sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Bolsonaro tem 53% de imagem negativa entre eleitores, aponta pesquisa Quaest

Levantamento nacional mostra rejeição majoritária ao ex-presidente. Silas Malafaia é o segundo mais rejeitado

Jair Bolsonaro, escurecido na foto - 30/07/2021 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira (16) indica que Jair Bolsonaro (PL) enfrenta um elevado índice de rejeição junto ao eleitorado. De acordo com os dados, 53% dos brasileiros avaliam de forma negativa a imagem do ex-mandatário, percentual que o coloca como o nome com pior desempenho entre as lideranças analisadas no estudo.

Na sequência do ranking de rejeição aparece o pastor-empresário Silas Malafaia. Entre os entrevistados que afirmaram conhecê-lo, 46% classificaram sua imagem como negativa. Em terceiro lugar está o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que registra 42% de avaliação desfavorável entre os eleitores consultados.

Michelle Bolsonaro surge na quarta posição do levantamento. Segundo a pesquisa, 38% dos entrevistados disseram ter uma imagem negativa da ex-primeira-dama, percentual inferior ao de outros nomes associados ao bolsonarismo, mas ainda expressivo dentro do cenário analisado.

Jair Bolsonaro cumpre pena privativa de liberdade de 27 anos e três meses de prisão por participação em uma trama golpista. Ele está detido na Sala de Estado-Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecida como “Papudinha”, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Além da avaliação de imagem, outra pesquisa recente da Quaest apresentou simulações para a eleição presidencial deste ano. Os cenários indicam vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre possíveis adversários ligados ao campo bolsonarista, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e os governadores Ratinho Jr. (PSD) e Tarcísio de Freitas (Republicanos).

No cenário considerado mais provável, Lula aparece na liderança com 36% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro ocupa a segunda colocação, com 23%. Em uma disputa que inclui o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas registra 9%, mantendo o filho do ex-presidente na vice-liderança.

A pesquisa foi realizada pela Genial/Quaest entre os dias 8 e 11 de janeiro. O levantamento ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o país e apresenta margem de erro de dois pontos percentuais.

Fonte: Brasil 247

Lula participa de cerimônia que marca 90 anos do salário mínimo no Brasil

Evento no Rio celebra trajetória histórica do piso nacional e inclui lançamento de medalha comemorativa

Moedas de reais - 15/10/2010 (Foto: REUTERS/Bruno Domingos)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa nesta sexta-feira (16) da cerimônia que celebra os 90 anos de implementação do salário mínimo no Brasil. A solenidade ocorre na Casa da Moeda do Brasil, no Rio de Janeiro, e integra a agenda oficial de comemorações de uma das mais importantes políticas de proteção social do país.

Durante o evento será lançada oficialmente uma medalha comemorativa em alusão aos 90 anos do salário mínimo, marco histórico que consolidou um patamar básico de remuneração e ajudou a estruturar direitos trabalhistas no Brasil.

Desde sua criação, o salário mínimo desempenha papel central na promoção da justiça social, na redução das desigualdades e no estímulo ao desenvolvimento econômico. Ao garantir uma renda mínima, a política assegura condições básicas de dignidade aos trabalhadores e impacta diretamente a vida de milhões de brasileiros, incluindo aposentados e pensionistas.

O salário mínimo foi instituído em 1936 pela Lei nº 185 e implementado durante o governo de Getúlio Vargas, em resposta às condições precárias de trabalho que predominavam no país, marcadas por longas jornadas e remuneração insuficiente. Ao longo das décadas, o instrumento enfrentou períodos de forte desvalorização, especialmente em contextos de inflação elevada e instabilidade econômica, como durante o regime militar e nas décadas de 1980 e 1990.

Uma mudança estrutural ocorreu em 2006, durante o primeiro mandato do presidente Lula, com a criação da Política de Valorização do Salário Mínimo. A iniciativa passou a combinar a reposição da inflação com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), assegurando ganho real aos trabalhadores. Essa política se tornou referência para pisos salariais estaduais, benefícios previdenciários do INSS, programas sociais e contratos públicos.

Em 2023, o Governo do Brasil ampliou o modelo, reforçando a vinculação dos reajustes anuais à inflação medida pelo INPC e ao crescimento econômico, em consonância com os princípios sociais da Constituição de 1988. O aumento real do salário mínimo passou a ser apontado como um dos instrumentos mais eficazes de redistribuição de renda, com impactos diretos na redução da pobreza e da desigualdade, além de efeitos positivos sobre a economia, especialmente em regiões com maior concentração de trabalhadores de baixa renda.

Em 2026, além de marcar nove décadas de existência do salário mínimo, o país celebra os 20 anos da política de valorização. Desde 1º de janeiro deste ano, o novo valor em vigor passou de R$ 1.518 em 2025 para R$ 1.621 em 2026, representando um reajuste de 6,7%. O cálculo considera a inflação acumulada dos 12 meses anteriores e o crescimento real do PIB registrado dois anos antes, mantendo o poder de compra e ampliando a renda real da população trabalhadora.

