sexta-feira, 26 de junho de 2026

Durigan rebate BC e diz que políticas do governo Lula não geram risco de inflação

Ministro da Fazenda atribui pressão inflacionária à guerra do Irã e ao encarecimento dos combustíveis

        Dario Durigan (Foto: Washington Costa/MF)

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta sexta-feira (26) que as medidas de estímulo adotadas pelo governo federal são limitadas e não representam risco relevante para a inflação no Brasil. Segundo ele, a principal pressão atual sobre os preços vem do impacto da guerra no Irã sobre os combustíveis, tema que tem provocado preocupação no mercado internacional de petróleo.

A declaração foi feita em Pequim, onde Durigan cumpre agenda oficial. Em conversa com jornalistas, o ministro reagiu a um relatório divulgado pelo Banco Central, que apontou a possibilidade de políticas de crédito e medidas fiscais estimularem o consumo e, consequentemente, pressionarem os preços.

Durigan contestou essa interpretação e afirmou que o documento do Banco Central faz “menções genéricas”, sem apontar diretamente quais ações do governo teriam potencial de provocar aumento da inflação. Para o ministro, programas como o Move Brasil não têm dimensão suficiente para alterar o quadro macroeconômico do país. “As medidas de estímulo são limitadas, elas não têm o condão de afetar a macroeconomia brasileira. O que afeta a inflação hoje é a guerra no Irã”, disse Durigan.

O ministro também destacou que, em sua avaliação, o próprio relatório do Banco Central reconhece os efeitos da política monetária sobre o ritmo da economia. Ao mencionar esse ponto, Durigan reforçou a visão de que há espaço para novos cortes na taxa básica de juros, em meio ao debate entre governo e autoridade monetária sobre a condução da política econômica.

Durigan afirmou que a inflação segue como prioridade para o governo e para o presidente Lula (PT). Ele defendeu que a atual gestão tem atuado para conter a alta de preços e citou como exemplo o bloqueio de R$ 23 bilhões no orçamento federal, medida apresentada pelo governo como sinal de compromisso fiscal.

“É claro que a inflação é uma preocupação minha, do presidente, do governo como um todo. Tanto que a gente tem a menor taxa de inflação para um mandato presidencial. E vamos fechar, mesmo com guerra, com a menor taxa de inflação [da história]”, declarou.

Entre as iniciativas questionadas, está o Move Brasil, programa federal que oferece crédito a taxistas e motoristas de aplicativo para a compra de carros novos, com juros abaixo dos praticados no mercado. Durigan rejeitou a ideia de que esse tipo de política tenha força para impulsionar a inflação de forma significativa.

O ministro comparou a atuação do governo com medidas adotadas em outros momentos e afirmou que o Executivo optou por controle fiscal, em vez de ampliar gastos por meio de instrumentos extraordinários. Segundo ele, o bloqueio orçamentário demonstra que a administração federal busca evitar desequilíbrios capazes de afetar os preços.

Durigan também concentrou sua análise sobre a inflação no comportamento dos combustíveis. Para ele, a alta da gasolina e do diesel após o início da guerra no Irã teve efeito direto sobre os preços no Brasil, mesmo sem reajuste correspondente por parte da Petrobras.

“A inflação no Brasil é transmitida em especial pelo aumento de preço de combustível. Se você pegar, quando a guerra eclode, em março deste ano, o preço do diesel e da gasolina subiu muito. Mesmo a Petrobras não tendo reajustado o preço da gasolina, o que não dá motivo para ter um reajuste das distribuidoras que recebem da Petrobras mais de 90% da produção de gasolina no país. Mesmo assim, você teve um aumento substancial de gasolina”, afirmou.

A fala de Durigan ocorre em um momento de atenção redobrada sobre a trajetória da inflação, a política de juros e os efeitos de choques externos sobre a economia brasileira. O governo tenta sustentar a narrativa de que suas medidas de crédito e estímulo têm alcance controlado, enquanto atribui parte relevante das pressões inflacionárias recentes ao cenário internacional e ao mercado de combustíveis.

Fonte: Brasil 247

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