quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Mendonça passa a ter mais críticas que apoio nas redes após interferir na PF

 Rejeição ao ministro chegou a 52,8% após afastamento de Andrei Rodrigues, aponta monitoramento da Ativaweb DataLab

André Mendonça  - Crédito: Antonio Augusto/STF

 O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a registrar mais manifestações negativas do que apoio nas redes sociais pela primeira vez desde o agravamento da crise interna na Corte. A mudança ocorreu após o magistrado determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ampliou o desgaste digital em torno de sua atuação. Os dados constam de relatório da Ativaweb DataLab divulgado pela coluna de Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.

O levantamento identificou, apenas na terça-feira (8), 3,6 milhões de novos registros relacionados à crise envolvendo integrantes do Supremo, autoridades do governo, a Polícia Federal e personagens ligados ao caso Banco Master.

Segundo o monitoramento, 52,8% das manifestações que mencionaram Mendonça foram negativas. As interações favoráveis representaram 33,5%, enquanto 13,7% foram classificadas como neutras.


Para a Ativaweb, a inversão no sentimento das redes em relação ao ministro foi o “dado mais relevante do dia”, por representar uma inédita “mudança de comportamento” desde o início do confronto entre Mendonça e o ministro Alexandre de Moraes.

O aumento das críticas ocorreu depois de Mendonça afastar Andrei Rodrigues da direção da PF. O ministro afirma ter sido alvo de arapongagem por parte do policial, episódio que aprofundou as tensões institucionais e levou a discussão para além da disputa interna entre integrantes do Supremo.

Apesar da deterioração da imagem digital de Mendonça, Alexandre de Moraes continua concentrando o maior índice de rejeição no monitoramento. De acordo com o levantamento, 88,4% das publicações sobre o ministro tiveram teor crítico em plataformas como Facebook, Instagram, X, TikTok e YouTube.

A avaliação da Ativaweb é que a discussão nas redes deixou de se concentrar exclusivamente em Moraes e passou a atingir um grupo maior de autoridades envolvidas direta ou indiretamente na crise. Segundo a empresa, houve ampliação do “número de personagens submetidos a desgaste”.

O debate havia se concentrado inicialmente nas mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Com o avanço da crise, decisões de Mendonça, a atuação da Polícia Federal e as reações de integrantes de outras instituições passaram a ocupar espaço crescente nas discussões digitais.

O cientista de dados Alek Maracajá, responsável pela análise das postagens, afirma que o comportamento registrado em 8 de setembro indica uma mudança na natureza do debate público.

“Do ponto de vista científico e estratégico, o 8 de setembro marca uma transição importante: a conversa deixou de girar apenas em torno de escândalo, mensagens e personagens e passou a incorporar de forma crescente termos relacionados a poder, competência, autonomia, investigação, plenário, PF, PGR, AGU e Presidência do STF”, afirmou.

Para Maracajá, a ampliação do número de autoridades citadas evidencia que a crise ultrapassou as disputas pessoais e passou a envolver diretamente diferentes órgãos do Estado.

“A presença simultânea de ministros atuais e aposentados, Lula, Andrei Rodrigues, Jorge Messias [advogado-geral da União], Paulo Gonet [procurador-geral da República], Daniel Vorcaro, Marco Aurélio de Carvalho [advogado e coordenador da campanha de Lula em SP] e outros atores mostra que a crise ganhou densidade institucional e capilaridade narrativa”, disse.

O executivo resumiu a mudança de foco das discussões nas redes: “No começo, a nuvem de palavras tinha personagens. Hoje ela tem instituições inteiras. A crise começou falando de dinheiro; agora fala de poder”.

Desde a intensificação da crise, o monitoramento já contabiliza mais de 66 milhões de menções relacionadas ao episódio. Entre os termos e personagens mais citados estão STF, Banco Master, Daniel Vorcaro, Alexandre de Moraes, André Mendonça, Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República e integrantes do Executivo.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

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