Fonte: Brasil 247

Clima na Polícia Federal é de alívio após transferência de Bolsonaro para Papudinha

Transferência reduziu pressão logística e operacional na PF, segundo investigadores

  Bolsonaristas em frente a sede da Polícia Federal em Brasília (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

A transferência de Jair Bolsonaro (PL) para a unidade prisional conhecida como Papudinha gerou um clima de alívio entre servidores da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. De acordo com relatos internos, a permanência do ex-mandatário no prédio da PF vinha impondo uma rotina atípica, com impactos diretos na logística e no funcionamento da unidade, originalmente destinada a detenções temporárias, relata o Metrópoles.

Segundo investigadores, a saída de Bolsonaro “desafogou” a estrutura da Superintendência da PF, que já era considerada inadequada para uma detenção de longo prazo, avaliação que antecede inclusive a condenação do ex-presidente pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro do ano passado.

A transferência ocorreu na quinta-feira (15), por determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator responsável pela execução da pena. Bolsonaro deixou as dependências da Polícia Federal e passou a ocupar uma sala de Estado-Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, localizado no Núcleo de Custódia da PM, área conhecida como Papudinha, anexa ao Complexo Penitenciário da Papuda.

Internamente, a avaliação majoritária entre agentes e servidores é de que a decisão foi acertada. Para investigadores, a Papudinha oferece um espaço mais amplo e condições consideradas mais compatíveis com a situação jurídica de Bolsonaro, ao mesmo tempo em que reduz a pressão operacional sobre a Polícia Federal, que não dispõe de estrutura adequada para custodiar presos por períodos prolongados.

Bolsonaro estava detido desde 22 de novembro de 2025 na Superintendência da PF, em Brasília. Nos dias que antecederam a transferência, a defesa apresentou diversos pedidos ao STF solicitando a conversão da prisão em regime domiciliar. Os advogados também questionaram as condições da custódia e chegaram a requerer a instalação de uma televisão com acesso à internet. As solicitações foram rejeitadas por Alexandre de Moraes, que afirmou que Bolsonaro já dispunha de privilégios e rebateu críticas feitas por filhos e aliados ao local da detenção.

Ao determinar a mudança para a Papudinha, o ministro destacou que a nova unidade garantiria condições ainda mais adequadas para o cumprimento da pena. Moraes autorizou visitas semanais da esposa, Michelle Bolsonaro, e dos filhos, além do fornecimento diário de marmitas. O acesso a uma Smart TV, no entanto, foi negado.

A sala de Estado-Maior destinada a Bolsonaro é semelhante à ocupada anteriormente por Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, e por Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, ambos também condenados. Embora o espaço tenha capacidade para até quatro pessoas, ele será utilizado exclusivamente pelo ex-presidente.

A decisão judicial estabeleceu ainda uma série de condições específicas para a custódia, como assistência médica integral por profissionais particulares previamente cadastrados, atendimento médico em regime de plantão pelo sistema penitenciário, autorização para sessões de fisioterapia, alimentação especial diária entregue por pessoa indicada pela defesa, visitas semanais de familiares, assistência religiosa com dois líderes indicados, permissão para leitura e instalação de equipamentos de apoio e fisioterapia, como barras na cama, esteira e bicicleta.

Localizada no Jardim Botânico, a Papudinha fica a poucos metros das alas da Papuda destinadas a presos comuns e tem capacidade para cerca de 60 detentos. O prédio conta com oito celas em formato de alojamentos coletivos, equipadas com banheiro, chuveiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala. Reformadas em 2020, as instalações também dispõem de consultório médico, áreas para prática esportiva e espaço exclusivo para atendimento de advogados.

O Núcleo de Custódia da Polícia Militar é destinado a militares estaduais, civis com direito à sala de Estado-Maior — como advogados e determinadas autoridades — e presos que aguardam definições sobre a perda de cargo. A fiscalização da unidade é realizada pela Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, responsável por acompanhar o cumprimento das penas e medidas de segurança.

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles

“Domiciliar não existe para quem tentou romper a tornozeleira”, afirma Pedro Serrano

Jurista diz que tentativa de violação inviabiliza benefício e avalia como correta decisão de manter Bolsonaro sob custódia estatal

Jair Bolsonaro e presídio da Papuda (Foto: Reuters | Reprodução)

A tentativa de rompimento da tornozeleira eletrônica pelo ex-presidente Jair Bolsonaro inviabiliza qualquer hipótese de prisão domiciliar, afirmou o jurista e professor de Direito Constitucional Pedro Serrano. Ao analisar o caso, sustentou que não há precedente jurídico que autorize a concessão do benefício a quem descumpriu de forma direta uma medida de monitoramento imposta pela Justiça.

