Um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) identificou superfaturamento de R$ 1,3 milhão em um contrato do programa DNA do Brasil Talentos, iniciativa esportiva lançada no governo Jair Bolsonaro (PL) e ligada ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, então comandado por Damares Alves, hoje senadora pelo Republicanos.
O contrato analisado pelo Intercept envolveu o Instituto para o Desenvolvimento da Criança e do Adolescente pela Cultura, Esporte e Educação (Idecace), responsável por executar o projeto em 63 municípios do Tocantins. A parceria previa R$ 19,6 milhões em recursos de emenda parlamentar da bancada do estado; o governo liberou R$ 7,5 milhões na primeira parcela.
Bolsonaro participou do lançamento em 22 de março de 2022 e disse que o projeto era “da Damares [e] da primeira-dama, Michelle”. No mesmo evento, Damares agradeceu nominalmente a Vicentinho Júnior, hoje no PSDB, à atual senadora Professora Dorinha e a Carlos Henrique Gaguim, ambos do União Brasil, pelo envio dos recursos.
Na data da cerimônia, a primeira prestação de contas do programa, referente aos R$ 7,5 milhões pagos em dezembro de 2021, já enfrentava suspeitas na Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente. A pasta havia travado a segunda parcela, prevista para 1º de março de 2022, e tentava fazer uma visita para verificar a execução. Em 2024, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, reprovou a prestação de contas do Idecace.
