A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, avalia que há “incoerência” nos vídeos de Michelle Bolsonaro e tem desestimulado, em conversas privadas, o engajamento da esquerda no assunto, segundo aliados.
O contato inicial de Janja com os vídeos da ex-primeira-dama ocorreu após uma fake news circular nas redes sociais. Publicações afirmavam que ela havia curtido ou apoiado o conteúdo divulgado por Michelle, o que aliados negam.
Janja não curtiu o material. Pessoas próximas dizem que ela passou a tratar o tema com preocupação porque considera que a esquerda precisa analisar o episódio com criticidade, sem transformar a crise em apoio automático à ex-primeira-dama.
Segundo uma auxiliar, Janja tem dito que Michelle reclama, nos vídeos, do comportamento de enteados que seriam misóginos, mas mantém apoio a pautas e candidaturas que, na avaliação da primeira-dama, restringem direitos políticos das mulheres.
Crítica de Janja mira cotas para candidaturas femininas
Entre os pontos citados por aliados está o apoio de Michelle a propostas contra a cota mínima de investimento partidário em candidaturas femininas. Para Janja, essa posição entra em choque com críticas públicas à misoginia no próprio campo político.
“É triste”, tem dito a primeira-dama, “que Michelle tenha descoberto a lesividade do sistema ao qual ela própria dá sustentação há anos”. A frase circulou entre auxiliares como síntese da avaliação de Janja sobre o episódio.
Uma auxiliar relatou ainda outra fala atribuída à primeira-dama: “Me dói que ela tenha levado tanto tempo para perceber a misoginia entranhada no círculo que a cerca”. A mesma avaliação inclui a ideia de que a esquerda deve evitar tratar Michelle como aliada circunstancial.
“Ao mesmo tempo, há muita incoerência, e a esquerda precisa enxergar isso com criticidade”, afirmou Janja, segundo essa auxiliar. Ativa nas redes sociais, a primeira-dama tem buscado levar sua análise ao público em tom de alerta, na linha do ditado: “Cria corvos e eles lhe arrancarão os olhos”.
Fonte: DCM
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