Pesquisa Times/Siena mostra oposição à frente no Texas, Kansas, Maine, Ohio e Michigan a poucos dias das midterms
Uma reviravolta no cenário eleitoral das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos coloca os democratas na liderança em quase a totalidade dos sete estados-chave que vão definir o controle do Senado. O avanço surpreendente da oposição atinge inclusive redutos históricos do Partido Republicano, impulsionado pela impopularidade de Donald Trump e pela frustração popular com a gestão econômica da Casa Branca, informa o The New York Times.
Para tomar a maioria parlamentar, o Partido Democrata precisa preservar suas vagas e tomar ao menos quatro cadeiras que atualmente pertencem aos republicanos. A tarefa, vista inicialmente como altamente complexa por envolver territórios conservadores, ganhou contornos mais favoráveis na reta final do pleito, segundo o último levantamento realizado pelo jornal norte-americano em parceria com a Universidade Siena.
Os números revelam que os candidatos democratas lideram as disputas no Kansas, Maine, Ohio e Texas, mantêm margem vantajosa no Alasca e aparecem em empate técnico no estado de Iowa. Na Carolina do Norte, onde os republicanos reduziram investimentos publicitários, os levantamentos prévios já apontavam folga para a oposição.
A virada de chave no comportamento do eleitorado está diretamente conectada à perda de prestígio de Donald Trump e às preocupações com a inflação e o custo de vida. Nos sete estados analisados, a aprovação do presidente desabou para 38% entre os eleitores com maior propensão a votar. O resultado reflete uma erosão expressiva de apoio, considerando que o republicano havia triunfado por margens superiores a dez pontos percentuais em cinco desses estados há apenas dois anos.
Na avaliação do eleitorado, os democratas transmitem maior capacidade para conduzir os rumos da economia e combater a alta de preços. A vantagem da oposição no quesito custo de vida chega a nove pontos na média dos estados decisivos. O enfraquecimento republicano atinge diretamente a base trabalhadora branca sem diploma universitário: em 2024, Trump conquistou 74% desse segmento; atualmente, os candidatos do seu partido somam apenas 56% de preferência no grupo. Além disso, o apoio entre jovens e latinos desabou para cerca de 25%.
O descontentamento com os rumos econômicos explica cenários incomuns. No Kansas, estado que não elege um senador democrata desde 1932 e onde Trump obteve sua maior margem em 2024, o candidato democrata e pastor Adam Hamilton lidera com 49% das intenções de voto, contra 44% do atual senador republicano Roger Marshall. A alta no preço do combustível diesel — decorrente do conflito com o Irã — aliada à retirada de tarifas sobre a carne bovina importada gerou forte revolta na classe agrícola. Marshall também enfrenta forte desgaste após acusações publicadas pelo New York Times de processar pacientes por dívidas de saúde, levando alguns à prisão.
No Texas, onde a oposição não vence para o Senado desde 1988, o deputado estadual democrata James Talarico registra 50% das intenções de voto contra 43% de Ken Paxton, procurador-geral republicano do estado. Mesmo enfrentando uma ostensiva campanha de ataques financiada pelo bilionário Elon Musk, Talarico ostenta saldo positivo de popularidade (49% favoráveis contra 39% desfavoráveis), enquanto Paxton acumula 54% de rejeição.
No Maine, a senadora Susan Collins — última representante republicana no Senado pela região da Nova Inglaterra — aparece atrás com 45%, enquanto o desafiante democrata Troy Jackson soma 51%. Já em Ohio, em uma disputa que movimentou US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,7 bilhões), o democrata Sherrod Brown lidera com 49% contra 44% do republicano Jon Husted, mesmo com a campanha conservadora tendo desembolsado US$ 80 milhões (R$ 440 milhões) a mais em propaganda.
Em Michigan, único dos sete estados cuja vaga já pertence aos democratas, Abdul El-Sayed sustenta uma vantagem de 11 pontos sobre o republicano Mike Rogers. Contudo, o cenário local ganhou contornos de incerteza após a deputada federal Haley Stevens, derrotada por El-Sayed nas primárias democratas, declarar apoio ao candidato republicano no último domingo.
Apesar dos ventos favoráveis aos democratas, o levantamento faz ressalvas sobre os riscos da reta final: o eleitorado indeciso que definiu seu voto apenas no último mês inclina-se para os republicanos por uma margem de nove pontos.
Realizada por meio de ligações telefônicas entre 23 de outubro e 1º de novembro de 2026, a pesquisa consultou 610 eleitores no Alasca, 705 em Iowa, 714 no Maine, 717 em Ohio, 736 no Kansas, 1.011 em Michigan e 1.215 no Texas. A margem de erro varia entre 3,3 e 4,8 pontos percentuais para cada estado individualmente, fixando-se em 1,5 ponto percentual na análise consolidada dos sete territórios.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal The New York Times
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