Durante as buscas, voluntários localizaram novas peças de roupas infantis em uma área de matagal
As crianças, de 8, 6 e 4 anos, sumiram na tarde de domingo (4/1). Autoridades e moradores realizam buscas na região (Foto: Reprodução) As buscas pelos irmãos Ágata Isabelle e Allan Michael, desaparecidos em Bacabal, no interior do Maranhão, chegaram ao nono dia nesta segunda-feira (12) com reforço de efetivo, uso de tecnologia e mobilização intensa de voluntários. A operação envolve forças de segurança estaduais, Exército, prefeitura e moradores da região, em uma das maiores ações recentes de busca por crianças no estado. Em entrevista ao g1, o comandante-geral da Polícia Militar do Maranhão, coronel Wallace Amorim, afirmou que a corporação não medirá esforços para encontrar as crianças.
“Só vamos parar quando encontrarmos as duas crianças que estão faltando”, declarou. Segundo ele, policiais que estavam de férias, em folga ou em licença se apresentaram voluntariamente para ajudar nas buscas. “Militarismo não trabalha, somos vocacionados. Muitos policiais aqui estão de férias, licença prêmio, na sua folga, indo para ajudar. Assim como a sociedade local, que acompanha aqui dentro dos matos. A gente encontra muita gente a pé, a cavalo, de moto”, destacou o comandante da PM-MA.De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), a força-tarefa permanece totalmente mobilizada. Em nota enviada ao g1, o órgão informou que as buscas ocorrem em uma área de difícil acesso, marcada por mata densa, vegetação espinhosa, árvores de grande porte, regiões alagadas, além de diversos cursos d’água.
As bases de apoio estão montadas em dois pontos estratégicos: no povoado quilombola São Sebastião dos Pretos, onde as crianças moravam, e no povoado Santa Rosa, próximo à área de mata onde Anderson Kauã, primo dos desaparecidos, foi localizado. As duas localidades ficam a cerca de 20 quilômetros da sede de Bacabal. A prefeitura estruturou tendas, alimentação, água, ambulância e outros recursos para dar suporte às equipes e voluntários.
Paralelamente às buscas, a Polícia Civil segue investigando o caso. No domingo (11), quatro peritos do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA) chegaram a Bacabal para reforçar as apurações. A equipe multidisciplinar conta com psicólogo e assistente social, responsáveis por perícias psicológicas e sociais junto aos familiares.
O menino Anderson Kauã, de 8 anos, que também havia desaparecido e foi encontrado com vida, será ouvido pelo IPCA assim que houver autorização dos órgãos de proteção à criança e ao adolescente. O instituto atua na realização de perícias médico-legais, psicológicas e sociais para subsidiar investigações policiais e processos judiciais envolvendo crianças e adolescentes.
Durante as buscas, voluntários localizaram novas peças de roupas infantis em uma área de matagal no povoado São Sebastião dos Pretos. Segundo relatos, as roupas estavam próximas a uma grota, em meio ao mato alto, junto com uma xícara de porcelana. Todo o material foi recolhido e será analisado pela Polícia Civil.
Essa é a segunda vez que roupas infantis são encontradas na região. Na última quinta-feira (8), um calção e uma sandália foram localizados em outra área de mata e, após perícia, confirmados como pertencentes a Anderson Kauã. O menino havia desaparecido junto com os primos e foi encontrado por carroceiros.
As operações contam com forte apoio tecnológico. Duas aeronaves do Centro Tático Aéreo (CTA), drones com sensor térmico e cães farejadores do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar estão sendo utilizados, inclusive em ações noturnas. Os drones com câmera térmica permitem identificar variações de temperatura, auxiliando na detecção de possíveis sinais de vida mesmo no escuro.
“As equipes utilizam duas aeronaves da SSP para sobrevoo da área de mata, drones — inclusive com tecnologia termal para buscas noturnas —, cães farejadores do canil do Batalhão de Choque da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, além de outros recursos operacionais”, informou a SSP-MA.
Atualmente, mais de 600 pessoas participam diretamente das buscas, entre policiais civis, militares, bombeiros, integrantes da Força Estadual, equipes de inteligência, perícia oficial, Guarda Municipal, Defesa Civil, Exército Brasileiro e voluntários da comunidade local e de regiões vizinhas.
As atenções estão concentradas em uma área próxima a um lago de cerca de 800 metros, onde foram encontradas roupas de Anderson Kauã. O próprio relato do menino reforçou a hipótese de que os irmãos estejam na região. Segundo ele, o grupo passou por um lago e ele teria deixado os primos no local antes de sair em busca de ajuda.
De acordo com o tenente-coronel Marcos Bittencourt, o terreno apresenta riscos elevados, com poucas trilhas, vegetação variada, ausência de energia elétrica e até armadilhas instaladas por caçadores, o que aumenta o grau de dificuldade da operação.A comoção também mobilizou centenas de voluntários. Juscelino Morais, pedreiro, saiu de um povoado a 40 quilômetros da base de apoio para ajudar. “Nosso desejo é encontrar as crianças vivas. Viemos em mais de 50 pessoas e vamos ficar até a noite ajudando”, disse. Antônio Pereira Brito, encarregado de asfalto, também interrompeu a rotina de trabalho. “Quem tem filho se coloca no lugar. Viemos dar força para a comunidade”, afirmou. Já o pescador Pedro Ferreira reforçou a esperança coletiva: “A vontade é grande. Se Deus quiser, vamos encontrar”.
Moradores que conhecem a região orientam os grupos pelas trilhas e caminhos antigos. Alguns indicaram uma estrada desativada que pode dar acesso ao povoado São Sebastião dos Pretos. Além disso, pessoas com embarcações percorrem o rio Mearim, já que Anderson foi encontrado próximo às margens.
O empresário Ibrahim Rachid se juntou às buscas no rio. “A gente se sensibiliza com as crianças. Por isso vim dar reforço aqui nas margens, perto de onde Anderson foi encontrado”, relatou.
Apesar do cansaço e da angústia, a família mantém a esperança. Na noite de quinta-feira (9), o avô das crianças, Oswaldo, resumiu o sentimento que sustenta a mobilização. “É o que nos dá força para lutar. Mas é difícil, não sabemos onde procurar. A angústia só aumenta. Nunca pensei em passar por isso”, disse emocionado.
Fonte: Brasil 247