quinta-feira, 22 de outubro de 2026

PT aciona Justiça Eleitoral após PM de SP ser acusada de vestir jovens com camisetas do partido em operação

 Partido denuncia possível armação para prejudicar a campanha de Lula às vésperas do segundo turno e pede investigação da Polícia Federal

PT aciona Justiça Eleitoral após PM de SP ser acusada de vestir jovens presos com camisetas do partido  - Crédito: Reprodução

O Partido dos Trabalhadores (PT) acionou a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para pedir uma investigação sobre suspeitas de uma operação policial forjada em Piracicaba, no interior de São Paulo, com o objetivo de prejudicar a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A denúncia envolve policiais militares e o senador eleito Guilherme Derrite (PP), que divulgou imagens de três jovens detidos por suspeita de tráfico de drogas usando camisetas de apoio ao petista.

Segundo reportagem do Metrópoles, publicada nesta quarta-feira (21), o partido aponta indícios de “manipulação política” e “abuso de autoridade” na atuação da Polícia Militar paulista. A suspeita ganhou força após a mãe de um adolescente apreendido afirmar que o filho não vestia uma camiseta de Lula quando foi abordado pelos agentes, levantando a possibilidade de que a peça tenha sido colocada posteriormente para a gravação de imagens divulgadas nas redes sociais.

A representação apresentada pelo PT pede a abertura de um inquérito pela Polícia Federal (PF) para investigar uma possível fraude eleitoral, incluindo a produção de notícias falsas destinadas a influenciar o segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25). A legenda também solicita a apuração de denúncias de violência policial contra o adolescente envolvido na ocorrência.


Para o partido, a eventual utilização de uma operação de combate ao tráfico para associar a imagem de Lula à criminalidade representaria uma tentativa de interferência política na disputa eleitoral. A acusação, no entanto, ainda depende de investigação e comprovação pelas autoridades competentes.

Em manifestação reproduzida pelo Metrópoles, o PT defendeu que os policiais envolvidos e Guilherme Derrite sejam ouvidos para esclarecer a origem das imagens divulgadas.

“Para esclarecer o escândalo, a denúncia exige que as autoridades ouçam a mãe das vítimas, os policiais militares que forjaram a gravação e o senador Guilherme Derrite, que terá que explicar de quem recebeu o material fraudulento e se tinha conhecimento da armação quando decidiu publicá-lo na internet”, afirmou a legenda.

Mãe de adolescente denuncia suposta montagem e violência policial

A principal contestação à versão apresentada pela Polícia Militar partiu de Edna Souza Barbosa, de 33 anos, mãe do adolescente de 17 anos apreendido durante a operação na comunidade Vitória Pantanal.

Em entrevista ao Metrópoles, ela afirmou que o filho utilizava uma regata azul no momento da abordagem e não tinha qualquer envolvimento com manifestações eleitorais.

“Meu filho estava com uma blusa azul regata, não estava com blusa de Lula. […] Tudo molecada, tudo desandado, na vida errada, então não estão nem aí pra eleição. Ele não estava com a blusa, ele estava com outra blusa, mas não com blusa de Lula. Não porque era do Lula, não, mas porque ele não liga pra essas coisas”, declarou.

A mulher também denunciou agressões contra o adolescente e sua outra filha, de 14 anos, que teria tentado se aproximar do irmão durante a abordagem.

Edna reconheceu que o filho estava envolvido em uma situação irregular, mas questionou a conduta dos policiais e a suposta utilização de camisetas políticas para produzir repercussão nas redes sociais.

“Não estou falando que o meu filho estava certo. Não, jamais. Ele estava errado. Usando droga, fazendo o que não era para ser feito. Porém, não precisava eles reagirem da forma que reagiram. […] E colocaram a camisa para ter ibope, para ter engajamento. Não sei qual foi a intenção deles”, afirmou.

Derrite divulgou imagens e defendeu redução da maioridade penal

O senador eleito Guilherme Derrite publicou em seu perfil no Instagram imagens da operação policial e utilizou o episódio para defender o endurecimento da legislação penal.

Na publicação, o parlamentar associou a ocorrência à defesa da redução da maioridade penal, uma das bandeiras de seu campo político.

