A resistência da construção voltou a chamar a atenção após a vazão das Cataratas atingir 15,8 milhões de litros por segundo na quarta-feira (14)
A passarela das Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, foi projetada para resistir à força de grandes enchentes por meio de fundações fixadas diretamente na rocha do leito do Rio Iguaçu. A técnica permite que a estrutura suporte a pressão de milhões de litros de água por segundo, mesmo quando a correnteza ultrapassa a altura do passeio utilizado pelos turistas. As informações são do g1.
A resistência da construção voltou a chamar a atenção após a vazão das Cataratas atingir 15,8 milhões de litros por segundo na quarta-feira (14), volume mais de dez vezes superior à média histórica de 1,5 milhão de litros por segundo. Apesar da intensidade da cheia, a passarela foi construída para enfrentar situações ainda mais extremas e já suportou vazões de até 46 milhões de litros por segundo sem que seus pilares e vigas de concreto fossem arrastados.
Fundações ancoradas na rocha garantem resistência
O principal recurso utilizado na construção é um sistema de fundações conhecido como estacas-raiz. Diferentemente das estruturas apoiadas superficialmente no terreno, essas estacas são instaladas em perfurações profundas, que alcançam o interior da rocha.
O processo envolve a colocação de armaduras de aço e a injeção de uma mistura de cimento sob pressão. A técnica cria uma ligação resistente entre a fundação e o maciço rochoso, permitindo que os pilares suportem tanto o peso da estrutura e dos visitantes quanto a força horizontal exercida pela correnteza.
Diretor de engenharia da Fungeo, empresa responsável pela execução das fundações, Vinicius Lorenzi explicou que a fixação na rocha é fundamental para a estabilidade da passarela.
“A estaca-raiz é uma estaca que faz embutimento na rocha e isso faz com que ela absorva grandes esforços. É um tipo de fundação que nós utilizamos em várias outras obras em Foz do Iguaçu”, explicou Lorenzi.
Segundo o engenheiro, a pressão da água representa um dos principais esforços considerados no dimensionamento da construção. Embora troncos, galhos e outros materiais transportados pelo rio também possam atingir os pilares, a força produzida pelo próprio fluxo da água é mais relevante para a resistência da estrutura.
Construção exigiu desvio do Rio Iguaçu e enfrentou enchentes
A passarela atual começou a ser construída em 1992, após a estrutura anterior, inaugurada em 1970, ter sido destruída por uma cheia na década de 1980. A nova instalação foi montada em 1993, com um projeto que buscava evitar os problemas enfrentados pela construção original.
Para instalar as fundações, os engenheiros precisaram interromper temporariamente a passagem da água pelo trecho destinado à obra. A primeira tentativa consistiu em desviar o curso do Rio Iguaçu nas proximidades das quedas, mas uma enchente destruiu parte do sistema de contenção e arrastou equipamentos utilizados pelos trabalhadores.
O engenheiro Márcio Marcon, que participou da execução do projeto, relatou as dificuldades enfrentadas pelas equipes durante aquele período.
“Durante a execução da obra, foram pelo menos duas enchentes similares a essa. Em uma delas, a gente perdeu equipamentos, obviamente nunca mais encontramos. Mas a parte de concreto ficou absolutamente intacta”, afirmou.
Depois do incidente, os responsáveis pela construção modificaram a estratégia e realizaram um novo desvio do rio, desta vez a alguns quilômetros das Cataratas. A intervenção permitiu manter temporariamente seco o trecho da obra, possibilitando a perfuração da rocha e a instalação das fundações.
De acordo com Marcon, os trabalhos mobilizavam equipes de aproximadamente 20 a 30 profissionais, conforme a etapa da construção.
Monitoramento identifica deslocamentos de poucos milímetros
Além das características do projeto, a segurança da passarela depende de inspeções periódicas e de equipamentos capazes de identificar pequenas movimentações nos pilares.
A Urbia+Cataratas, concessionária responsável pela visitação turística do Parque Nacional do Iguaçu, utiliza prismas instalados em pontos estratégicos da estrutura. Esses dispositivos permitem realizar medições topográficas de alta precisão e comparar a posição dos pilares ao longo do tempo.
O gerente de sustentabilidade da concessionária, André Franzini, afirmou que os levantamentos realizados desde o início do acompanhamento não identificaram deslocamentos na construção.
“Desde que a gente assumiu, que a gente começou a fazer esse monitoramento, nunca teve nenhuma alteração, nem que seja milimetricamente”, afirmou Franzini.
As avaliações são realizadas anualmente, mas podem ser intensificadas após grandes enchentes ou caso os equipamentos identifiquem alguma mudança na estrutura.
Antes da retomada da visitação, um engenheiro estrutural também precisa vistoriar a passarela para verificar as condições dos pilares e de outros componentes. O profissional avalia possíveis danos, identifica riscos e emite um laudo técnico sobre a segurança do acesso.
Reabertura depende da redução da vazão e de vistoria técnica
Segundo a concessionária, a passarela somente pode ser reaberta aos turistas quando o volume de água cai para menos de 8 milhões de litros por segundo e uma avaliação técnica confirma que a circulação é segura.
Outro procedimento necessário é a reinstalação das grades metálicas de proteção, retiradas preventivamente durante os períodos de cheia. A operação ocorre de maneira gradual, com trabalhadores atuando em trechos restritos da estrutura.
As grades são removidas quando existe previsão de que a água alcance o passeio. Sem essas barreiras, a correnteza encontra menos resistência para atravessar o local, além de diminuir o risco de acúmulo de troncos e galhos transportados pelo rio.
Em outubro de 2026, as proteções voltaram a ser retiradas após três anos, em razão da elevação expressiva da vazão das Cataratas. A medida integra o protocolo de segurança e não significa, por si só, que a passarela tenha sofrido danos.
A concessionária também acompanha o comportamento da bacia do Rio Iguaçu e as condições dos reservatórios das usinas hidrelétricas antes de autorizar a retomada das visitas. O monitoramento busca identificar eventuais mudanças que possam provocar uma nova elevação do nível da água e comprometer a segurança dos turistas.
Fonte: Brasil 247 com informações do G1

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