O candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT). Foto: Jean Carniel/Adriano Machado/Reuters
A recuperação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas eleitorais já provoca movimentos nos bastidores do Centrão. Embora seus principais líderes tenham declarado apoio a Flávio Bolsonaro (PL), o avanço do petista e a possibilidade de uma virada no segundo turno fazem o bloco político reconsiderar suas posições.
Segundo a jornalista Eliane Cantanhêde, em sua coluna no Estadão nesta quinta-feira (15), os dirigentes do Centrão identificam sinais de mudança no cenário eleitoral e temem ficar subordinados ao PL no Congresso Nacional caso Flávio vença a disputa.
O movimento envolve especialmente o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que se reuniu nesta quinta-feira com o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), um dos principais articuladores da campanha de Lula. De acordo com Cantanhêde, Kassab já demonstrava maior simpatia pelo presidente e agora avalia que o petista passou a ser favorito.
A mudança de percepção ocorre após a divulgação da nova pesquisa Datafolha, que aponta Flávio com 51% dos votos válidos e Lula com 49%. A diferença, que era de quatro pontos percentuais na semana passada, caiu para apenas dois, dentro da margem de erro do levantamento.

O resultado indica que a disputa permanece aberta a dez dias da eleição. Nos votos válidos, Flávio perdeu um ponto percentual e Lula ganhou um, reduzindo a distância entre os dois.
Um dos movimentos mais expressivos ocorreu entre os eleitores de 16 a 24 anos. Nos votos totais desse segmento, Lula passou de 43% para 50%, enquanto Flávio recuou de 50% para 43%. O presidente assumiu a dianteira numérica, mas os candidatos permanecem em empate técnico, considerando a margem específica de seis pontos percentuais.
A recuperação entre os jovens coincide com a intensificação das manifestações organizadas por estudantes em locais simbólicos, como a Avenida Paulista, em São Paulo, e a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Cantanhêde observa que Lula conseguiu reorganizar sua campanha depois do resultado do primeiro turno, mobilizando a militância e apostando em pautas de forte apelo popular, como o fim da escala de trabalho 6×1 e medidas favoráveis aos microempreendedores individuais (MEIs).
O presidente também mantém vantagens importantes no Nordeste, enquanto Flávio conserva força no Sul e no Sudeste. Temas como democracia, direitos sociais e igualdade, além dos desdobramentos do caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, também entram no cálculo político da disputa.
Para o Centrão, porém, o que pesa é a possibilidade concreta de Lula conquistar mais um mandato. O bloco, conhecido pelo pragmatismo e pela capacidade de se aproximar de governos de diferentes orientações, começa a avaliar os riscos de apostar todas as fichas numa candidatura que perdeu impulso.
A avaliação de Cantanhêde é que Flávio não conseguiu transformar a vitória no primeiro turno em uma vantagem decisiva. Lula, por sua vez, recuperou o ânimo da campanha e voltou a disputar a liderança.
Apesar da reação, o presidente ainda precisa ampliar sua votação para ultrapassar o adversário. Mas a redução da distância nas pesquisas já foi suficiente para produzir um efeito político relevante: o Centrão, que parecia acomodado ao lado de Flávio, agora considera seriamente a possibilidade de uma vitória de Lula.
Fonte; DCM

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