Ex-ministro e candidato ao governo de São Paulo critica a parcialidade e a falta de objetividade dos grandes veículos na cobertura política
O ex-ministro da Fazenda e candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, teceu duras críticas à atuação dos grandes meios de comunicação brasileiros em relação ao presidente Lula (PT) e aos setores progressistas. Em entrevista ao programa Nocaute, conduzido pelo jornalista e escritor Fernando Morais na TV 247, Haddad afirmou que o comportamento adotado pela imprensa tradicional em relação ao chefe do Executivo “beira à barbárie, evidenciando um viés ideológico extremamente conservador e resistente ao projeto social do governo.
A avaliação do candidato foi apresentada após uma análise sobre os dados mais recentes do Manchetômetro — projeto de pesquisa do Laboratório de Estudos do Tempo Presente (Letp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O levantamento apontou a completa ausência de avaliações ou notícias favoráveis ao presidente Lula nas capas, editoriais e colunas dos três maiores jornais impressos do país – Folha de São Paulo, O Globo e O Estado de São Paulo – ao longo de semanas consecutivas.
⦾ Diagnóstico da parcialidade midiática
Durante a conversa, Haddad expressou sua estupefação com a postura das elites e das empresas de comunicação, ressaltando a contradição entre o discurso esclarecido desses setores e a conduta sistematicamente oposta às lideranças de esquerda.
“Para mim é surpreendente que essas pessoas que se dizem ilustradas tenham um comportamento que beira à barbárie às vezes. A ponto de que, se o Lula for socialista, eles são social-democratas; se for social-democrata, eles são liberais; se for liberal, eles são fascistas. Mas eles nunca estão com o Lula e sempre pela direita, de uma forma mais conservadora”, declarou Haddad.
O ex-ministro pontuou que, ao longo de seus mandatos, o presidente Lula atuou com estrito respeito às instituições democráticas e à composição do Congresso Nacional, sem jamais colocar em risco valores fundamentais. No entanto, a grande imprensa recusa-se a reconhecer os avanços sociais do governo.
⦾ Ajuste fiscal e a reação das elites
Ao detalhar a relação entre a política econômica e a hostilidade dos veículos de comunicação, Haddad revelou os bastidores das escolhas feitas pela atual gestão federal. Segundo ele, as elites financeiras e seus porta-vozes na mídia esperavam que o governo realizasse um ajuste fiscal tradicional focado no corte de investimentos sociais, o que fragilizaria a base popular do presidente.
Contudo, a opção de Lula e da equipe econômica foi recompor o orçamento em áreas fundamentais como Saúde e Educação, isentar do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil e retomar a valorização do salário mínimo. Para equilibrar as contas, o governo optou por revisar e retirar incentivos e benefícios fiscais concedidos ao topo da pirâmide ao longo dos últimos anos.
“A revolta é essa. Eles não suportam o fato de o Lula ter recomposto os benefícios fiscais que foram tomados na base de ‘jabutis’. Eles queriam menos Estado e menos imposto para eles, e que o ajuste fosse feito em cima do lombo do trabalhador”, explicou.
⦾ Degradação do debate público e propostas para São Paulo
Haddad também refletiu sobre a ascensão da extrema-direita e o acirramento da intolerância política no Brasil nos últimos dez anos, fenômeno que associou a transformações econômicas globais e à perda de dinamismo do Ocidente em relação ao Oriente. Para o ex-ministro, a ascensão de figuras radicais reflete uma “extravagância política” diante de crises de competitividade internacional.
Tratando dos desafios para o estado de São Paulo, o candidato criticou a gestão do atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), citando a degradação das contas públicas, o recuo nos índices educacionais e a piora nos indicadores de segurança. Haddad garantiu que, se eleito, seus primeiros meses serão dedicados à renegociação de contratos governamentais para reabrir espaço orçamentário, ao investimento em inteligência e tecnologia na segurança pública e à integração de ações com as agências federais, como a Polícia Federal e a Receita Federal, no combate ao crime organizado.
Fonte: Brasil 247
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