Decisão da federação União Progressista se soma à de PP e Republicanos e dificulta alianças do PL
A decisão do União Brasil de permanecer neutro na disputa pela Presidência da República impôs um novo revés à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL). Oficializada nesta terça-feira (4), durante a convenção nacional da legenda, a medida amplia o isolamento político do senador, que buscava formar uma ampla aliança de centro para fortalecer sua campanha ao Palácio do Planalto.
A posição do União Brasil acompanha decisões semelhantes do PP e do Republicanos, partidos que estiveram ao lado de Jair Bolsonaro (PL) na eleição presidencial de 2022, mas que optaram por não apoiar nenhum candidato na disputa de 2026.
☉ União Brasil libera apoios estaduais
O anúncio foi feito pelo presidente nacional da legenda, Antonio Rueda, que participou da convenção de forma remota. Em nota, o dirigente afirmou que a decisão reflete a estratégia política da federação União Progressista.
“Tenho consciência do peso político que a Federação União Progressista tem nacionalmente e que temos nomes extremamente preparados para todos os cargos. A posição que estamos adotando reflete a nossa maturidade política”, afirmou.
Além da neutralidade na eleição presidencial, o partido autorizou seus filiados a apoiarem, em cada estado, o candidato à Presidência que melhor se encaixe nas articulações locais.
Como União Brasil e PP integram a mesma federação, ambas as legendas precisam adotar uma posição nacional unificada. O PP já havia oficializado sua neutralidade na sexta-feira (31).
☉ Tentativas de ampliar a chapa fracassam
A decisão também encerra as negociações para que integrantes da federação integrassem a chapa de Flávio Bolsonaro.
Antes do anúncio do PP, o senador havia convidado a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para disputar a Vice-Presidência. Segundo O Globo, ela chegou a aceitar a possibilidade, mas a direção partidária rejeitou a aliança.
Horas antes do anúncio do União Brasil, o Republicanos também confirmou neutralidade na disputa presidencial. Com isso, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, filiada à legenda e apontada como possível vice de Flávio, também deixou de ser uma alternativa.
O Podemos, outra legenda procurada pelo PL, também caminha para anunciar neutralidade, reduzindo ainda mais as possibilidades de composição para a chapa presidencial.
☉ Definição da vice fica para o prazo final
Durante entrevista ao site Antagonista, Flávio Bolsonaro afirmou que pretende utilizar todo o prazo previsto pela Justiça Eleitoral antes de anunciar quem será sua candidata ou seu candidato a vice.
“Eu tenho até o dia 15 dessa novela para poder escolher. Será junto com o registro da candidatura, que tem até o dia 15 de agosto para acontecer. Até lá também já estarei, com certeza, com a vice-presidência escolhida”, disse.
As convenções partidárias devem ser concluídas até quarta-feira (5), enquanto o prazo para registro das chapas termina em 15 de agosto.
☉ Alianças estaduais também sofrem mudanças
As dificuldades enfrentadas pelo PL também se refletem nas negociações estaduais.
No Rio de Janeiro, a federação União Progressista desistiu de apoiar Douglas Ruas (PL) ao governo estadual e decidiu permanecer neutra.
Por outro lado, em São Paulo e Minas Gerais, dirigentes da federação e do Republicanos mantêm negociações para oferecer palanque à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
☉ Caso Master aprofundou o distanciamento
O distanciamento entre Flávio Bolsonaro e dirigentes do União Brasil e do PP se intensificou após os desdobramentos das investigações relacionadas ao banco Master.
A reportagem lembra que o site The Intercept revelou, em maio, que Flávio Bolsonaro solicitou recursos ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do banco Master, para financiar um filme em homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além disso, integrantes das cúpulas partidárias relataram incômodo com a postura do senador após a operação da Polícia Federal que teve como alvo o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, no âmbito das investigações sobre o banco.
Ciro Nogueira nega irregularidades.
A reportagem também destaca que dirigentes da federação demonstram preocupação com eventuais desgastes provocados pelo caso Master. Antonio Rueda já prestou serviços advocatícios ao banco e foi citado em mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro. Já ACM Neto, vice-presidente do União Brasil, teve uma empresa de consultoria contratada pelo Master. Ambos negam irregularidades e não foram alvo das investigações.
Fonte: Brasil 247
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