QG da campanha do candidato do PL traça metas defensivas e planeja provocações para tentar desestabilizar o presidente Lula
Lula e Flávio Bolsonaro - Crédito: Ricardo Stuckert I Divulgação
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) traçou três metas estratégicas, segundo Malu Gaspar, do jornal O Globo, para o primeiro confronto direto e ao vivo contra o presidente Lula (PT) neste segundo turno das eleições presidenciais, previsto para a noite do próximo domingo (18) no debate promovido pela TV Band.
O encontro marca o primeiro embate direto na televisão entre Lula e Flávio Bolsonaro nesta campanha eleitoral, em um momento em que os dois candidatos aparecem tecnicamente empatados na liderança das pesquisas de intenção de voto. De acordo com o mais recente levantamento da Quaest, o parlamentar do PL soma 46% da preferência do eleitorado, contra 44% do presidente.
A confirmação da participação de Flávio Bolsonaro no programa da Band ocorreu após um recuo do próprio senador, que decidiu aceitar o embate depois que Lula confirmou presença. A decisão de ir ao estúdio, porém, desperta profunda apreensão entre os aliados do filho de Jair Bolsonaro (PL). A avaliação interna do QG do PL é que Lula possui muito mais experiência, desenvoltura e preparo para enfrentar situações de debate ao vivo. Pesa contra o candidato do PL o histórico de sua participação em um debate anterior promovido pela mesma emissora, em 2016, quando ele disputava a prefeitura do Rio de Janeiro e precisou abandonar o programa no intervalo após sofrer um mal-estar — ocasião em que acabou derrotado na disputa municipal.
Diante do histórico negativo e do favoritismo do adversário no formato de debate, a primeira meta estabelecida pela equipe de Flávio é garantir pelo menos um resultado neutro, qualificado por integrantes de sua campanha como um “zero a zero”. A lógica do comando do PL é defensiva: como o senador ostenta uma ligeira margem numérica sobre Lula, empatar no desempenho da transmissão é suficiente para manter a liderança atual. “Se mantiver tudo do jeito que está, Flávio ainda assim sai na vantagem. Ele só precisa sair no zero a zero”, declarou um influente interlocutor do senador.
A segunda meta definida pela campanha é evitar a todo custo cair em qualquer tipo de provocação que venha a ser feita por Lula. O presidente aposta no debate na Band como uma alavanca fundamental para virar o jogo na reta final, impulsionado pela mobilização de milhares de apoiadores que foram às ruas no último fim de semana. Segundo os levantamentos de consumo interno da campanha do PT, a vantagem do candidato do PL em relação a Lula teria encurtado de três para apenas um ponto percentual no decorrer dos últimos dias. Os dados das pesquisas internas (“trackings”) do próprio PL também confirmaram que a distância de Flávio na liderança diminuiu, embora a medição bolsonarista mostre uma queda menor, na ordem de 0,7 ponto percentual.
A terceira e mais ambiciosa meta delineada pelo QG de Flávio Bolsonaro é conseguir tirar a calma do candidato à reeleição e provocá-lo a ponto de desequilibrá-lo diante das câmeras. Para atingir esse objetivo, os estrategistas do senador planejam introduzir no debate acusações sobre o esquema bilionário de desvios em aposentadorias do INSS, além de citar as investigações envolvendo o filho de Lula, Fábio Luís da Silva, o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro (conhecido como Marcola) e o ex-líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT).
Como tática complementar para irritar e criar desestabilização psicológica em Lula, aliados do senador articulam a utilização de um recurso cênico empregado por Jair Bolsonaro nos debates da eleição de 2022: escrever anotações manuais na própria mão, criando uma espécie de “cola” visível para as câmeras. O expediente serve para atiçar a curiosidade e o mistério do público telespectador e, ao mesmo tempo, provocar ansiedade e apreensão no adversário quanto ao teor da mensagem inscrita. Jair Bolsonaro fez uso dessa estratégia no debate transmitido pela TV Globo no pleito de 2022, e a repetição do gesto não está descartada pela equipe do candidato do PL.
Na reta final do segundo turno, a preparação de Flávio Bolsonaro para o confronto de domingo já está em andamento com dois focos prioritários de ataque e defesa, informa Bela Megale, do jornal O Globo. O primeiro foco estratégico da campanha do PL será buscar associar diretamente a figura de Lula às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), com direcionamento específico aos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino. A intenção da candidatura de direita é explorar o desgaste de imagem enfrentada pelo tribunal após a divulgação das mensagens do empresário Daniel Vorcaro.
No campo da defesa, prevendo a reação de Lula, o senador prepara contra-ataques para responder sobre os repasses e valores que pediu e recebeu de Vorcaro para o financiamento do filme Dark Horse, uma produção audiovisual sobre Jair Bolsonaro. Em resposta às acusações de favorecimento, Flávio insistirá no argumento de que a transação financeira para a obra cinematográfica não teria envolvido nenhum tipo de irregularidade.
Por fim, o candidato do PL pretende rebater as declarações de Lula que indicam que uma eventual vitória do bolsonarismo resultará no corte de benefícios sociais e na eliminação de direitos da população, além de abordar disputas em torno do tema de Nossa Senhora. O plano de Flávio Bolsonaro é classificar tais alertas como “notícias falsas” e imputar a autoria de desinformação diretamente ao presidente.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo
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