A avaliação foi feita durante entrevista ao programa Boa Noite 247, da TV 247, na qual Serrano comentou as recentes decisões relacionadas às condições de custódia do ex-presidente. Segundo ele, a transferência para uma unidade prisional administrada pelo sistema penitenciário foi adequada e necessária para preservar tanto a segurança quanto a institucionalidade das decisões judiciais.

Ao comentar o local de custódia, Serrano destacou que se trata de um espaço digno e compatível com a condição de ex-presidente da República. “Um ex-presidente tem direito legal à proteção do Estado. Quando está preso, não perde esse direito”, afirmou. Para ele, a unidade escolhida garante segurança e condições humanas adequadas, sem caracterizar qualquer tipo de luxo.

O jurista também avaliou positivamente o afastamento do ministro Alexandre de Moraes das decisões administrativas do cotidiano carcerário. “Agora vai ter uma autoridade administrativa profissionalizada para decidir esse cotidiano, expondo menos o Supremo”, disse, ao defender que questões como infraestrutura e rotina devem ser resolvidas pela administração penitenciária, e não diretamente pelo Judiciário.

Serrano rejeitou de forma enfática a narrativa de que Bolsonaro estaria sendo submetido a maus-tratos. “Esse mimimi de tortura é ridículo. Tortura é algo muito mais grave, muito mais intenso”, declarou, acrescentando que o sofrimento inerente à prisão não pode ser confundido com práticas ilegais ou desumanas.

Durante a entrevista, ele também abordou os pedidos da família do ex-presidente para a concessão de prisão domiciliar. Segundo Serrano, a tentativa de buscar apoio junto a ministros do Supremo não altera a realidade jurídica do caso. “Não conheço, nunca ouvi falar de um caso de alguém que tenha tentado romper tornozeleira e tenha ficado em domiciliar. Não existe isso”, afirmou.

O professor lembrou ainda que Bolsonaro já conta com condições diferenciadas em relação ao sistema prisional comum, como acesso a médicos particulares, visitas frequentes de familiares e possibilidade de receber alimentação externa. “Ele tem uma série de privilégios já. É difícil até imaginar qual privilégio a mais teria”, observou.

Para Serrano, não há fundamento jurídico que sustente a mudança de regime. “Ele cometeu um crime grave, foi condenado de forma definitiva pela Justiça. Não está preso de forma cautelar. Ele tem que cumprir a pena. Ponto”, concluiu, ressaltando que o cumprimento ocorre em condições especiais, mas dentro dos limites da lei.

Fonte: Brasil 247

Emendas a ONGs ligadas a políticos somam R$ 105 milhões sob suspeita

Decisão de Flávio Dino no STF barra repasses e cita indícios de nepotismo e desvio de recursos públicos

      Flávio Dino (Foto: Antonio Augusto/STF)

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir o uso de emendas parlamentares destinadas a organizações não governamentais administradas por familiares de congressistas ou por assessores, colocou sob escrutínio um volume expressivo de recursos públicos. Levantamentos apontam que ao menos R$ 105,2 milhões já haviam sido repassados a entidades agora impedidas de receber verbas por esse mecanismo.

A medida, tomada nesta semana, tem como base reportagens do jornal O Globo, que identificaram o envio de 57 emendas parlamentares a ONGs ligadas direta ou indiretamente a parlamentares, ex-assessores e aliados políticos. Segundo os dados apurados, os repasses a esse tipo de entidade cresceram de forma acelerada desde 2019, alcançando o recorde de R$ 1,7 bilhão em 2025.

Na decisão, Flávio Dino destacou que o cenário revela sinais consistentes de irregularidades. “Conforme evidencia a reportagem, avolumam-se indícios graves de malversação de verbas públicas, com a destinação de recursos para a satisfação de interesses privados — prática que equivale à apropriação privada do Orçamento Público, em desvio dos critérios objetivos e impessoais que devem reger a atuação estatal”, escreveu o ministro.

A proibição abrange ONGs que tenham, em seus quadros administrativos, cônjuges, companheiros ou parentes até o terceiro grau de parlamentares responsáveis pela indicação das emendas, bem como de assessores vinculados a esses congressistas. A decisão também veta a contratação ou subcontratação de empresas ligadas a esses familiares, mesmo de forma indireta, como fornecedores ou prestadores de serviço.

Um dos casos citados envolve a Associação Pestalozzi de Maceió, que recebeu R$ 8,5 milhões em emendas entre 2021 e 2025. A entidade foi presidida por dez anos pela ex-deputada Tereza Nelma (PSD-AL) e, após sua eleição para a Câmara, passou a ser comandada por sua vice. Documentos analisados apontam que parte dos recursos foi usada para pagar o aluguel de um imóvel pertencente ao marido da ex-parlamentar, Renato Viana Soares.

