quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Quaest mostra que migração da 3ª via para Flávio Bolsonaro não é automática e aponta vantagem de Lula entre abstenções

 Migração da terceira via não é automática e aponta divisão do eleitorado, enquanto o presidente Lula lidera entre os que se abstiveram no primeiro turno

       Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro - Crédito: REUTERS/Adriano Machado

A primeira pesquisa Quaest para o segundo turno da corrida presidencial, divulgada na quarta-feira (14), indica um cenário de forte acirramento na disputa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT), mais de uma semana após a primeira volta do pleito. O levantamento, contratado por O Globo e TV Globo, mostra um cenário de empate técnico, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com o candidato do PL numericamente à frente, com 46% das intenções de voto, contra 44% do atual chefe do Executivo. Outros 9% afirmam que pretendem votar em branco, anular ou que não irão votar, enquanto 1% se declara indeciso.


A distância de dois pontos percentuais é praticamente a mesma observada na apuração do primeiro turno, em 4 de outubro, quando as urnas registraram 47% dos votos válidos para o senador fluminense e 45% para Lula. Os dados revelam, contudo, que a transferência dos votos direcionados aos candidatos da chamada terceira via para Flávio Bolsonaro não acontece de forma automática, embora o parlamentar mantenha vantagem nesse segmento após obter a declaração de apoio de nomes como Augusto Cury (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD).

Entre os eleitores de Cury, terceiro colocado no primeiro turno, 34% afirmam que pretendem votar em Lula no segundo turno, enquanto 30% migram para Flávio. Outros 30% preferem o “não voto” (brancos, nulos ou abstenção) e 6% continuam indecisos. Já no eleitorado de Caiado, o senador atrai 42%, enquanto 23% indicam voto em Lula e 33% optam por anular, votar em branco ou não comparecer às urnas no próximo dia 25.

Entre os apoiadores de Renan Santos (Missão), que declarou neutralidade nesta etapa, 40% escolhem o candidato do PL e 14% apoiam Lula, ao passo que a maior parcela (43%) opta pelo voto branco, nulo ou pela abstenção.

O levantamento também aponta que Lula registra maior preferência do que Flávio entre os eleitores que se abstiveram ou votaram em branco e nulo no primeiro turno — grupo que equivale a pouco mais de 25% do eleitorado total. Nesse estrato, o presidente alcança 43% das intenções de voto, frente a 38% de Flávio. O segmento que não compareceu às urnas é considerado estratégico pela campanha do PT e se tornou alvo direto de propagandas e mobilizações de rua.

Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, a redução da abstenção é um fator indispensável para a candidatura petista. “Dos 7% de eleitores que acabaram votando em alternativas à polarização, a maior parte está optando por Flávio no segundo turno. A exceção é o eleitorado de Cury, que se divide. Mas o que está fazendo a diferença para essa disputa tão acirrada é o eleitor que disse que se absteve ou que votou branco/nulo no primeiro turno”, disse Nunes em entrevista à TV Globo.

Diante do resultado, a equipe de campanha de Lula avaliou que os debates transmitidos pela Band e pela TV Globo, marcados para o próximo domingo (18) e para o dia 23, respectivamente, desempenharão papel decisivo na definição do pleito. Do outro lado, a campanha de Flávio Bolsonaro entende que ainda há espaço para movimentação nesta reta final, apostando nos confrontos diretos na televisão e no reforço da articulação nas redes sociais.

A Quaest entrevistou 2.154 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-08729/2026.

Após a apuração do primeiro turno, a campanha de Lula promoveu uma reestruturação em sua estratégia de comunicação, incluindo a gravação de vídeos em formato pessoal para redes sociais e grandes atos públicos na Avenida Paulista, em São Paulo, e na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. No ato na capital paulista, realizado no domingo, Lula pediu aos apoiadores que trabalhem para convencer as pessoas que se abstiveram a ir às urnas.

