terça-feira, 15 de setembro de 2026

Dino questiona relatoria do caso Master e cita risco de “tirania”


     O ministro Flávio Dino. Foto: Reprodução

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou risco de “autoritarismo, despotismo, tirania” na Corte ao contestar, nesta terça (15), a condução da relatoria do procedimento que apura mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. A discussão ocorreu durante sessão extraordinária do plenário.

O STF começou a analisar o relatório da Polícia Federal sobre as conversas trocadas por Vorcaro, dono do Master, e Moraes. Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques declararam impedimento no caso antes do debate entre os ministros.

Gilmar Mendes apresentou uma questão de ordem e pediu que o tribunal discutisse um documento encaminhado por Dino antes de avançar no julgamento. O ministro também defendeu que o modelo acusatório exige imparcialidade plena do juiz.

Dino voltou a pedir a palavra e criticou o que chamou de tentativa de afastamento das regras processuais. “Aqui não é lugar de quem busca aplausos, busca popularidade. Aqui não é lugar para fazer biografia, é para fazer justiça”, afirmou.

Toffoli se declara suspeito por “foro íntimo” e não votará em julgamento sobre Moraes


    Ministro Dias Toffoli. Foto: Reprodução

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), se declarou suspeito por foro íntimo e não votará no julgamento que pode decidir pela abertura de uma investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes. A Corte analisa nesta terça (15) a validade de um relatório da Polícia Federal que reúne mensagens de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Toffoli disse que tomou a decisão para evitar especulações e preservar o tribunal. “Entendo que, como tenho me manifestado na turma pela suspeição, e reforço, não por me sentir impedido, mas por suspeição de foro íntimo, para preservação da Corte, no ponto de vista de eventuais especulações, eu declaro a minha suspeição para participar desse julgamento, mas não me retirarei”, afirmou.

Apesar de deixar a votação, o ministro informou que continuará na sessão e poderá pedir a palavra durante os debates, se considerar necessário. A suspeição não equivale a impedimento legal, mas afasta o magistrado da decisão no caso.

O ministro Nunes Marques também não participará da análise. Presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele afirmou que não se sentia confortável para votar diante da proximidade das eleições e deixou o plenário.

VÍDEO – Fachin se irrita e dá bronca em Dino: “Peça a palavra”


   Flávio Dino e Edson Fachin no STF. Foto: Reprodução

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e o ministro Flávio Dino bateram boca nesta terça (15) sobre as regras para uso da palavra durante uma sessão que analisa mensagens trocadas entre Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O embate começou depois que o ministro Dias Toffoli se declarou suspeito por “motivo de foro íntimo” no caso e Flávio Dino o interrompeu após uma citação a seu nome. Fachin pediu que os ministros solicitassem a palavra à presidência antes de se manifestarem.

“Ministro Flávio, eu gostaria de combinar nessa sessão que a palavra sempre será solicitada à presidência”, disse Fachin. Dino respondeu que seguiria o regimento interno do Supremo, mas o presidente da Corte o interrompeu: “[O regimento interno da Corte] diz que a palavra é pedida à presidência”.

“O aparte é dirigido ao relator”, respondeu Dino, repetindo que seguiria o regimento e revoltando Fachin. “Pois vossa excelência terá a palavra porque eu estou lhe concedendo”, afirmou o presidente da Corte.

“Ficou com Kassio”: conversas de Vorcaro citam ministro e cobrança de R$ 10 mil


      O ministro Kassio Nunes Marques, do STF, durante o Carnaval. Foto: Reprodução

Conversas extraídas do celular do banqueiro Daniel Vorcaro citam o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma troca de mensagens sobre uma cobrança de R$ 10 mil. Uma mulher identificada como Rayanna escreveu que uma amiga dela “ficou com o Kassio”. O magistrado negou ter se encontrado com ela.

Em 28 de fevereiro de 2025, Rayanna perguntou a Vorcaro: “Qual o endereço, Dani?”. Em seguida, avisou: “As meninas estão prontas”. O banqueiro respondeu com um endereço na Rua Leopoldo Couto de Magalhães Júnior, no Itaim Bibi, bairro da zona oeste de São Paulo.