Ao comentar o caso, Soares afirmou: “É um imóvel que me pertence há mais de 20 anos. A Pestalozzi trabalha nesse espaço. Não tem nada de estranho que uma emenda tenha um dia pago alguns meses de aluguel. Eu não sei se tem crime nisso”. Apesar da declaração, auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu que a operação compromete princípios como impessoalidade, moralidade e transparência na gestão dos recursos públicos. A entidade negou irregularidades e declarou estar à disposição para esclarecimentos, reforçando em nota seu “compromisso inabalável com a inclusão social de PCDs”.

Outro episódio envolve o deputado Raimundo Costa (Podemos-BA), que destinou R$ 17,2 milhões à Federação dos Pescadores da Bahia (Fepesba), entidade que presidiu por sete anos. A CGU apontou potenciais conflitos de interesse, destacando vínculos entre dirigentes, empresas contratadas e o parlamentar. O atual presidente da federação, Aurelino José dos Santos, afirmou que está aberto a corrigir eventuais problemas: “Estamos à disposição para corrigir o que for necessário. Estamos sempre buscando fazer o que a legislação prevê. Caso a justiça ou a legislação definam como irregular, a gente vai corrigir”.

A investigação também alcançou o deputado Eduardo Velloso (União Brasil-AC), cuja emenda, originalmente destinada a eventos culturais, acabou sendo redirecionada a um hospital oftalmológico pertencente a seu pai. Auditoria identificou pagamentos por procedimentos médicos com valores muito superiores aos da tabela do SUS. Segundo a CGU, ao menos R$ 331,1 mil chegaram à clínica. Em nota, o parlamentar afirmou que a responsabilidade pelo repasse foi da prefeitura e que não houve ingerência de sua parte.

Há ainda o caso do deputado Waldenor Pereira (PT-BA), cujos recursos enviados ao governo da Bahia para festas juninas acabaram sendo repassados a uma ONG comandada por uma ex-assessora de seu gabinete. O parlamentar classificou o episódio como coincidência. “O recurso é repassado para o governo do estado, que escolhe a ONG. Possivelmente foi uma coincidência. O fato de ter trabalhado no meu mandato não impede que ela participe de alguma entidade”, declarou. Auditoria da CGU, no entanto, apontou falhas na execução dos recursos e ausência de capacidade técnica da entidade contratada.

Ao justificar a decisão, Flávio Dino afirmou que a medida busca impedir práticas de nepotismo e atos de improbidade administrativa, reforçando a necessidade de critérios objetivos e impessoais na destinação de recursos públicos por meio de emendas parlamentares.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

Resistência de Bolsonaro e aliados à Papudinha surpreende Moraes

Ministro do STF afirmou a interlocutores que instalações do batalhão são superiores e criticou queixas feitas por aliados do ex-presidente

18/11/2025 - O ministro Alexandre de Moraes, do STF, durante o julgamento da Ação Penal 2696 referente ao Núcleo 3 da trama golpista (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de transferir Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para o 19.º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, provocou reação negativa entre aliados do ex-presidente, que classificaram a medida como uma tentativa de humilhação. Nos bastidores, porém, o magistrado demonstrou surpresa com a resistência ao local, que, segundo ele, oferece condições melhores do que a unidade anterior.

As informações foram publicadas pela Coluna do Estadão, que relata que Moraes comentou a interlocutores, nos últimos dias, não compreender a rejeição de Bolsonaro à Papudinha. Em conversas reservadas, o ministro avaliou que a resistência só poderia ser explicada pelo estigma associado ao Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido por abrigar condenados por crimes graves, como tráfico de drogas e armas, formação de quadrilha, assassinatos e terrorismo.

Apesar da imagem negativa, a ala específica para onde o ex-presidente foi levado conta com uma área total de 64,83 metros quadrados e espaço destinado a equipamentos de fisioterapia, como esteira e bicicleta. Na decisão que determinou a transferência, Moraes também respondeu às críticas feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que o acusou de manter o pai em um “cativeiro” e reclamou do barulho do ar-condicionado na sala de Estado Maior.

Ao rebater as queixas, o ministro escreveu “Pasmem” e ressaltou que, “diferentemente dos 384.586 presos em regime fechado”, o local não apresenta superlotação. Segundo ele, há, na verdade, exclusividade na acomodação destinada a Bolsonaro.

Aliados do ex-presidente reagiram de forma contundente. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que Moraes “usa a caneta como cassetete” e que a intenção do magistrado seria apenas espezinhar Bolsonaro. Para o parlamentar, o ministro representa o “autoritarismo de toga”.

Já o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) reconheceu que, “aparentemente”, Bolsonaro ficará em um espaço melhor e sem barulho, mas questionou: “Mas a pergunta ainda continua: por que não enviá-lo para casa?”

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, ironizou a situação ao afirmar: “Aqui se faz, aqui se paga”. A frase foi publicada junto a um vídeo em que Bolsonaro aparece comemorando a prisão de Lula, em abril de 2018.

