“Esse hospital inteligente é uma parceria Brasil-BRICS”, destacou Dilma Rousseff
Dilma Rousseff (Foto: Brasil 247) A presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff, afirmou nesta quarta-feira (7), em Brasília, que a criação da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do Sistema Único de Saúde (SUS) representa um marco histórico tanto para o Brasil quanto para o Banco dos BRICS. A declaração foi feita durante o evento oficial de anúncio da iniciativa, que prevê a incorporação intensiva de inteligência artificial, tecnologias digitais e medicina de alta precisão na rede pública de saúde.
No discurso, Dilma destacou que o projeto simboliza uma mudança profunda na atuação do banco multilateral em relação ao Brasil. Segundo ela, o país passou a ocupar um papel central na estratégia do NDB, tanto em volume de recursos quanto na relevância dos projetos financiados. As declarações foram feitas durante a cerimônia de lançamento da rede de hospitais inteligentes do SUS, realizada pelo governo federal.
“É uma grande honra participar dessa cerimônia. Ela marca um momento histórico para o banco e para o Brasil. O banco não tinha a prática de financiar projetos no Brasil. O Brasil não era o país que recebia o maior número de recursos”, afirmou Dilma Rousseff. A presidente do NDB ressaltou que, nos últimos três anos, houve um esforço deliberado para elevar a qualidade e o impacto dos projetos financiados no país. “Fizemos um grande esforço para mudar a qualidade dos projetos financiados no Brasil”, disse.
Dilma também enfatizou o alcance internacional da iniciativa, que, segundo ela, vai além do território brasileiro. “Acredito que vamos dar uma contribuição, não só para o Brasil, com esse projeto do hospital inteligente, mas para todos os países BRICS e da América Latina. E para todos os países do mundo que se interessarem por esse projeto”, declarou.
O financiamento anunciado para o projeto inclui um aporte de US$ 320 milhões, com prazo de pagamento de 30 anos, destinado à implantação do hospital inteligente que integra a rede. Dilma destacou ainda que o banco atuou para viabilizar recursos adicionais a fundo perdido, obtidos junto a instituições financeiras dos BRICS, com destaque para a cooperação com a China.
No discurso, a presidente do NDB ressaltou a importância estratégica da parceria internacional, especialmente com China e Índia. “Quero destacar que dois países são muito importantes para a estruturação desse projeto: China e Índia. Cada um pela sua capacitação e pela sua generosidade em compartilhar essas tecnologias conosco”, afirmou. Para Dilma, a experiência desses países na área da saúde foi decisiva para o desenho do modelo adotado. “São países que têm grandes experiências na área da saúde e, por isso, esse hospital inteligente é uma parceria Brasil-BRICS, Brasil-China-Índia, fundamentalmente”, acrescentou.
Ao contextualizar a iniciativa, Dilma Rousseff destacou que o projeto ultrapassa o investimento em infraestrutura hospitalar e se insere no papel estratégico do banco como agente de desenvolvimento. “Nosso banco é um banco multilateral, que tem por objetivo o desenvolvimento. Desenvolvimento hoje significa necessariamente acesso à tecnologia”, afirmou. Segundo ela, a proposta dialoga diretamente com as transformações tecnológicas globais, especialmente nas áreas de inteligência artificial, biotecnologia, saúde de precisão e digitalização.
“Como vamos participar dessa nova onda tecnológico-industrial que se caracteriza fundamentalmente pela inteligência artificial de um lado e pela saúde de outro?”, questionou Dilma, ao defender a integração entre inovação tecnológica e políticas públicas de saúde. “É combinar a vida e a inteligência, como as duas forças que mudarão a estrutura tecnológica do mundo”, disse.
A presidente do NDB também alertou para os riscos de o país ficar para trás na corrida tecnológica global e destacou a importância da cooperação internacional para reduzir essa distância. “Sem cooperação internacional é muito difícil fazer o que se chama de catch-up, de como você chega no mesmo momento dos países avançados”, afirmou. Segundo ela, o hospital inteligente cumpre justamente essa função estratégica de inserção do Brasil nas fronteiras mais avançadas da tecnologia em saúde.
A Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do SUS foi anunciada pelo governo federal com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff. A iniciativa prevê o uso de inteligência artificial desde a triagem de pacientes, com o objetivo de acelerar diagnósticos e tornar os atendimentos mais precisos. A expectativa do Ministério da Saúde é reduzir em até cinco vezes o tempo de espera em emergências, com base em protocolos digitais e monitoramento contínuo.
O projeto inclui ainda a ampliação da telemedicina, ambulâncias equipadas com tecnologia 5G para transmissão em tempo real de dados clínicos, cirurgias robóticas e sistemas de apoio à decisão médica capazes de prever o agravamento de quadros clínicos. A proposta também aposta em uma estrutura totalmente digital, integrando equipamentos, sistemas de informação e bancos de dados, além de promover a troca permanente de conhecimento entre especialistas de diferentes regiões do país.
Na primeira fase, a rede contará com 14 Unidades de Terapia Intensiva automatizadas e interligadas, distribuídas por 13 estados das cinco regiões do Brasil, com início de operação previsto ainda para este ano. O centro do projeto será o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI-Brasil), que será instalado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, com início das operações programado para 2027.
O ITMI-Brasil deverá atender cerca de 20 mil pacientes por ano e contará com 800 leitos, incluindo emergências, UTIs, enfermarias e 25 salas cirúrgicas. O financiamento do instituto envolve um aporte de R$ 1,7 bilhão aprovado pelo Novo Banco de Desenvolvimento, além de um investimento adicional de R$ 1,1 bilhão do governo federal para a modernização de hospitais do SUS, reforçando a cooperação internacional e a aposta do país em inovação tecnológica na saúde pública.
Fonte: Brasil 247