quinta-feira, 16 de julho de 2026

EUA negam plano de acabar com o Pix após tarifaço ao Brasil


EUA negam plano de acabar com o Pix após tarifaço de 25%, mas cobram igualdade de condições para empresas norte-americanas no mercado brasileiro

Pix e a disputa Brasil-EUA
Crédito: Brasil 247 / Dall-E

Os Estados Unidos negaram que pretendam acabar com o Pix após anunciarem uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O governo do presidente Donald Trump, no entanto, sustenta que empresas norte-americanas devem disputar o mercado brasileiro em condições consideradas equivalentes às oferecidas ao sistema de pagamentos operado pelo Banco Central. A posição foi apresentada por um alto funcionário da administração Trump, ouvido pela Folha de São Paulo, depois de o Pix aparecer entre os temas analisados pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, no âmbito de uma investigação aberta com base na Seção 301 da legislação comercial americana.

De acordo com o representante, Washington reconhece a importância do Pix para a população brasileira e não busca impedir seu funcionamento. A preocupação dos Estados Unidos estaria relacionada a um possível tratamento diferenciado concedido ao sistema público diante de serviços oferecidos por empresas privadas americanas.

Aliado da extrema-direita global, Marco Rubio culpa Lula por tarifaço e amplia ofensiva dos EUA contra o Brasil

Secretário de Estado de Donald Trump atribui sanções comerciais ao presidente brasileiro, enquanto governo dos EUA intensifica pressão sobre o Pix, a política industrial e a soberania econômica do Brasil

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio – 12/11/2025
Crédito: Mandel Ngan/Pool via REUTERS

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, voltou a atacar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao responsabilizar diretamente o chefe de Estado brasileiro pela imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre a maior parte das exportações nacionais para o mercado norte-americano. A declaração foi feita na rede social X poucas horas após a oficialização do chamado tarifaço anunciado pelo governo do presidente Donald Trump.

Rubio, um dos principais representantes da ala mais conservadora da política externa norte-americana e aliado de movimentos da extrema-direita internacional, afirmou que as sanções comerciais decorrem da postura do governo brasileiro durante as negociações entre Brasília e Washington. Para o chefe da diplomacia dos EUA, “Lula colocou seu próprio ego à frente de um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”.

Os produtos brasileiros que escaparam da tarifa de 25% de Trump


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Jim Watson/AFP/Getty Images

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros terá 864 exceções, incluindo alguns dos principais itens vendidos pelo Brasil ao mercado estadunidense. Café, carne bovina, suco de laranja, componentes de aeronaves, petróleo, ferro-gusa e minerais estratégicos ficarão fora da nova cobrança.

A medida entrará em vigor em 22 de julho e alcançará a maior parte das mercadorias brasileiras que não aparecem na lista de isenções. Mais de 4 mil categorias de produtos poderão ser atingidas, entre elas açúcar, roupas, máquinas, papel, produtos químicos e determinados itens de aço.

As exceções incluem ainda laranjas, açaí, água de coco, medicamentos, insumos farmacêuticos e produtos ligados ao setor de energia. Terras raras e outros minerais considerados essenciais para cadeias industriais e tecnológicas dos Estados Unidos também foram preservados.

Um representante do governo estadunidense afirmou que a isenção da carne bovina busca evitar problemas de abastecimento e novas pressões sobre os preços. O rebanho dos Estados Unidos está no menor nível em 75 anos, enquanto produtores locais tentam recuperar a oferta.

EUA citam Pix, desmatamento e decisões do STF como supostos motivos para tarifas

Em novo ataque à soberania nacional, governo norte-americano cita narrativas já desmentidas pelo Brasil

Pix e a disputa Brasil-EUA
Crédito: Brasil 247 / Dall-E

A investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) detalha os argumentos utilizados pelo governo de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, para justificar a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O documento critica políticas brasileiras relacionadas ao Pix, ao combate ao desmatamento, às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre plataformas digitais e ao ambiente de combate à corrupção.

Em resposta, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a decisão norte-americana como um “marco lastimável” nas relações bilaterais, afirmou que recorrerá à Organização Mundial do Comércio (OMC) e à Lei da Reciprocidade e sustentou que as medidas adotadas por Washington têm forte componente político.

O governo brasileiro também rejeitou a investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, afirmando que ela não possui legitimidade no âmbito do sistema multilateral de comércio. Segundo a nota oficial, o Brasil participou de todas as etapas do diálogo com as autoridades norte-americanas e apresentou informações técnicas para contestar as acusações relacionadas ao Pix, à regulação das plataformas digitais, ao meio ambiente e a outros temas abordados pelo USTR.

Governo Trump confirma tarifaço de 25% contra o Brasil


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Molly Riley/Casa Branca

O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A cobrança entrará em vigor em 22 de julho, mas terá uma extensa lista de exceções que inclui petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose. Com informações do g1.

A medida foi anunciada após o encerramento de uma investigação comercial conduzida durante cerca de um ano pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, com base na Seção 301 da Lei de Comércio estadunidense.

O governo Donald Trump acusa o Brasil de manter práticas que restringem ou oneram empresas dos Estados Unidos. Entre os pontos citados estão o funcionamento do Pix, a regulação das plataformas digitais, o mercado de etanol, a proteção de patentes, o combate à pirataria e a fiscalização do desmatamento ilegal.

Apesar da sobretaxa, parte relevante dos principais produtos exportados pelo Brasil ficará fora da cobrança. As exceções abrangem mercadorias consideradas importantes para a economia estadunidense, seja pela falta de produção interna suficiente, seja pelo risco de elevação dos preços para consumidores e empresas.

Moraes assume presidência do STF e desespera bolsonaristas


Alexandre de Moraes, ministro do STF. Foto: Gustavo Moreno/STF

O ministro Alexandre de Moraes assume interinamente nesta quinta-feira (16) a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) durante o recesso do Judiciário, em um período de tensão com o bolsonarismo e de investigações que atingem aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no Rio de Janeiro.

Moraes ocupa temporariamente o posto por ser vice do presidente da Corte, Edson Fachin, que retoma o comando no início de agosto, com a volta dos trabalhos do Tribunal. A interinidade ocorre quatro anos depois de o ministro presidir o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na corrida presidencial de 2022.

O novo capítulo da crise envolve a decisão que impede Flávio de visitar Jair Bolsonaro na prisão domiciliar até o intervalo entre o primeiro e o segundo turno. A restrição afeta articulações eleitorais do senador, incluindo alianças regionais do PL e a definição de sua companheira de chapa.

A medida respondeu à divulgação, por Flávio, de uma carta manuscrita de Jair Bolsonaro, que cumpre medidas cautelares na prisão domiciliar humanitária. No texto, o ex-presidente define o filho como seu único “porta-voz” na disputa interna com Michelle Bolsonaro.