A avaliação de Alexandre de Moraes é que Bolsonaro jamais enfrentou a realidade da superlotação do sistema prisional brasileiro, vivida por centenas de milhares de condenados que cumprem pena em regime fechado, cenário que contrasta com as condições oferecidas na unidade onde o ex-presidente está detido.

Fonte: Brasil 247 com informações do Estadão

Petrobras supera metas e bate recordes de produção em 2025

Estatal cresce 11% na produção de óleo e de óleo e gás, impulsionada pelo pré-sal e por novas plataformas na Bacia de Santos

Presidente Lula e presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante cerimôniade ampliação da capacidade operacional da Refinaria Abreu e Lima (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

A Petrobras encerrou 2025 com recordes históricos de produção e desempenho acima das metas definidas em seu plano de negócios 2025-2029, reforçando a centralidade do pré-sal na estratégia operacional da companhia.

Segundo o jornal Valor Econômico, a produção de óleo da estatal alcançou 2,40 milhões de barris por dia, ultrapassando em 0,5 ponto percentual o limite superior da meta (+4%) prevista no planejamento. O resultado representa crescimento de 11% em relação à produção registrada em 2024.

☉ Produção total e produção comercial também superam projeções

Em nota, a Petrobras informou que a produção total de óleo e gás natural chegou a 2,99 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed). Esse volume também ficou acima do teto da meta (+4%), superando-o em 2,8 pontos percentuais, e igualmente refletiu alta de 11% na comparação anual.

Já a produção comercial de óleo e gás natural atingiu 2,62 milhões de barris, ficando 0,9 ponto percentual acima do limite superior da meta (+4%). A companhia destacou que, além de superar as projeções, as marcas de produção de óleo, produção comercial e produção total “superaram recordes anuais históricos registrados ao longo de uma trajetória de mais de 70 anos”.

☉ Pré-sal concentra 82% e puxa novos recordes

A estatal apontou que o pré-sal foi determinante para os resultados de 2025, com novos recordes anuais. “A companhia também estabeleceu no pré-sal novos recordes anuais de produção total própria de 2,45 milhões de barris e operada de 3,70 milhões de barris. O volume de produção no pré-sal representa 82% da produção total da Petrobras”, destacou a empresa no comunicado.

O avanço foi acompanhado pela entrada em operação de duas novas plataformas no pré-sal da Bacia de Santos: o navio-plataforma Almirante Tamandaré, no campo de Búzios, e o navio-plataforma Alexandre de Gusmão, no campo de Mero.

☉ Búzios e Mero avançam com novas unidades e aceleração gradual

A Petrobras também reportou marcos relevantes em unidades já em operação. O navio-plataforma Marechal Duque de Caxias, em Mero, alcançou o topo de produção. Já o navio-plataforma Almirante Tamandaré atingiu recorde de produção, chegando a uma média de cerca de 240 mil barris por dia em novembro e dezembro, tornando-se a plataforma de maior produção do Brasil.

Além disso, a companhia informou a continuidade do “ramp-up” [aceleração gradual das atividades] de outras unidades: Maria Quitéria, no campo de Jubarte, e Anita Garibaldi e Anna Nery, nos campos de Marlim e Voador.

☉ Eficiência operacional e produtividade dos poços explicam superação de metas

No balanço operacional divulgado, a Petrobras atribuiu o desempenho ao ganho de eficiência nas unidades. “O aumento significativo de eficiência operacional de todas as unidades operacionais foi fundamental para a superação das metas de produção”, afirmou a estatal.

Outro destaque do ano, segundo a empresa, foi o atingimento de 1 milhão de barris de óleo por dia de produção operada no campo de Búzios com apenas seis plataformas, o que, na avaliação da companhia, demonstra a “grande produtividade” dos poços. “A sétima plataforma, P-78, que entrou em operação em 31 de dezembro, contribuirá para a continuidade da trajetória de crescimento da produção da companhia”.

☉ O que os números indicam para 2026

Com recordes no pré-sal, novas plataformas em operação e unidades em aceleração gradual, a Petrobras encerra 2025 sinalizando continuidade de crescimento, especialmente em campos de alta produtividade como Búzios e Mero, que vêm ganhando peso no portfólio operacional da estatal.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal Valor Econômico

Sakamoto: Transferido para Papudinha, Bolsonaro agora está onde deveria estar


O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – Reprodução

Por Leonardo Sakamoto, publicado no UOL

Há algo de didático, quase pedagógico, na transferência de Jair Bolsonaro da carceragem da Polícia Federal para a Papudinha, parte do Complexo Penitenciário da Papuda. Não porque o sistema penal brasileiro tenha, de repente, decidido funcionar como manda o figurino, mas porque a mudança desmonta a narrativa de excepcionalidade que sempre acompanhou o ex-presidente.

Jair e sua família reclamavam sistematicamente da carceragem da PF no Distrito Federal, onde ele estava preso por tentativa de golpe de Estado. Reclamavam de ruído do ar condicionado, da falta de acesso a uma TV com streaming, do tamanho do espaço, do pouco tempo de acesso ao sol.

