quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Operação sobre Dark Horse acende alerta na campanha de Flávio Bolsonaro

 Aliados tentam separar ação da PF de investigação sobre repasses de Vorcaro e apostam na crise do STF para reduzir desgaste eleitoral

    Flávio Bolsonaro  -Crédito: Lula Marques/Agência Brasil

A nova operação da Polícia Federal sobre o financiamento do filme Dark Horse acendeu um sinal de alerta na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, a três semanas do primeiro turno. Embora o senador não seja alvo da ação deflagrada nesta quinta-feira, aliados veem risco de desgaste por causa da retomada do tema no noticiário e da ligação do presidenciável com outra frente de apuração relacionada ao longa.

Segundo O Globo, a estratégia do entorno de Flávio é sustentar que a operação autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), investiga suspeitas envolvendo emendas parlamentares e não a atuação do candidato na busca de recursos privados para o filme. Ao mesmo tempo, a campanha pretende manter o foco político na crise interna do STF, tema que vinha sendo explorado pelo presidenciável e que, na avaliação de seus aliados, ajudou a impulsionar seu desempenho nas pesquisas.


Integrantes da campanha admitem que a ofensiva da PF tem potencial para atingir o candidato politicamente, sobretudo porque Dark Horse já havia causado preocupação durante a pré-campanha. A apreensão se concentra no avanço das investigações sobre o financiamento do projeto, do qual Flávio participou diretamente ao buscar recursos junto ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Apesar disso, auxiliares do senador avaliam que o embate entre ministros do Supremo deve continuar dominando a agenda política nos próximos dias. A aposta é que a dimensão da crise na Corte dificulte uma mudança completa do foco da campanha eleitoral. Flávio deve seguir direcionando críticas a Alexandre de Moraes e a Flávio Dino, tentando transformar o confronto institucional em combustível para sua candidatura.

O momento anterior à operação era considerado favorável pelo entorno do presidenciável. Na rodada mais recente da Quaest, divulgada na segunda-feira, Flávio apareceu numericamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno, com 41% das intenções de voto para cada um. Aliados atribuíam parte desse avanço à crise no STF, que permitiu ao candidato reforçar sua ofensiva contra a Corte e deslocar parte das atenções das investigações ligadas ao Banco Master.

A operação desta quinta-feira, porém, é vista como um risco a essa narrativa. A PF cumpre 49 mandados de busca e apreensão em uma investigação sobre suspeitas de desvio de emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produção de Dark Horse. Entre os alvos estão o deputado Mário Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, da produtora Go Up.

Nos bastidores, aliados de Flávio avaliam que o impacto poderia ter sido ainda maior caso Mário Frias tivesse sido escolhido como candidato do grupo ao Senado por São Paulo, hipótese discutida durante a montagem da chapa estadual. O PL acabou lançando o presidente da Assembleia Legislativa paulista, André do Prado, o que, na leitura da campanha, impediu que a operação atingisse diretamente um dos principais palanques estaduais do presidenciável.

O esforço central da campanha é separar as duas frentes de investigação envolvendo o filme. A primeira, sob relatoria de Flávio Dino, apura a destinação de emendas parlamentares para entidades relacionadas à produção. A segunda, sob responsabilidade de André Mendonça, foi aberta como desdobramento do caso Master e envolve diretamente Flávio Bolsonaro.

Nessa outra frente, mensagens reveladas nas investigações mostraram que Flávio pediu R$ 130 milhões a Daniel Vorcaro para financiar o filme. Desse valor, R$ 61 milhões teriam sido pagos. A orientação interna é reconhecer que o candidato participou das tratativas com Vorcaro, mas insistir que a operação desta quinta-feira não investiga sua atuação na busca por recursos privados.

Auxiliares do senador também fazem uma leitura política da ação. Integrantes da campanha associam o momento da operação à alta de Flávio nas pesquisas e afirmam ver tentativa de interferência no processo eleitoral. Não há, porém, evidências de que a ofensiva da PF tenha sido motivada pelo desempenho do candidato.

Aliados comparam a investigação sobre as emendas ao inquérito das fake news, aberto no STF em 2019, e argumentam que uma apuração longa sob relatoria de um ministro da Corte pode manter adversários políticos sob pressão. Também há questionamentos no entorno de Flávio sobre o fato de o caso estar com Dino e sobre a permanência de Andrei Rodrigues no comando da Polícia Federal.

Na quarta-feira, Dino determinou a reintegração de Andrei ao cargo de diretor-geral da PF, após ele ter sido afastado por decisão de André Mendonça. Horas depois, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu decisões conflitantes e manteve Andrei no posto enquanto analisa o caso.

A preocupação com Dark Horse se soma à cautela que já existia na campanha sobre os desdobramentos do caso Master. Nesta semana, Mendonça homologou a delação do operador financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. Ele confirmou à Procuradoria-Geral da República ter feito sete transferências, no total de US$ 12,3 milhões, para o fundo Havengate a pedido de Vorcaro. O fundo foi usado no financiamento do filme.

Mesmo com o temor de novos elementos das investigações, aliados de Flávio vinham avaliando que a crise no Supremo gerava mais dividendos eleitorais para o candidato do que para Lula. A operação da PF, agora, recoloca o financiamento de Dark Horse no centro da disputa e obriga a campanha a tentar preservar essa vantagem política enquanto busca conter o impacto de um caso que liga o presidenciável ao escândalo do Banco Master.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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