terça-feira, 8 de setembro de 2026

“Quem vai afastar André Mendonça?”, questiona Glauber Braga

 Deputado diz que o ministro do STF “blinda” Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira

Glauber Braga - Crédito: Kayo Magalhães/Agência Câmara

 O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) criticou a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar cautelarmente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e cobrou punição e controle sobre a atuação do próprio magistrado na Corte. Reagindo à medida liminar proferida no âmbito do STF, o parlamentar questionou a imparcialidade do ministro na condução de processos sensíveis envolvendo figuras políticas ligadas à oposição e à extrema-direita.

“O André Mendonça acaba de determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal. E quem é que vai determinar o afastamento de André Mendonça, que continua blindando Nikolas Ferreira e o senhor Flávio Bolsonaro?”, declarou Glauber Braga em vídeo veiculado em suas plataformas oficiais.



A reação do parlamentar do PSOL ocorre no rastro da decisão em que Mendonça ordenou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada da Costa, alegando a existência de “inadequações, disfuncionalidades, irregularidades e potenciais ilicitudes” no comando da corporação. A determinação do relator atendeu a um pedido do Partido Novo no âmbito da Petição 16.662. A sigla partidária recorreu ao tribunal após a juntada da Informação de Polícia Judiciária, que identificou citações ao nome de Andrei Rodrigues no aparelho celular do empresário Daniel Bueno Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master.

Na mesma decisão, Mendonça justificou a intervenção na Polícia Federal apontando a realização de um esquema de “monitoramento e coleta dirigida” promovido pela inteligência policial contra a sua própria atuação judicante e contra o advogado-geral da União, Jorge Messias. A espionagem foi revelada a partir da divulgação de seis relatórios de inteligência apócrifos pelo ministro Alexandre de Moraes no Inquérito 4.781 (Inquérito das Fake News). Os documentos — classificados por Mendonça como imprestáveis e desprovidos de padrão técnico — analisavam a relação entre o relator e o parecerista público nos processos do Banco Master e do INSS (operações “Sem Desconto” e “Compliance Zero”), chegando a tecer ilações sobre a “matriz religiosa comum” entre ambos e a vazar dados de apurações sigilosas envolvendo os políticos Antônio Rueda e ACM Neto.

A contestação de Glauber Braga reflete a crescente tensão e a crise institucional que envolve o Supremo Tribunal Federal após as ordens de afastamento. Enquanto a decisão de Mendonça determinou a interrupção da confecção de novos relatórios sobre autoridades e abriu investigações penais e administrativas na Corregedoria-Geral da PF, lideranças políticas e entidades jurídicas questionam o alcance das prerrogativas utilizadas e o impacto da medida sobre o equilíbrio entre os Poderes da República

Fonte: Brasil 247

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