Tanto chiaram que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, atendeu ao pedido de mudança de local. Mas, ao invés de enviá-lo para casa, como desejavam, o transferiu para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, parte isolada do complexo penitenciário.
Moraes apresentou, em sua decisão, uma comparação entre os dois espaços. Bolsonaro saiu de uma cela com 12 m2 para outra com quase 65 m2, com cozinha, banheiro, quarto, varanda e quintal descoberto. Os médicos terão acesso a ele 24 horas por dia e poderá continuar recebendo visitas da família. O local é extremamente seguro, onde ficam policiais militares que cometeram crimes, e já hospeda o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres — um de seus cúmplices na tentativa de golpe.

Só por curiosidade: reportagem de Lucas Almeida, no UOL, em novembro passado, por ocasião da prisão de Torres, apontou que a cela de 65 m2 era maior que 85% dos apartamentos lançados em São Paulo entre janeiro e junho de 2025.

Convém lembrar que a carceragem da PF nunca foi o inferno dantesco descrito por seus aliados nas redes. Tratava-se de um ambiente controlado, com pouca gente, segurança reforçada e rotina previsível, muito distante do que enfrentam diariamente milhares de presos Brasil afora. A transferência, portanto, pode ser um upgrade, mas o que importa é que ele sai de uma exceção e vai para a regra, da PF à penitenciária. E com acomodações confortáveis, dignas de um ex-presidente da República.


O bolsonarismo sempre operou sob a lógica do privilégio travestido de injustiça. Quando está no poder, chama de prerrogativa. Quando perde, chama de perseguição. O mesmo discurso que naturalizou rachadinhas, ataques às instituições e defesa do golpismo agora tenta convencer que a aplicação da lei é vingança. Não é.

Há também um simbolismo difícil de ignorar. Durante quatro anos, Bolsonaro tratou o Estado como extensão do quintal de casa. Confundiu cargo público com patrimônio privado e Forças Armadas com sua torcida organizada. A transferência para a Papudinha sinaliza, ainda que tardiamente, que o país não funciona assim. Ao menos, não deveria.

E cumprimento de pena se faz em penitenciárias. Bolsonaro estava pagando 27 anos e três meses em uma cela da PF por uma concessão. “Ah, mas e o Lula?”, questionarão os afoitos. Nos 580 dias em que permaneceu na carceragem da PF em Curitiba, ele ainda estava esperando uma decisão final da Justiça. Sim, seu caso ainda não havia transitado em julgado. Foi mandado para a cadeia devido ao entendimento vigente na época de que bastaria uma condenação em segunda instância. Mas cumprimento de pena mesmo só após a palavra final. E se o STF confirmasse, ele bem poderia ser transferido para um presídio.

Se há algo que incomoda profundamente seus seguidores, não é o local da prisão, mas o fim do personagem. O mito que não se curva, que desafia o sistema e sai ileso, dá lugar a um réu comum, sujeito às mesmas regras processuais que qualquer cidadão. Sem live, sem cercadinho, sem decreto. Apenas decisões judiciais.

É claro que a narrativa da vitimização seguirá firme. A defesa e a família de Bolsonaro exigem prisão domiciliar. Alegam idade, problemas de saúde, perseguição política e, como de costume, um conjunto de circunstâncias que, somadas, só valem quando o CPF é o dele.

Sim, esses argumentos não existem para presos pobres, negros ou anônimos. Para o bolsonarismo, a cadeia sempre foi sinônimo de merecimento. No caso de Bolsonaro, virou sinônimo de abuso.
Mesmo que Jair fosse transferido para um hotel cinco estrelas em Brasília, os bolsonaristas iriam reclamar, como estão fazendo nas redes sociais. Na verdade, não aceitam nada menos que uma prisão domiciliar como etapa para uma anistia total.

A democracia não se consolida quando pune inimigos, mas quando trata iguais como iguais, inclusive aqueles que fizeram de tudo para enforcá-la. A transferência de Bolsonaro não é espetáculo, revanche ou sadismo institucional. É, no máximo, a confirmação de que o país começa a reaprender uma lição básica: ninguém está acima da lei, nem mesmo quem passou a vida gritando que estava.

Bolsonaro queria sair de onde estava, foi atendido. Apostou na prisão domiciliar, mas recebeu a Papudinha. Não é sacanagem. É o Estado tentando voltar ao lugar que nunca deveria ter abandonado.

Fonte: DCM

Conheça a íntegra da decisão que mandou Bolsonaro para a Papudinha

 

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Foto: Rosinei Coutinho/STF
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (15) a transferência de Jair Bolsonaro da Sala de Estado-Maior da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal para uma Sala de Estado-Maior localizada no 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses, em regime fechado, após o trânsito em julgado da condenação ocorrido em novembro de 2025. Desde então, estava custodiado em dependência da Polícia Federal, em espaço individual e exclusivo.

