Sigla se une ao Grupo Prerrogativas para oferecer apoio legal e combater casos de violência e boicote econômico no estado
Lula e Edinho Silva: divergências sobre a condução da campanha eleitoral ampliam debate sobre renovação e sucessão no PT - Crédito: Ricardo Stuckert
O diretório do PT no estado de São Paulo articulou uma força-tarefa jurídica para combater a escalada de violência, intimidação, assédio no ambiente de trabalho e retaliações financeiras direcionadas a apoiadores do presidente Lula (PT), informa o Metrópoles
A iniciativa mobiliza o setor jurídico da legenda, advogados parceiros e o coletivo Grupo Prerrogativas. Por meio de mobilização nas redes digitais, o grupo passou a centralizar os relatos de arbitrariedades para encaminhar o acolhimento legal gratuito a cada um dos afetados.
Em um intervalo de menos de 48 horas após o lançamento da ação, a representação estadual contabilizou 42 registros formais. O quadro detalha um cenário preocupante: 19 notificações de retaliação motivada por divergência partidária, 17 ocorrências de represália financeira, 15 casos envolvendo intimidações e violência verbal, 14 demissões com viés político e cinco episódios de agressões físicas ou prejuízos patrimoniais, havendo relatórios com mais de uma infração associada. O balanço não contabiliza os dados colhidos durante o fim de semana.
“A história já nos mostrou aonde podem levar a perseguição política, a intolerância e os boicotes motivados por preconceito ou divergências ideológicas. Não podemos naturalizar comportamentos que remetem a períodos sombrios da humanidade. Defender quem sofre perseguição é também defender a democracia”, diz Kiko Celeguim, deputado federal reeleito e presidente do PT de São Paulo.
Fatos graves ilustram o alcance dos ataques no interior paulista. Em uma das ocorrências, o proprietário de um comércio teve o espaço invadido por um indivíduo que arremessou blocos de alvenaria colhidos em uma construção vizinha contra a estrutura do local, além de proferir ameaças de morte contra os eleitores do presidente Lula. Em outra localidade, estabelecimentos voltados ao ensino de dança infantil que figuravam em listas de boicote precisaram acionar esquemas de segurança privada para assegurar a integridade de apresentações com crianças diante da ameaça de atos radicais.
A conduta de agentes públicos também está no radar das medidas judiciais que serão tomadas para reparar as violações coletivas e individuais.
“Tem situações que vai ser necessário entrar com ação judicial por danos morais, até para dano moral coletivo. Um vice-prefeito do interior promovendo um boicote, por exemplo. Temos várias providências jurídicas para serem tomadas nos próximos dias”, diz o advogado Michel Bertoni Soares, que atende o PT-SP.
O cenário em São Paulo reflete uma crise de âmbito nacional. Até a manhã de quinta-feira (29), o Ministério Público do Trabalho computava 3.465 representações relativas a assédio eleitoral em todo o território brasileiro, sendo 297 delações originadas no interior paulista. Na esfera judicial, o MPT obteve liminar para obrigatoriedade de remoção pela Meta de 15 publicações que promoviam a demissão de trabalhadores por razões ideológicas. Entre os canais responsabilizados está o de um parlamentar estadual recém-eleito pelo PP, que divulgou conteúdo em tom de deboche em resposta ao relato de uma mulher que chorava pela demissão do marido.
Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles
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