Paralelamente, o presidente anunciou novas medidas de impacto econômico e social, como o perdão de débitos tributários para microempreendedores individuais (MEIs) e o pagamento de até R$ 5 mil via Pix para o setor em 2027. Nas redes sociais, prometeu ainda a criação de uma modalidade do programa Pé-de-Meia voltada para estudantes universitários, caso seja reeleito.

Por sua vez, Flávio Bolsonaro direcionou esforços para alianças partidárias. Ao longo dos últimos dias, obteve o apoio formal de partidos como Republicanos, Podemos, União Brasil, PP e Novo, além da adesão de 16 diretórios do MDB na última terça-feira — enquanto outros dez diretórios emedebistas formalizaram apoio a Lula.

No campo das propostas, o senador declarou em inserções na televisão que manterá programas sociais e sugeriu a criação do Ministério da Prosperidade, focado em qualificação profissional e empreendedorismo. Na terça-feira, alterou sua posição anterior e anunciou que votará a favor da proposta de emenda à Constituição que prevê o fim da jornada de trabalho na escala 6×1, pauta defendida por Lula e em tramitação no Senado.

A pesquisa confirma recortes demográficos e regionais consolidados. Lula lidera no Nordeste (61%), entre eleitores com renda de até dois salários mínimos (53%), beneficiários do Bolsa Família (60%), mulheres (49%) e católicos (49%). Flávio Bolsonaro apresenta maior desempenho na Região Sul (61%), entre evangélicos (60%), eleitores com renda superior a cinco salários mínimos (53%), homens (51%) e pessoas que se declaram brancas (51%).

Na modalidade espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, o percentual de indecisos é de 7%. A rejeição a ambos os postulantes permanece elevada: 54% dos eleitores afirmam que não votariam em Flávio de forma alguma, enquanto 53% dizem o mesmo sobre Lula.

A Quaest também consultou os entrevistados sobre qual cenário causa maior receio: a reeleição de Lula ou o retorno da família Bolsonaro ao poder. Os dois aspectos aparecem empatados numericamente, ambos com 43% das menções. O temor em relação à continuidade do governo petista mantém estabilidade desde 21 de setembro, ao passo que a preocupação com a volta de Bolsonaro subiu três pontos percentuais em relação à pesquisa de 3 de outubro.

O receio sobre o retorno da família Bolsonaro cresceu principalmente entre eleitores com renda familiar de dois a cinco salários mínimos, alcançando 42%, em situação de empate técnico com o medo da reeleição de Lula (44%). Entre os jovens, o quadro que antes apontava predomínio do medo do atual governo passou para um empate: 45% mencionam mais medo da volta dos Bolsonaro e 45% citam maior receio da permanência de Lula.

As razões apresentadas pelos entrevistados que temem a reeleição do atual presidente envolvem alegações sobre corrupção, custo de vida e receio de má gestão. Já os que apontam medo do retorno da família Bolsonaro justificam a posição com base na rejeição pessoal à família, preocupações com autoritarismo e tentativas de golpe, lembranças negativas da gestão anterior e receio do fim de programas sociais.

O levantamento testou ainda o nível de adesão popular a propostas em pauta na campanha. A proibição das casas de apostas virtuais (72%) e o fim da escala 6×1 (68%), pautas associadas ao campo petista, contam com aprovação majoritária. Já propostas defendidas pelo senador, como a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (63%) e a redução da maioridade penal para 16 anos — e para 14 anos em casos de estupro — (80%), também recebem aval da maioria dos entrevistados. Em contrapartida, a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro e aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro enfrenta maior rejeição (47%) do que aprovação (38%).

Por fim, a desaprovação ao governo Lula oscilou um ponto percentual para baixo, fixando-se em 48%, índice que permanece acima da taxa de aprovação da gestão, que variou um ponto para cima e atingiu 45%.

Fonte: Brasil 247

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