terça-feira, 8 de setembro de 2026

“Se Flávio Bolsonaro for eleito, Vorcaro não fica na cadeia”, diz Haddad

 “Eles vão combinar o que fazer com os R$ 40 bilhões que estão fora do Brasil”, diz o candidato ao governo de São Paulo

       Fernando Haddad - Crédito: Diogo Zacarias / Divulgação

Fernando Haddad (PT) elevou o tom contra Flávio Bolsonaro (PL) nesta terça-feira (8) e acusou o senador de tentar desviar o debate eleitoral do Caso Master, escândalo financeiro que, segundo o petista, tem relação direta com o governo Jair Bolsonaro e com aliados do ex-presidente.

Em entrevista à rádio Nova Brasil FM, Haddad afirmou que o Banco Master financiou campanhas de Jair Bolsonaro e de Tarcísio de Freitas, e disse que a liquidação da instituição e a prisão de Daniel Vorcaro ocorreram durante o governo Lula, por ação da Polícia Federal.

“O Banco Master financiou a campanha do Jair Bolsonaro e do Tarcísio de Freitas, não foi a minha e nem a do presidente Lula. Financiou as campanhas de quem ele tinha vínculos. Quem liquidou o Banco Master foi o governo Lula. Quem prendeu o Daniel Vorcaro foi a Polícia Federal do governo Lula”, afirmou Haddad.


O candidato do PT também declarou que, em sua avaliação, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia beneficiar Vorcaro. Haddad associou o adversário ao escândalo e mencionou recursos que, segundo ele, estariam fora do país.

“Se o Flávio Bolsonaro for eleito, o Vorcaro não fica na cadeia. Pode anotar o que eu estou falando. O Banco Master não seria liquidado se o Bolsonaro pai fosse reeleito. Ia continuar roubando como continuou roubando durante o governo dele inteiro, sem ninguém fazer nada. E eles vão combinar o que fazer com os R$ 40 bilhões que estão fora do Brasil em nome sabe Deus de quem. São R$ 40 bilhões de dinheiro público que estão fora do Brasil sendo geridos por fundos de laranjas do Vorcaro”, declarou.

Na entrevista, Haddad sustentou que o Banco Master cresceu entre 2019 e 2024, período que coincide com a gestão de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central. Campos Neto foi indicado ao cargo por Jair Bolsonaro. O petista também afirmou que o ex-presidente do BC se envolveu politicamente durante o mandato, o que, segundo Haddad, seria incompatível com a função.

“O Banco Master cresce de 2019 a 2024, exatamente no período da gestão do presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, indicado pelo Bolsonaro. E que fez campanha para o Bolsonaro, enquanto presidente do Banco Central autônomo. Nem poderia vestir camisa de CBF… Ele se envolveu com política, fazia parte de grupo de WhatsApp envolvidos na eleição. Coisa que é proibido por lei”, disse.

Haddad ainda apontou a presença de ex-integrantes do governo Bolsonaro no entorno do caso. Segundo ele, “três ministros do Bolsonaro estão envolvidos no Banco Master”.

“Três ministros do Bolsonaro estão envolvidos no Banco Master: ministro da Comunicação, das Relações Institucionais – que era mulher do sócio do Vorcaro, e o ministro-chefe da Casa Civil”, afirmou.

O petista também respondeu à declaração feita por Flávio Bolsonaro no ato bolsonarista realizado na Avenida Paulista na segunda-feira (7). No evento, o senador disse que “quem vota em Lula está votando em Moraes”, em referência ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Haddad rebateu a tentativa de associação e afirmou que Lula mantém relação institucional com todos os ministros do STF, não apenas com Moraes. Segundo ele, a diferença entre Lula e Bolsonaro está na postura diante das instituições e das investigações.

“O presidente Lula tem conversas com todos os ministros do Supremo, não com um ou outro. Ele já se reuniu com o André Mendonça, com Toffolli, Gilmar Mendes, Fux, Carmen Lúcia e Fachin. Tem uma coisa que se chama institucionalidade (…) Isso não significa proteger quem quer que seja”, afirmou.

Na sequência, Haddad disse que Lula não interfere em investigações para proteger aliados ou familiares, ao contrário do que atribuiu a Jair Bolsonaro no caso envolvendo Flávio.

“Ele não protege o filho dele, ministro do Supremo, ministro dele, senador. Não protege ninguém. Não proteger é deixar a Polícia Federal fazer seu trabalho. Deixar o Ministério Público fazer o seu trabalho. É não trocar ministro da Justiça, Superintendente da Polícia Federal, delegado, como o Bolsonaro fez para proteger o Flávio”, declarou.

Fonte: Brasil 247

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