A AtlasIntel cancelou o registro de uma pesquisa eleitoral e apresentou um novo questionário ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ampliando o levantamento com perguntas sobre o vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro expõe o conflito com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A divulgação, inicialmente prevista para 30 de junho, foi adiada para 1º de julho.
O novo formulário também passou a incluir questões sobre o caso envolvendo o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, citado nas investigações relacionadas ao Banco Master. As alterações indicam que o instituto pretende medir o impacto político dos dois episódios sobre o eleitorado.
Entre os blocos acrescentados, a Atlas pergunta, por exemplo, quem os entrevistados consideram mais fiel às orientações políticas do ex-presidente Jair Bolsonaro: Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro ou ambos igualmente.
Também questiona se o entrevistado assistiu ao vídeo publicado por Michelle e, para quem respondeu positivamente, apresenta uma série de perguntas sobre o episódio.
Entre elas estão se o eleitor concorda com a decisão da ex-primeira-dama de divulgar o vídeo, com qual dos dois tende a concordar, se acredita nas acusações de que Flávio teria sido “grosseiro”, “desrespeitoso” e a teria humilhado e qual seria a principal motivação de Michelle ao tornar pública a divergência.
Outro conjunto de perguntas procura medir o impacto eleitoral da crise. Os entrevistados são questionados sobre a importância do apoio de Michelle para a candidatura de Flávio Bolsonaro e se a exposição pública do conflito fortaleceu, enfraqueceu ou não alterou a pré-campanha presidencial do senador.
No caso do Banco Master, o questionário pergunta qual grupo político o eleitor acredita estar mais envolvido nas supostas fraudes financeiras, se o entrevistado acompanhou as investigações envolvendo Jaques Wagner e se acredita que o senador tenha recebido vantagens indevidas do banco.
Um relatório divulgado pelo Instituto Democracia em Xeque (DX) mostrou que o vídeo de Michelle Bolsonaro gerou quase sete vezes mais engajamento nas redes sociais do que as publicações relacionadas ao caso Jaques Wagner.
De acordo com o levantamento, os conteúdos sobre Michelle acumularam cerca de 1,4 milhão de interações, enquanto as publicações sobre Jaques Wagner registraram aproximadamente 214 mil. Em volume de menções, a diferença também foi expressiva: foram 91,6 mil publicações sobre a ex-primeira-dama contra 29,3 mil envolvendo o senador petista.
A AtlasIntel foi alvo de disputa judicial após divulgar uma pesquisa que media o impacto do caso “Dark Horse” sobre Flávio. Na ocasião, o ministro do TSE Kássio Nunes Marques suspendeu o levantamento a pedido do PL, que alegou indução negativa ao reproduzir um áudio em que o senador cobrava recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro.
No último dia 22, porém, a Procuradoria-Geral Eleitoral manifestou-se contra a suspensão. Em parecer, o vice-procurador-geral eleitoral Alexandre Espinosa afirmou que é natural que institutos de pesquisa investiguem a percepção do eleitorado sobre temas políticos sensíveis e que a metodologia utilizada pela Atlas não afronta a legislação eleitoral.
O parecer também destacou que o áudio foi exibido apenas depois das perguntas de intenção de voto, impedindo que os entrevistados alterassem suas respostas, além de observar que outros institutos, como Quaest, Datafolha e Ideia, também formularam perguntas sobre o mesmo episódio. A pesquisa suspensa apontava queda de seis pontos percentuais nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro após a repercussão do caso.


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