Na decisão, Moraes descreve que o local anterior oferecia condições diferenciadas em relação ao sistema prisional comum, como cela individual de 12 metros quadrados, banheiro privativo, televisão, ar-condicionado, atendimento médico permanente e protocolo especial para entrega diária de alimentação.

O ministro afirma que reclamações apresentadas pela defesa e por aliados políticos sobre ruídos, dimensões da sala, horário de visitas, banho de sol e alimentação não encontram respaldo nas informações técnicas prestadas pela Polícia Federal, que indicou funcionamento regular dos equipamentos e cumprimento das normas legais.


A transferência foi determinada após novos pedidos da defesa, com base em recomendações médicas. A nova Sala de Estado-Maior possui área total superior a 60 metros quadrados, com ambientes internos e área externa, cozinha, banheiro com água quente, espaço para visitas, possibilidade de exercícios físicos em horário livre e instalação de equipamentos de fisioterapia.

A decisão mantém autorização para atendimento médico integral, com acesso permanente a médicos particulares, além de deslocamento imediato para hospitais em caso de urgência. Moraes também determinou a realização de perícia por junta médica oficial da Polícia Federal, que deverá avaliar o quadro clínico do custodiado.

O STF autorizou a participação de Bolsonaro no programa de remição de pena pela leitura, nos termos da Lei de Execução Penal e de resolução do Conselho Nacional de Justiça. Também foi deferida a assistência religiosa semanal, conforme solicitado pela defesa.

Por outro lado, o pedido para instalação de televisão do tipo smart TV, com acesso à internet e plataformas digitais, foi negado. O ministro apontou que não há previsão legal para esse tipo de equipamento e que o acesso à rede mundial de computadores representa risco à segurança e à disciplina do cumprimento da pena.

A decisão fixa regras para visitas de familiares em dias e horários determinados e estabelece que, enquanto Bolsonaro permanecer na unidade da Papuda, deverão ser observadas integralmente as normas do estabelecimento prisional do Distrito Federal.

Fonte: DCM

Papudinha: veja fotos e vídeo do presídio que receberá Jair Bolsonaro

O local onde o ex-mandatário ficará detido tem ar-condicionado, frigobar e televisão, além de oferecer banho de sol diário e exclusivo

Celas do 19º Batalhão da Polícia Militar no Distrito Federal (Foto: Divulgação)

O 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF) tem uma sala de Estado-Maior individual e exclusiva. A cela onde Jair Bolsonaro (PL) ficará detido tem 54 metros quadrados (m²), e mais 10 m² de área externa. O local tem quarto com banheiro privativo, água, ar-condicionado, frigobar e televisão, além de oferecer banho de sol diário e exclusivo.

O local tem, ainda, um médico da Polícia Federal de plantão 24 horas por dia. Também existe autorização para realização de fisioterapia, e visitas reservadas sem a presença dos demais presos.

No batalhão pode ser feita a realização de exames médicos particulares, como ultrassonografia. Há serviço de urgência (autorização para imediato transporte e internação, sem necessidade de autorização judicial).

Plano golpista

O STF condenou Bolsonaro a 27 anos de prisão na investigação sobre a trama golpista. Ao todo, os ministros do Supremo anunciaram 29 condenações no inquérito.

Bolsonaro foi acusado de cinco crimes - golpe de Estado, organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio tombado, e dano qualificado pela violência e grave ameaça.

batalhao-pm-df-bolsonaro19º Batalhão da Polícia Militar no Distrito Federal. Foto: Divulgação
celas-pm-df-bolsonaro19º Batalhão da Polícia Militar no Distrito Federal. Foto: Divulgação
pm-df-cela19º Batalhão da PM-DF. Foto: Divulgação
Fonte: Brasil 247

CPMI do INSS: Correia apresenta requerimento para convocar Silas Malafaia

O deputado afirmou que também pediu acareação do pastor com a senadora Damares Alves, para esclarecer contradições e responsabilidades

     Rogério Correia e Silas Malafaia (Foto: Kayo Magalhaes/Câmara I Joédson Alves/Agência Brasil)

Presidente da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, Rogério Correia (PT-MG) afirmou nesta quinta-feira (15) pela rede social X que apresentou um requerimento para convocar o pastor-empresário Silas Malafaia para depor na CPMI do INSS, após o religioso demonstrar indignação com declarações feitas pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), pois a integrante da comissão afirmou que existe uma relação entre igrejas e as fraudes em benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). O líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo exigiu nesta quarta (14) que a parlamentar comprove as denúncias.

“E solicitei, de forma complementar, acareação com a senadora Damares, para esclarecer contradições e responsabilidades. A CPMI do INSS não pode recuar. Fraudes contra aposentados exigem investigação séria, sem blindagens políticas ou religiosas”, escreveu o parlamentar.