“Crime não pode ser relativizado. Nós seguimos defendendo leis mais duras, punição de verdade e REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL JÁ!”, escreveu.

A participação de Derrite na divulgação das imagens é um dos pontos que o PT pretende esclarecer por meio da investigação. O partido quer saber como o senador eleito teve acesso ao material e se possuía conhecimento de alguma eventual manipulação antes de publicá-lo.

Até a publicação da reportagem original, a assessoria do parlamentar não havia respondido ao pedido de posicionamento encaminhado pelo Metrópoles.

Mulheres relatam intimidação e retirada forçada de camisetas de Lula

Além da denúncia envolvendo os três jovens, outras duas mulheres relataram episódios de intimidação policial na mesma comunidade, também na quarta-feira.

Segundo os depoimentos, ambas utilizavam camisetas de apoio a Lula produzidas pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) quando foram abordadas por policiais militares.

Uma delas, que preferiu não se identificar, afirmou que um agente questionou a roupa que vestia e fez comentários ofensivos sobre o partido.

“Aí ele falou: ‘Deixa eu ver essa blusa sua aí, que já me interessou, é partido vagabundo?’”, relatou.

A mulher também afirmou que o policial demonstrou interesse em obter outras peças semelhantes.

“Ele foi e perguntou: ‘Tem mais blusa dessa?’. Aí eu falei: ‘Só tem uma, por quê?’. ‘Nós vamos precisar de umas três’”, acrescentou.

As duas mulheres afirmam que foram obrigadas a retirar as camisetas. Os relatos ampliaram os questionamentos sobre a conduta dos agentes durante as abordagens realizadas na comunidade.

A presidente da Apeoesp, deputada estadual Professora Bebel (PT), anunciou que pretende encaminhar as denúncias à Ouvidoria da Polícia Militar e cobrar a responsabilização dos envolvidos, caso as irregularidades sejam comprovadas.

“Nós vamos investigar isso até o último momento. Barato não vai ficar, isso eu garanto. Então é algo que nós vamos acompanhar, nós vamos fazer perícia, nós vamos buscar todos os meios para que isso seja investigado”, declarou a parlamentar.

As camisetas utilizadas pelos jovens detidos também eram da Apeoesp. Na manhã do mesmo dia, o sindicato havia participado de uma manifestação de apoio à reeleição de Lula organizada pelo movimento estudantil da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba. O ato reuniu estudantes, professores, pesquisadores e funcionários da instituição.

Polícia Militar apresenta versão sobre a operação

De acordo com a versão oficial da Polícia Militar, a operação teve início após uma denúncia anônima de que três homens vestidos com camisetas brancas com referências a Lula estariam comercializando drogas em uma viela próxima a um bar na Rua Senador Saraiva.

A denúncia também indicava que um dos suspeitos estaria armado. Equipes do 10º Batalhão de Polícia Militar do Interior e do 10º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) participaram da ocorrência.

Durante a ação, dois homens, de 21 e 24 anos, foram presos em flagrante, enquanto o adolescente de 17 anos foi apreendido.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), foram encontradas 160 porções de cocaína, um revólver e R$ 340 em dinheiro.

A pasta detalhou que 23 porções da droga estavam com o adolescente, enquanto outras 137 porções e a arma de fogo foram localizadas com os adultos.

O caso foi registrado no 2º Distrito Policial de Piracicaba como tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e ato infracional. Os dois adultos permaneceram à disposição da Justiça, e o adolescente continuou apreendido.

Secretaria de Segurança não responde sobre suspeita de armação

Procurada pelo Metrópoles, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que não tolera irregularidades cometidas por seus agentes e que eventuais desvios comprovados são punidos.

Sobre as denúncias das duas mulheres que afirmaram ter sido intimidadas por utilizarem camisetas de Lula, a pasta informou que não havia registros formais das ocorrências.

“Até o momento, não houve registros dos fatos relatados na Comunidade Vitória Pantanal nesta quarta (21). Vítimas podem formalizar em qualquer delegacia ou pela Delegacia Digital, além da Corregedoria da Polícia Militar, para que os fatos sejam devidamente apurados”, informou a secretaria.

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles por meio de reportagem

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