quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Juristas pedem suspeição de Nunes Marques no TSE após bloqueio do “Exército do Lula”

 Associação Brasileira de Juristas pela Democracia aponta indícios de parcialidade em decisões contra canal de apoio ao presidente e cobra tratamento igualitário

      Nunes Marques - Crédito: Luiz Roberto/TSE

A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) deve protocolar nesta quinta-feira (15) um pedido de suspeição por parcialidade contra o ministro Kássio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A iniciativa ocorre após uma sequência de decisões do magistrado que resultaram na suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, coordenado pelo deputado federal André Janones e utilizado por apoiadores da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As informações são do jornal O Globo.

A entidade questiona a legalidade das medidas adotadas por Nunes Marques e aponta indícios de tratamento desigual entre as campanhas presidenciais de Lula e Flávio Bolsonaro (PL). O canal de apoio ao petista voltou a funcionar na noite de quarta-feira (14), depois de permanecer bloqueado por determinação judicial.

O pedido será apresentado no âmbito de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que já tramita no TSE, instaurada a partir de uma iniciativa da campanha de Flávio Bolsonaro. A ABJD pretende ingressar no processo na condição de terceira interessada, argumentando que as decisões questionadas ultrapassam os interesses das candidaturas envolvidas e apresentam consequências para a coletividade.

Com aproximadamente dois mil integrantes, a associação sustenta que existe interesse público relevante capaz de justificar sua participação no processo. Conforme uma fonte da entidade ouvida pelo jornal, esse fundamento é necessário porque, em condições normais, a organização não teria legitimidade para atuar diretamente na ação eleitoral.


⦾ Decisões de Nunes Marques são questionadas

O principal argumento da ABJD envolve a sequência de determinações que levaram à interrupção das atividades do “Exército do Lula”. A entidade considera que o presidente do TSE adotou procedimentos incompatíveis com o trâmite regular do processo.

Inicialmente, Nunes Marques determinou a suspensão do canal por meio de uma petição administrativa, embora já existisse uma investigação judicial eleitoral relacionada ao caso. A medida acabou sendo revogada pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva.

Posteriormente, mesmo diante de um parecer da área técnica do TSE favorável ao funcionamento do canal, Nunes Marques reverteu a decisão de Cueva e voltou a determinar o bloqueio da ferramenta de comunicação por 48 horas, além de impor outras medidas.

Para a associação, a sucessão de decisões apresenta indícios de abuso e levanta dúvidas sobre a imparcialidade do magistrado na condução de questões relacionadas à disputa presidencial.

A ABJD avalia que as determinações podem ter produzido efeitos favoráveis a uma candidatura em prejuízo de outra, situação que, segundo a entidade, exige esclarecimentos por parte da Justiça Eleitoral.

⦾ Bloqueio coincidiu com discussão sobre o fim da escala 6×1

Outro ponto destacado pela associação é o momento em que ocorreu a suspensão do canal. A determinação de Nunes Marques impediu o funcionamento do “Exército do Lula” justamente durante o período de discussão, no Senado Federal, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.

A proposta, que trata da redução da jornada de trabalho e da ampliação dos períodos de descanso dos trabalhadores, tornou-se um dos temas centrais do debate político nacional.

Na avaliação da ABJD, a coincidência entre o bloqueio e a discussão da PEC reforça a necessidade de examinar os efeitos concretos das decisões judiciais sobre a comunicação política durante o processo eleitoral.

O canal coordenado por Janones integra a estratégia de mobilização digital de apoiadores de Lula, utilizando o WhatsApp para distribuir conteúdos e organizar a participação de seus integrantes nas discussões políticas.

A interrupção temporária de suas atividades, portanto, afetou uma ferramenta de comunicação vinculada à campanha petista em um momento de debate sobre uma pauta de grande repercussão nacional.

⦾ Associação cobra explicações sobre canal de Flávio Bolsonaro

Além de questionar as decisões relacionadas ao “Exército do Lula”, a ABJD pretende levantar a existência de um canal semelhante associado à campanha de Flávio Bolsonaro, denominado “Tropa do Flávio”.

A entidade aponta uma aparente diferença de tratamento entre os dois grupos e considera necessário esclarecer se os mesmos critérios de fiscalização foram aplicados às ferramentas de comunicação utilizadas pelas candidaturas.

Segundo a associação, a suposta ausência de medidas equivalentes contra o canal ligado ao senador deve ser examinada para verificar se houve tratamento desigual por parte da Justiça Eleitoral.

A comparação constitui um dos elementos utilizados pela ABJD para fundamentar suas suspeitas de parcialidade. A entidade entende que eventuais diferenças na atuação do tribunal precisam ser justificadas à luz das regras eleitorais.

A existência de decisões distintas, por si só, não comprova favorecimento político. O questionamento apresentado pelos juristas, porém, concentra-se na necessidade de verificar se houve fundamentos jurídicos consistentes para a adoção de medidas contra um canal e não contra o outro.

⦾ Pedido coloca atuação do presidente do TSE sob questionamento

A iniciativa da ABJD amplia a controvérsia em torno da atuação de Nunes Marques na condução de processos relacionados à disputa presidencial de 2026.

O pedido de suspeição pretende submeter à análise da Justiça Eleitoral a possibilidade de afastamento do magistrado da atuação no caso, com base nas alegações de parcialidade apresentadas pela entidade.

A medida não representa, por si só, o reconhecimento de irregularidades nas decisões do ministro. Caberá ao tribunal examinar a admissibilidade do pedido e os argumentos jurídicos utilizados pela associação.

A controvérsia também envolve a atuação das plataformas digitais durante o período eleitoral e os limites das intervenções judiciais sobre canais de comunicação política.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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