Em entrevista ao SBT News, a senadora afirmou que há resistência interna com o objetivo de aprofundar investigações envolvendo lideranças religiosas. "Nós estamos identificando igrejas no esquema de fraude com aposentados. Há pastores que pedem para não investigar, não decepcionar os fiéis. (...) E quando se fala de um grande pastor, vem a comunidade: 'não falem, não digam, não investiguem, porque os fiéis vão ficar muito tristes'", afirmou.

CPMI

A CPMI tem senadores (16 titulares e 16 suplentes) e deputados federais (16 titulares e 16 suplentes). A comissão investiga os descontos indevidos em benefícios do INSS praticados por associações de representação de aposentados, a partir de 2019, conforme investigação da Polícia Federal. A fraude pode ter chegado a R$ 6,4 bilhões ao longo de seis anos, informou a corporação.

 

 

Fonte: Brasil 247 

Empresário recupera florestas no Paraná após plantar 400 mil árvores

Projeto ambiental transformou propriedade nos Campos Gerais e criou legado de preservação aliado ao turismo sustentável

       Mudas de árvore (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Aos 75 anos, o empresário Izidro Constantino Guedes construiu uma trajetória marcada pela relação profunda com a natureza. Ao longo de mais de três décadas, ele dedicou boa parte da vida ao reflorestamento de uma extensa área rural pertencente à família, localizada entre os municípios de Castro e Tibagi, nos Campos Gerais do Paraná. O esforço resultou no plantio estimado de cerca de 400 mil árvores, contribuindo diretamente para a recuperação de ecossistemas nativos e para a preservação de espécies ameaçadas, informa o G1.

A prática resultou na transformação ambiental de uma propriedade de aproximadamente 2,42 milhões de metros quadrados, situada na região do Cânion Guartelá, considerado o maior cânion do Brasil e um dos maiores do mundo. A área, equivalente a quase 340 campos de futebol, hoje abriga extensos trechos de mata fechada e preservada, além de uma pousada administrada pelo filho e pela neta de Izidro.

Segundo Alexandre Guedes, filho do empresário, cerca de 70 alqueires da propriedade — o equivalente a 1,7 milhão de metros quadrados — são cobertos por floresta densa. Nesse espaço, estão mais de 100 mil araucárias, espécie ameaçada de extinção, além de milhares de árvores nativas como a imbuia. A presença de árvores frutíferas também favorece a atração de animais e o fortalecimento da fauna e da flora locais.

A dedicação ao reflorestamento foi, segundo a família, um trabalho quase solitário, movido por paixão e convicção pessoal. Alexandre resume o espírito do pai ao falar sobre a motivação que guiou o projeto ao longo dos anos. “Ele sempre gostou de árvores. É do espírito dele plantar árvores. Ele gosta de dar mudas, tem o prazer de reflorestar o mundo. Herdamos dele a vontade de ‘manter a natureza em dia’. [...] Quando se descobre um lugar como este aqui, se vê que a riqueza é diferente do que se imagina. A riqueza não está no dinheiro, não está no ouro... a riqueza está aqui, na natureza”, afirmou.

Além de recuperar as próprias terras, Izidro decidiu ampliar o impacto ambiental da iniciativa e criou o projeto “Planeta Verde”, voltado à distribuição gratuita de mudas para a comunidade. Em uma das ações, mais de quatro mil mudas de espécies frutíferas e árvores nativas foram doadas em um único dia, mobilizando moradores da região que formaram filas para participar da iniciativa.

No início dos anos 2000, o empresário ganhou visibilidade ao participar do então programa Globo Comunidade, da RPC, afiliada da TV Globo no Paraná. Na ocasião, ele já defendia a necessidade de ampliar as ações práticas em defesa do meio ambiente. “Eu acho que eu só fiz um pouco, tem que fazer mais. [...] O legado que eu quero deixar para os meus descendentes é um planeta mais sadio – não só na conversa, mas na ação”, disse na época.

Hoje, enfrentando problemas de saúde que o impedem de caminhar pelas florestas que ajudou a plantar, Izidro vê o legado ambiental ser continuado pelas novas gerações da família. A gestão da pousada instalada na propriedade busca conciliar turismo e conservação, incentivando visitantes a compreender a importância da preservação ambiental.

Barbara Guedes, neta do empresário, destaca a riqueza da biodiversidade local e o valor educativo da experiência. “A gente tem uma variedade de espécies de animais muito grande, e são espécies que você não vê em todos os lugares. Tem gralha azul, tem gralha-picaça, temos uma das maiores bacias de reprodução das arapongas... É muito interessante a gente poder observar esse desenvolvimento da natureza aqui. [...] Eu espero que muito mais gente possa aproveitar esse lugar da forma que a gente aproveita. Que ele possa ensinar muito para as próximas gerações sobre realmente respeitar a natureza”, ressaltou.

A história de Izidro Constantino Guedes se consolidou como exemplo de preservação ambiental construída ao longo do tempo, mostrando como ações individuais e persistentes podem transformar paisagens e deixar um patrimônio natural duradouro.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1