, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central.

A dívida pública bruta do país como proporção do PIB fechou julho em 77,6 %, contra 76,6 % no mês anterior. Já a dívida líquida do setor público foi a 63,7%, de 62,9%.

As expectativas em pesquisa da Reuters eram de 77,0% para a dívida bruta e de 63,4% para a líquida.

Em julho, o setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 66,566 bilhões, contra expectativa de economistas consultados em pesquisa da Reuters de um saldo negativo de R$ 60,2 bilhões.

O desempenho mostra que o governo central teve rombo de R$ 56,361 bilhões no mês, enquanto Estados e municípios registraram déficit primário de R$ 8,148 bilhões e as estatais tiveram saldo negativo de R$ 2,058 bilhões, mostraram os dados do Banco Central.

Fonte: Brasil 247 com Reuters

Bancada do PL quer acelerar projeto de anistia durante julgamento de Bolsonaro no STF

Partido pretende levar proposta à mesa de líderes na mesma semana em que o STF começa a julgar o ex-mandatário e outros réus da tentativa de golpe

Brasília (DF) - 19-12-2024 - Deputado Sóstenes Cavalcante durante coletiva a imprensa no salão verde da Câmara dos Deputados (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

A bancada do PL na Câmara dos Deputados prepara uma ofensiva política para a próxima semana. Segundo a coluna da jornalista Andréia Sadi, do g1, o partido deve priorizar o projeto de anistia a investigados e condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro, em paralelo ao início do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que terá como um dos réus Jair Bolsonaro (PL).

O movimento é liderado pelo deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), que pretende apresentar a proposta na reunião de líderes partidários marcada para terça-feira (2). A data coincide com a abertura do julgamento no STF sobre a trama golpista, no qual Bolsonaro e outros envolvidos serão avaliados pela Corte.

Cavalcante afirmou que a prioridade do PL será buscar a anistia “direta” para os acusados, em uma tentativa de blindagem em meio ao desgaste político do partido. O líder deixou de lado outras bandeiras recentes, como a PEC das prerrogativas e mudanças no foro privilegiado, após a repercussão negativa das propostas.

“Todos querem, inclusive a esquerda, mas o desgaste fica apenas com o PL. Querem ficar fazendo politicagem em cima da direita”, disse o deputado bolsonarista. A ideia é pressionar legendas que, segundo ele, apoiam a medida nos bastidores, mas evitam se comprometer publicamente.

Com o STF prestes a julgar a participação de Bolsonaro e de outros réus na tentativa de golpe, o PL enxerga o momento como decisivo. A estratégia é colocar a proposta de anistia em pauta na semana do julgamento e obrigar outras siglas a se posicionarem de forma clara diante da sociedade.

De acordo com Cavalcante, a expectativa é que a pressão política force aliados e adversários a assumirem uma posição pública, transformando a sessão de líderes em um palco de disputa sobre o futuro dos condenados e investigados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

"Tem que jogar na lata do lixo", diz Lindbergh sobre pedido de Eduardo Bolsonaro para exercer mandato dos EUA

Líder do PT na Câmara exige que a Casa tenha “coragem” para cassar os mandatos de Eduardo e Carla Zambelli

      Lindbergh Farias (Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados)

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) usou as redes sociais nesta sexta-feira (29) para criticar duramente o pedido de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) à Câmara dos Deputados. O filho de Jair Bolsonaro (PL) solicitou autorização para exercer o mandato diretamente dos Estados Unidos, onde permanece desde fevereiro.

“É um absurdo! Nessa madrugada, Eduardo Bolsonaro teve a ousadia de pedir pra exercer o mandato direto dos Estados Unidos, de onde vive tramando contra o Brasil. Esse ofício precisa ir pra lata do lixo. A Câmara tem que cassar Eduardo e Carla Zambelli e dar um chega pra lá nessa turma golpista”, escreveu Lindbergh no X.

A postagem foi feita após Eduardo Bolsonaro enviar um ofício ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), alegando estar impedido de retornar ao Brasil por conta de uma suposta perseguição política e jurídica. O parlamentar solicitou a criação de mecanismos que permitam sua atuação remota, citando como exemplo o modelo de sessões virtuais adotado durante a pandemia de Covid-19.

“Durante o período de Carnaval, viajei aos EUA levando apenas uma pequena mala, em caráter predominantemente privado. [...] Certo de que não poderia correr o risco de interromper esforços diplomáticos tão relevantes, decidi permanecer em território norte-americano em licença não remunerada”, escreveu o deputado.