Uma semana depois, em 7 de março, Rayanna retomou o assunto e perguntou: “A minha amiga lá aquele dia! Deu certo né?”. Logo depois, ela escreveu: “Ela disse que ficou com o Kassio” e “Ela tá me cobrando aqui”.

Vorcaro pediu as informações para fazer o pagamento: “Me manda aqui” e “Dados e valor”. Rayanna respondeu “10 né!”, repetiu que a amiga “ficou com ele” e enviou um endereço de e-mail. As mensagens não detalham a natureza do encontro nem estabelecem outros elementos sobre a cobrança.

Mensagens de mulher identificada como Rayanna. Foto: Reprodução/Metrópoles

Número de Kassio e pedido de viagem aparecem em outra conversa

Outro trecho do material armazenado no celular de Vorcaro traz o número de telefone de Nunes Marques, sem relação apontada com a conversa de Rayanna. A mensagem foi enviada em dezembro de 2024 a Leonardo Serrano Giunchetti, operador de viagens que trabalhava para o banqueiro e era conhecido como Leo.

No texto, o ministro pediu ajuda para organizar uma viagem de cerca de dez dias, entre 8 e 18 de janeiro, para cinco pessoas. “Bom dia Leo. Ministro Kassio. Preciso da sua ajuda para formatar uma viagem de uns 10 dias”, escreveu.

Mensagem enviada a operador de viagens cita “Ministro Kassio”. Foto: Reprodução/Metrópoles

Nunes Marques afirmou preferir destinos de língua portuguesa ou espanhola, mas também citou Budapeste, Graz e Salzburgo, além do Peru, como possibilidades para o roteiro. A mensagem não informa se a viagem chegou a ser contratada ou realizada.

Em 5 de dezembro de 2024, Leonardo questionou Vorcaro sobre a cobrança de uma viagem de outro cliente. “Dani…Veio de vc esse?”, perguntou, antes de escrever: “E se sim, é pra atender ele independente ou faço e faturo pra vc?”.

Mensagens de operador de viagens a Daniel Vorcaro. Foto: Reprodução/Metrópoles

Kassio se declara impedido de julgar Moraes após vazamento de mensagens




O ministro Kassio Nunes Marques se declarou impedido de votar na sessão que pode abrir uma investigação contra Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (15). Antes de anunciar sua decisão, ele se defendeu, alegando que nunca trocou uma única mensagem com Daniel Vorcaro, ainda que mensagens revelem a ligação entre o ex-CEO do Banco Master e seu filho, apontado como beneficiário de pagamentos mensais de R$ 500 mil.

Durante o julgamento, o ministro afirmou que “esse julgamento pode impactar no cenário político eleitoral” e, por isso, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral, não se sente “confortável para participar do julgamento”.Eu afirmo o meu impedimento”, declarou.

Acompanhe o julgamento pelo canal do DCM no YouTube: 

Diálogos no celular de Vorcaro citam filho de Nunes Marques e repasse mensal de R$ 500 mil

 Mensagens trocadas entre o ex-banqueiro e diretor do Banco Master envolvem o advogado Kevin Marques e contrato via consultoria

                   Ministro do STF Kassio Nunes Marques - Crédito: Fellipe Sampaio/SCO/STF

O conteúdo integral do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, entregue a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na segunda-feira (14), revela mensagens de texto nas quais o empresário trata de pagamentos que seriam destinados ao advogado Kevin Marques, filho do ministro da Corte, Kassio Nunes Marques. As transferências teriam como intermediária a empresa Consult Inteligência Tributária, informa Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo.

As conversas foram mantidas entre Daniel Vorcaro e Luiz Rennó, que exercia o cargo de diretor jurídico do Banco Master. Nas mensagens registradas, Rennó faz menção expressa a repasses mensais no valor de R$ 500 mil.

Lula vence em todos os cenários de 2° turno, diz pesquisa CNT/MDA


      O presidente Lula. Foto: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera todos os cenários da disputa presidencial de 2026 avaliados pela Pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta terça-feira (15). Na simulação estimulada de primeiro turno, Lula registra 40,6% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem 30,4%.

