Chefes regionais da corporação afirmam que investigações seguem critérios técnicos e rejeitam interferências políticas ou pessoais
André Mendonça - Crédito: Carlos Moura/STF
Os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal divulgaram uma nota conjunta em defesa da Direção-Geral da corporação, em meio ao aumento da tensão institucional com o gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela relatoria de inquéritos criminais que envolvem a atuação da PF.
No documento, divulgado nesta quinta-feira (6), os chefes regionais reafirmam o compromisso da instituição com a Constituição, a legalidade e o Estado Democrático de Direito, além de sustentar que a atividade investigativa da Polícia Federal deve ser guiada por provas e pelos mecanismos legais de controle.
“A credibilidade construída perante a sociedade brasileira decorre da atuação técnica e independente de seus servidores, orientada exclusivamente pelos fatos, pelas provas e pelos mecanismos de controle previstos no ordenamento jurídico. A atividade investigativa da Polícia Federal não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei”, diz a nota.
A manifestação ocorre após divergências entre a PF e o gabinete de André Mendonça sobre a condução de investigações. O ponto de maior atrito envolve um pedido da corporação para apurar Fábio Luiz Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por suspeitas de corrupção e tráfico de influência.
O gabinete de Mendonça tem cobrado esclarecimentos sobre a condução do caso e sobre uma suposta demora no cumprimento de diligências. A Polícia Federal nega irregularidades e afirma que seus procedimentos seguem parâmetros técnicos.
A corporação também contesta medidas do ministro que, na avaliação de integrantes da PF, podem representar interferência em suas atribuições. Entre elas estão restrições à comunicação de informações sobre a investigação entre delegados e seus superiores hierárquicos. Diante do impasse, a Polícia Federal acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para avaliar as decisões do ministro, sob o argumento de que tais limitações prejudicariam a gestão institucional.
Na nota, os superintendentes também trataram das críticas públicas à corporação. O texto reconhece que o “debate público e as críticas legítimas são próprios da democracia”, mas afirma que esse debate se torna prejudicial quando busca o “enfraquecimento da credibilidade e da confiança” depositadas pela sociedade nas instituições.
Fonte: Brasil 247
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