A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (15) o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella, presidente estadual do União Brasil no Rio de Janeiro. Ele é alvo da oitava fase da Operação Unha e Carne, que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro por meio de postos de combustíveis na Região Metropolitana.
Canella obteve 197.178 votos na eleição para deputado estadual e teve a segunda maior votação do Rio de Janeiro. A PF também prendeu o ex-chefe da Polícia Civil fluminense Marcus Amin durante a operação.
Aliado político do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, Márcio Canella lançou-se ao Senado pelo RJ em 2026, tendo Rogéria Bolsonaro, mãe do senador, como sua primeira suplente.
Agentes cumprem seis mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.
A Corregedoria da Polícia Civil acompanha o cumprimento das ordens contra policiais civis investigados. Os alvos podem responder, conforme a participação individual, por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel.
Investigação aponta movimentação de R$ 7,6 bilhões
Um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), enviado à PF, aponta que o esquema sob investigação movimentou mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos. A apuração integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, criada pela Polícia Federal para combater grupos criminosos no estado. A corporação afirma que a iniciativa segue diretrizes definidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635.
Em setembro, o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro liberou a candidatura de Canella a deputado estadual, apesar de um pedido de impugnação da Procuradoria Regional Eleitoral. O órgão apontou suspeitas de ligação do ex-prefeito com milicianos que atuariam na Baixada Fluminense.
A Justiça Eleitoral também registrou que Canella foi preso em flagrante em julho, em uma fase anterior da Operação Unha e Carne, após a apreensão de uma arma de uso restrito. A direção-geral da PF discutiu as ações da Missão Redentor II com o ministro Alexandre de Moraes em reunião no STF em 6 de outubro.
Fonte: DCM

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