Desde que se instalou nos EUA, Eduardo Bolsonaro tem mantido encontros com representantes do governo norte-americano, com foco em pressões por anistia ao pai, Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar. Em entrevistas, ele tem exaltado o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a quem chamou de “o maior líder de todos os tempos”, além de agradecer medidas tarifárias contra exportações brasileiras.

Na semana passada, a Polícia Federal indiciou Eduardo e Jair Bolsonaro sob a acusação de tentar influenciar processos judiciais por meio de articulações internacionais. O caso deve ser analisado pelo STF, em meio a um ambiente de tensão política e institucional.

O julgamento de Jair Bolsonaro está marcado para a próxima quarta-feira (3), em um dos momentos mais críticos da crise que atinge o país.

Já a deputada Carla Zambelli (PL-SP) permanece presa na Itália após passar por uma terceira audiência judicial. A decisão foi tomada pela Justiça italiana após análise detalhada do laudo médico de Zambelli, que se encontra detida desde 29 de julho, em Roma. A Justiça ainda citou o risco de Zambelli fugir para evitar o processo de extradição ao Brasil.

A audiência mais recente, realizada na quarta-feira (27), contou com a participação da perita do tribunal, Edy Febi, que afirmou por videoconferência que não há incompatibilidade entre o estado de saúde da deputada e a manutenção da prisão.

Fonte: Brasil 247

Percepção negativa sobre o Brasil recua e iguala à dos EUA, que registram piora em agosto, aponta Ipsos



Pesquisa mostra que brasileiros veem menos pessimismo no rumo do país, enquanto nos EUA a percepção negativa cresceu 6 pontos

          Donald Trump e Lula (Foto: REUTERS/Brian Snyder | REUTERS/Adriano Machado)

O Brasil reduziu em quatro pontos percentuais o índice de pessoas que acreditam que o país está no caminho errado, igualando-se aos Estados Unidos no mais recente levantamento global do instituto Ipsos. A pesquisa “What worries the world”, divulgada em agosto e citada pelo jornal O Globo, revela que, enquanto os brasileiros demonstraram leve melhora na confiança, a percepção negativa entre os norte-americanos avançou seis pontos em apenas um mês.

Segundo o relatório, tanto Brasil quanto EUA registraram índices próximos da média global, que é de 63% da população avaliando de forma pessimista o rumo de suas nações. O cenário é considerado simbólico por analistas, que destacam o desgaste nas relações bilaterais, historicamente marcadas por aproximação, mas que hoje atravessam o que especialistas descrevem como o momento mais delicado em dois séculos. O fator político também pesa: a ausência de diálogo direto entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca, sob a liderança do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é apontada como inédito.

◈ Principais preocupações no Brasil

No caso brasileiro, o levantamento mostra que a agenda de temores da população continua centrada em problemas sociais e estruturais, com poucas oscilações em relação a julho. Os principais destaques são:

  • Crime e violência (42%, alta de 1 ponto)
  • Pobreza e desigualdade social (35%, queda de 1 ponto)
  • Saúde (34%, queda de 3 pontos)
  • Corrupção financeira/política (33%, alta de 1 ponto)
  • Impostos (31%, alta de 3 pontos)

A percepção negativa sobre impostos, em particular, chama a atenção: houve aumento de sete pontos em relação a agosto do ano passado. Para o CEO da Ipsos, Marcos Calliari, o tema ganhou visibilidade diante da ampla cobertura midiática sobre a reforma tributária e a pressão fiscal.

"Também houve ampla cobertura na imprensa sobre medidas tarifárias entre países, inclusive o famigerado “tarifaço” de 50% em determinadas linhas de produtos realizados pelos Estados Unidos. Quando os temas são muito noticiados, como costumamos observar nos monitoramentos da pesquisa, sabemos que aumentam a visibilidade da pauta para a população e nesse caso das tarifas, faz crescer a percepção de que as pressões tributárias atingirão diretamente não só o mercado, mas também os consumidores", afirmou Calliari.

◈ Temas que preocupam os americanos

Nos Estados Unidos, a agenda de preocupações é liderada por questões econômicas. A inflação aparece em primeiro lugar (38%, alta de 3 pontos), seguida pela corrupção financeira e política (27%, avanço de 4 pontos). Calliari observa que essa última categoria vem crescendo “desde que as medidas polêmicas do presidente norte-americano passaram a despertar desconfiança de uma parcela significativa do eleitorado”.

Outro destaque foi a saúde, que voltou ao centro do debate, alcançando 25% das menções — uma elevação de seis pontos em apenas um mês.

