Influenciador de extrema direita defenderá nos EUA que o presidente Donald Trump substitua tarifa de 25% por sanções individuais a autoridades brasileiras
O influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo defenderá, em audiência pública nos Estados Unidos, que o governo do presidente Donald Trump abandone a proposta de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros e adote, em seu lugar, sanções direcionadas contra autoridades do Brasil, entre elas o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a Folha de São Paulo, Figueiredo apresentará esse posicionamento durante a audiência da investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), marcada para 6 de julho. No dia seguinte, está prevista a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato do partido à Presidência da República.
O governo brasileiro não fará pronunciamento na audiência. O Ministério das Relações Exteriores decidiu concentrar sua atuação nos canais diplomáticos entre Brasília e Washington.
A avaliação do Itamaraty é que a consulta pública promovida pelo USTR deve servir às manifestações de empresas, entidades privadas e demais interessados. Ainda assim, diplomatas da embaixada brasileira acompanharão as sessões.
◍ Defesa de sanções individuais
Em depoimento preparado para a audiência e obtido pela rfeportagem, Paulo Figueiredo sustenta que a sobretaxa proposta pelos Estados Unidos produziria efeitos opostos aos interesses considerados estratégicos pelo EUAs. Segundo o texto, a medida "puniria as vítimas", "recompensaria os autores" das condutas investigadas e contribuiria para aproximar ainda mais o Brasil da China.
O empresário defenderá a ampliação da aplicação da Lei Global Magnitsky — instrumento utilizado pelos Estados Unidos para impor sanções a indivíduos estrangeiros acusados de corrupção significativa ou violações de direitos humanos — além da adoção de restrições de visto previstas na legislação estadunidense. "A tarifa atinge o alvo errado", afirma o documento preparado para a audiência.
Segundo Figueiredo, as ordens de censura investigadas pelos Estados Unidos seriam atribuídas "a um ministro do Supremo Tribunal Federal e ao atual governo", enquanto uma tarifa afetaria exportadores brasileiros, importadores, consumidores estadunidenses e brasileiros que, segundo ele, foram prejudicados por decisões judiciais.
◍ Pedido inclui Alexandre de Moraes
A ampliação de sanções contra Alexandre de Moraes e a extensão dessas medidas a outros ministros do STF tornaram-se uma das principais bandeiras defendidas por Paulo Figueiredo e pelo ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro em Washington.
Ambos apresentaram esse pleito durante reuniões realizadas no período em que Flávio Bolsonaro esteve nos Estados Unidos e se encontrou com Donald Trump e integrantes da Casa Branca. Figueiredo afirma, entretanto, que essa iniciativa é conduzida exclusivamente por ele e por Eduardo Bolsonaro e não envolve diretamente o senador.
Outro argumento que será apresentado por Paulo Figueiredo é que uma eventual tarifa de 25% acabaria fortalecendo politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo o empresário, o governo brasileiro transformaria o conflito comercial em um discurso nacionalista durante a campanha eleitoral, convertendo o desgaste nas relações com Washington em ganhos políticos internos.
O anúncio da proposta de sobretaxa ocorreu cerca de uma semana após o encontro entre Flávio Bolsonaro e o presidente dos EUa, Donald Trump, realizado em junho. Desde então, aliados de Lula passaram a associar o senador à medida e sustentam que ele atua contra os interesses nacionais.
◍ Relação comercial com a China
No depoimento, Paulo Figueiredo também deverá argumentar que a sobretaxa seria incompatível com a estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos. Ele cita documentos da Casa Branca que classificam o Hemisfério Ocidental como prioridade estratégica e afirma que novas tarifas tenderiam a ampliar a dependência comercial brasileira em relação à China.
O relatório definitivo da investigação comercial estadunidense deverá ser publicado até 15 de julho. A decisão final sobre a eventual adoção das medidas caberá ao presidente Donald Trump.
Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo
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