Deputado afirma que juros elevados travam economia e diz que política monetária precisa priorizar crescimento e emprego
Lindbergh Farias (Foto: Kayo Magalhães/Agência Câmara)
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de reduzir a taxa Selic em apenas 0,25 ponto percentual, para 15% ao ano, provocou reação imediata no meio político. Um dos críticos mais contundentes foi o deputado federal Lindbergh Farias, que classificou a medida como insuficiente diante do atual cenário econômico.
Em postagem no X, o parlamentar afirmou: "Frustrante a decisão do Copom de cortar apenas 0,25% na taxa Selic. O Brasil segue com a segunda maior taxa de juros reais do mundo, atrás apenas da Turquia. Sinceramente, parece que é uma conspiração contra o Brasil e o governo do presidente Lula. Nem países que estão em guerra têm juros reais tão altos."
A decisão do Copom ocorre em um contexto de elevada incerteza internacional, especialmente devido à guerra no Oriente Médio, que tem impactado os preços do petróleo e as cadeias globais de suprimento. Segundo análise publicada pelo Valor Econômico, o Banco Central optou por uma postura cautelosa, mantendo aberta a possibilidade de acelerar o ritmo de cortes na próxima reunião, prevista para o fim de abril, dependendo da evolução do cenário externo.
Apesar da sinalização de que pode haver uma redução mais intensa adiante, o deputado criticou o que considera influência do mercado financeiro sobre a decisão da autoridade monetária. "Com a justificativa de incertezas da guerra no Oriente Médio, o mercado já estava precificando essa queda menor, tentando influenciar o resultado do Copom, o que acabou se transformando numa profecia autorrealizável apenas para seguirem lucrando muito com os juros exorbitantes."
O Banco Central, por sua vez, justificou a decisão com base na necessidade de manter a inflação sob controle, diante de um ambiente global mais adverso. O conflito no Oriente Médio elevou as projeções inflacionárias, especialmente para 2026, e aumentou o grau de incerteza, levando o comitê a adotar uma estratégia de redução gradual dos juros.
Lindbergh Farias contesta a avaliação e defende uma mudança mais rápida na condução da política de juros. "Não há nenhuma justificativa técnica para o Copom não ter uma política de redução mais acelerada da taxa básica de juros. Não temos inflação de demanda, muito pelo contrário. A economia brasileira está desacelerando por conta desses juros excessivamente altos. Isso é muito grave!"
Dados recentes indicam que a atividade econômica já dá sinais de perda de fôlego. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 0,1% no último trimestre de 2025, reforçando a percepção de que o nível elevado da Selic começa a impactar o consumo e os investimentos. Esse cenário, inclusive, tem levado parte do mercado a apostar em um corte mais significativo na próxima reunião do Copom.
Para o deputado, no entanto, a condução atual da política monetária não apenas desacelera a economia, como também compromete objetivos sociais mais amplos. "A política monetária não pode continuar refém do mercado, ela precisa estar voltada para o bem-estar da população e pensar também no crescimento econômico e na geração de empregos."
Fonte: Brasil 247