◈ Como foi feita a pesquisa

O estudo “What worries the world” foi realizado entre 25 de julho e 8 de agosto, com 25.177 entrevistados de 29 países. No Brasil, participaram cerca de mil pessoas, com idades entre 16 e 74 anos. A Ipsos ressalta, no entanto, que a amostra brasileira não é totalmente representativa da população do país, refletindo mais o perfil de indivíduos conectados, moradores de centros urbanos e com escolaridade e renda acima da média nacional.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

Bolsonaro pode ficar até sete anos em regime fechado se receber pena máxima

Ex-presidente será julgado no STF por crimes relacionados à trama golpista de 2022 e pode iniciar cumprimento da pena em prisão de segurança máxima

           Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, em Brasília - 14/08/2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pode ser condenado a até sete anos de prisão em regime fechado caso o Supremo Tribunal Federal (STF) decida aplicar a pena máxima prevista nas acusações da Procuradoria-Geral da República (PGR). A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo nesta sexta-feira (29).

O julgamento começa na próxima terça-feira (2), quando Bolsonaro responderá por crimes graves como organização criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado. Ele também é acusado de dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Segundo a PGR, o caso envolve diretamente a tentativa de golpe após a derrota para o presidente Lula (PT) nas eleições de 2022.

◈ Pena pode variar entre 12 e 43 anos

De acordo com a acusação, a pena mínima para os crimes imputados a Bolsonaro é de 12 anos, mas pode chegar a 43 anos no limite máximo. Especialistas ouvidos pela reportagem explicam que, caso a condenação ultrapasse oito anos, o ex-presidente terá que começar a cumprir a pena em regime fechado.

“O fato é que é impossível retirar a alta carga de subjetividade do julgador no momento de ‘escolher’ a pena utilizada”, afirmou Leonardo Massud, professor e mestre em Direito Penal da PUC-SP. Ele acrescentou que, em casos colegiados como o do STF, os ministros podem buscar maior uniformidade, reduzindo discrepâncias entre penas aplicadas a Bolsonaro e a outros réus.

◈ Agravantes pela liderança e pelo uso da máquina pública

A PGR destaca que a acusação de chefiar uma organização criminosa armada agrava ainda mais a situação de Bolsonaro. A pena-base para esse crime é de 3 a 8 anos, podendo ser aumentada pela metade caso haja uso de armas, além de uma majoração adicional pelo fato de ser considerado líder.

Há ainda outro agravante: a participação de funcionários públicos que, segundo a acusação, teriam utilizado seus cargos em benefício da organização criminosa. Nesses casos, a lei prevê aumento de pena de um sexto a dois terços.

Para a advogada constitucionalista Vera Chemim, o simples fato de estruturar e organizar um grupo criminoso já configura o delito:
“O simples fato de promover ou integrar uma organização criminosa já se configura como crime, independentemente da prática de outras infrações penais. Em outras palavras: a estrutura e divisão de tarefas já caracteriza o crime, mesmo que nenhum resultado tenha sido atingido.”

◈ Regime fechado pode durar até sete anos

A avaliação dos juristas aponta que, caso Bolsonaro receba a pena máxima, ele deverá permanecer pelo menos sete anos em regime fechado antes de qualquer progressão. Isso porque, em crimes cometidos com violência ou grave ameaça, a lei estabelece percentuais mais altos de cumprimento da pena antes da mudança de regime.
“A progressão para o regime semiaberto pode variar entre 16% e 25% da pena. Em outras palavras, se condenado à pena máxima, a progressão não deverá vir antes de sete anos de prisão”, explicou Massud.

◈ Onde Bolsonaro pode cumprir pena

Por ser ex-presidente, Bolsonaro tem direito a cela especial, em uma “sala de Estado-Maior”. As opções seriam o Centro Penitenciário da Papuda, em Brasília, ou a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. Considerando sua idade e problemas de saúde, também não está descartada a possibilidade de prisão domiciliar.

◈ Outros réus do processo

Além de Bolsonaro, também são réus na ação:

  •  Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin)
  •  Almir Garnier (ex-comandante da Marinha)
  •  Anderson Torres (ex-ministro da Justiça)
  •  Augusto Heleno (ex-ministro do GSI)
  •  Mauro Cid (ex-ajudante de ordens e delator)
  •  Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa)
  •  Walter Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil)

Todos respondem por participação na trama golpista e podem enfrentar penas igualmente severas.

