O candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL) em ato de campanha em Porto Alegre (RS). Foto: Divulgação/Charles Vieira
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, passou cerca de quatro horas sem registrar presença na sessão do Senado que discutiu o fim da escala 6×1 nesta quarta-feira (14). Enquanto os parlamentares debatiam a proposta, ele cumpria agenda de campanha em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Depois, participou remotamente e votou a favor nos dois turnos.
As discussões começaram por volta das 16h30, mas Flávio só registrou presença às 20h30. A sessão foi convocada em formato semipresencial, que permite aos senadores votar sem comparecer fisicamente ao Congresso.
O voto favorável veio após meses de resistência à redução da jornada. Em 6 de outubro, Flávio classificou como “oportunista” o debate sobre o fim da escala 6×1 e acusou o presidente Lula de explorar a pauta eleitoralmente. Na véspera da votação, mudou de posição e anunciou que apoiaria o texto por reconhecer a vontade da maioria dos trabalhadores.
Durante os compromissos na capital gaúcha, o candidato não mencionou a proposta em seus discursos. A campanha avaliou que rejeitar uma medida de amplo apoio popular poderia prejudicá-lo na disputa contra Lula, que incorporou o fim da escala 6×1 às suas principais bandeiras.

Apesar do apoio no plenário, integrantes da campanha de Flávio admitem discutir alterações nas regras caso ele vença a eleição. Aliados ouvidos pelo Metrópoles disseram que pretendem adaptar a mudança às propostas econômicas de um eventual governo do senador. O grupo mantém a defesa de maior liberdade de negociação entre empresas e empregados e manifesta preocupação com os custos para os empregadores.
A alternativa defendida pelo entorno de Flávio é uma proposta do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador de sua campanha e líder da oposição. O texto, também assinado pelo candidato, permite contratação com pagamento por hora e amplia a negociação individual sobre a jornada. Diferentemente da PEC aprovada, não reduz o limite de 44 horas semanais nem assegura dois dias de descanso.
Marinho não registrou voto em nenhum dos turnos desta quarta-feira, conforme os painéis nominais do Senado. Antes da votação, o coordenador da campanha de Flávio esteve à frente da articulação para adiar a conclusão da análise para depois da eleição presidencial.
O Senado aprovou a PEC por 75 votos favoráveis e um contrário em cada turno, com Hamilton Mourão (Republicanos-RS) como único opositor nas duas etapas. O texto reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial, e garante dois dias de repouso remunerado. Sem alterações em relação à versão aprovada pela Câmara, segue para promulgação pelo Congresso.
Fonte: DCM com informações do Metrópoles

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