Reportagem aponta possível uso de dados de usuários do Wi-Fi Livre para campanhas de marketing
ONG da produtora de Dark Horse cedeu dados de usuários do Wi-Fi Livre de SP para disparos em massa (Foto: Brasil 247)
Uma reportagem publicada pelo Intercept Brasil nesta quarta-feira (3) revelou indícios de que dados pessoais coletados por meio do programa Wi-Fi Livre, da Prefeitura de São Paulo, teriam sido utilizados para campanhas de disparo em massa de mensagens. A prática estaria relacionada ao contrato de R$ 108 milhões firmado entre a administração municipal e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização responsável pela implantação e operação da rede pública de internet gratuita na capital paulista.
O ICB é presidido por Karina Ferreira da Gama, empresária do setor audiovisual e produtora executiva do filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro (PL). A ONG venceu a licitação para operar o programa em 2024, mesmo sem histórico de atuação no segmento de telecomunicações.
Documentos analisados pela reportagem apontam que, pouco depois da assinatura do contrato com a Prefeitura de São Paulo, o ICB contratou a empresa Talk Communications por aproximadamente R$ 2,7 milhões. O objetivo seria a realização de campanhas de marketing digital e envio de mensagens promocionais para divulgar o serviço de Wi-Fi público.
Embora o contrato não utilize expressamente o termo "disparos em massa", os documentos indicam a previsão de 12 campanhas, cada uma com cerca de 675 mil mensagens. O volume total poderia ultrapassar 8 milhões de envios, número próximo ao total da população da cidade.