◈ Defesa pede absolvição

A defesa de Bolsonaro tem insistido em sua inocência e pediu a absolvição. Em suas alegações finais, os advogados sustentaram que, se houver condenação, a pena não deveria ultrapassar 14 anos.

O julgamento da Primeira Turma do STF será acompanhado de perto por todo o país, uma vez que poderá definir os rumos do maior processo relacionado à tentativa de golpe de Estado em 2022.

Fonte: Brasil 247 com informação divulgada pela Folha de S. Paulo

Eduardo Bolsonaro envia ofício a presidente da Câmara solicitando exercer mandato dos EUA

Filho de Jair Bolsonaro alega perseguição política no Brasil e pede autorização para manter atuação parlamentar a partir dos Estados Unidos
        Eduardo Bolsonaro participa remotamente em audiência da Câmara (Foto: Reprodução)

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), enviou nesta quinta-feira (29) um ofício ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), solicitando autorização para exercer seu mandato a partir dos Estados Unidos. A informação foi publicada pela Sputnik Brasil.

Eduardo está nos EUA desde fevereiro, quando viajou para o período do Carnaval e não retornou após o recesso parlamentar em agosto. No documento divulgado em suas redes sociais, ele afirma estar impedido de exercer seu mandato no Brasil devido a uma suposta perseguição política e jurídica, e pede que a Câmara crie mecanismos para permitir sua participação remota nas atividades legislativas.

◎ O pedido de Eduardo Bolsonaro

No ofício, Eduardo escreve:
"Durante o período de Carnaval, viajei aos EUA levando apenas uma pequena mala, em caráter predominantemente privado. Ainda no curso dessa viagem, surgiram notícias de que minha atuação internacional estava incomodando a ponto de se cogitar a cassação de meu passaporte e a imposição de outras medidas restritivas. Certo de que não poderia correr o risco de interromper esforços diplomáticos tão relevantes, decidi permanecer em território norte-americano em licença não remunerada, direito assegurado a qualquer parlamentar."

O deputado argumenta que, assim como ocorreu durante a pandemia de Covid-19, quando parlamentares participaram de votações remotamente, a Câmara deveria assegurar a mesma possibilidade em razão da atual “crise institucional”. Ele acrescenta:
"Não se pode admitir que o que foi assegurado em tempos de crise sanitária deixe de sê-lo em um momento de crise institucional ainda mais profunda. Vivemos, infelizmente, sob um regime de exceção, em que deputados federais exercem seus mandatos sob o terror e a chantagem instaurados por um ministro do STF que age fora dos limites constitucionais e já é alvo de repúdio internacional. Não reconheço falta alguma, não renuncio ao meu mandato, não abdico das minhas prerrogativas constitucionais e sigo em pleno exercício das funções que me foram conferidas pelo voto popular."

◎ Atuação política nos Estados Unidos

Desde que se instalou nos EUA, Eduardo Bolsonaro tem mantido encontros com representantes do governo norte-americano. Sua principal pauta é articular pressões pela anistia do pai, Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar, caso seja condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado.

No último domingo (24), em entrevista a um canal conservador norte-americano, Eduardo exaltou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chamando-o de “o maior líder de todos os tempos”. Ele também agradeceu o tarifaço imposto contra exportações brasileiras:
"Também tenho que agradecer muito ao presidente Trump, ele é o maior líder de todos os tempos na história da humanidade, na minha opinião. Ele começou dando alguma pressão no sistema financeiro do Brasil com as tarifas de 50%, e claramente dizendo que isso não é só por questões comerciais, mas também porque o Brasil está vivendo uma enorme crise institucional."

Além disso, voltou a atacar o ministro Alexandre de Moraes, do STF, chamando-o de “juiz louco” e defendendo a aprovação de uma anistia no Congresso Nacional.

◎ Indiciamento pela Polícia Federal e julgamento de Jair Bolsonaro

Na semana passada, a Polícia Federal indiciou Jair e Eduardo Bolsonaro sob a acusação de tentar influenciar processos judiciais no Brasil por meio das sanções econômicas impostas por Donald Trump. A PF também pediu ao STF que uma equipe de agentes permaneça em tempo integral na casa do ex-presidente, considerando o monitoramento eletrônico por tornozeleira insuficiente para evitar uma possível fuga. O ministro Alexandre de Moraes encaminhou a solicitação à Procuradoria-Geral da República, que deve se manifestar até segunda-feira (1º).

O julgamento de Jair Bolsonaro na Suprema Corte está marcado para quarta-feira (3), em um dos capítulos mais críticos da crise política e institucional que o país atravessa.

Fonte: Brasil 247