Em um eventual segundo turno entre os dois, Lula alcança 47,3%, ante 40% de Flávio Bolsonaro. A distância é de 7,3 pontos percentuais, menor que os nove pontos registrados na rodada de agosto. Brancos e nulos somam 10,2%, e 2,5% dos entrevistados se declaram indecisos.

Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos eleitores, Lula marca 36,6% e Flávio Bolsonaro, 26,7%. O índice de indecisos nessa modalidade chega a 20,8%.

Na estimulada de primeiro turno, o escritor Augusto Cury aparece com 6%, seguido pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado, com 3%, e Renan Santos, com 2,7%. Os demais nomes testados ficam abaixo de 2%.

Pesquisa CNT/MDA divulgada em 15/09/2026
Em um cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o petista lidera a corrida com por 45,3% contra 38,4%, restando ainda 12,7% de branco/nulo e 3,6% de indecisos. O presidente também vence nos cenários contra Cury, Caiado, Zema e Renan Santos.

 


Eleitorado diz ter decisão mais consolidada

Entre os eleitores que indicaram um candidato, 79,8% afirmam que sua escolha é definitiva, e 20,2% dizem que ainda podem mudar de voto. Em agosto, 71,2% consideravam a decisão fechada. O levantamento também mediu o potencial de voto dos candidatos, reunindo quem declara voto certo e quem admite votar em cada nome.

A pesquisa aponta divisão nos receios sobre o resultado eleitoral. Para 35,5% dos entrevistados, a principal preocupação é a volta de alguém da família Bolsonaro ao governo; 34,7% indicam como maior receio a continuidade do governo Lula.
Pesquisa CNT/MDA divulgada em 15/09/2026


A avaliação do governo federal registra 39,4% de opiniões negativas, 33,8% de positivas e 25,4% de avaliações regulares. Na avaliação pessoal do presidente, 49,7% desaprovam seu desempenho, enquanto 45,9% aprovam.

O Instituto MDA realizou a 170ª rodada da Pesquisa CNT entre 9 e 13 de setembro de 2026, com 2.002 entrevistas presenciais em todas as regiões do país, em domicílios e pontos de fluxo. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, com 95% de nível de confiança, e o levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06902/2026.

Fonte: DCM

Flávio Bolsonaro quer “inspiração” de Milei: 2,9 milhões de novos pobres na Argentina


   Miséria na Argentina

A equipe econômica de Flávio Bolsonaro quer usar o governo de Javier Milei como inspiração para conduzir a economia brasileira caso o senador chegue à Presidência. A proposta foi apresentada por Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha do candidato do PL e ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro.

Segundo Marques, Flávio determinou que a equipe trabalhe para revogar impostos criados ou elevados durante a gestão de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda. A ideia, afirmou ela, é mapear as medidas e utilizar como referência a experiência argentina sob Milei.

“Flávio fez uma orientação para a equipe, para a gente trabalhar na revogação e voltar atrás em todos os impostos criados ou elevados pelo Haddad. Já temos mais de mil normas mapeadas para revogar, usando um pouco de inspiração no que foi feito no governo Milei na Argentina”, afirmou Marques nesta segunda-feira (14), durante evento do grupo Esfera, do mesmo dono da CNN, que teve Daniel Vorcaro como patrocinador de eventos.

“Milei é um ótimo exemplo em termos de voltar a ter capacidade de investimento e redução de burocracia e impostos”, completou.

O modelo que a campanha de Flávio apresenta como exemplo para o Brasil enfrenta, na própria Argentina, uma reversão em um de seus principais indicadores sociais: a pobreza.

Estimativas privadas apontam que cerca de 1,7 milhão de argentinos entraram na pobreza apenas no primeiro semestre de 2026. O número definitivo será divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) em 24 de setembro, quando forem publicados os dados da Pesquisa Permanente de Domicílios (EPH) referentes aos primeiros seis meses do ano.

Segundo estimativa da consultoria ExQuanti, o número de pessoas abaixo da linha da pobreza passou de 13,4 milhões no segundo semestre de 2025 para 15,1 milhões no primeiro semestre de 2026. São, portanto, aproximadamente 1,7 milhão de novos pobres em apenas seis meses.

Se a comparação for ampliada para o momento em que a tendência começou a mudar, nos últimos três meses de 2025, o aumento chega a 2,9 milhões de pessoas.

A taxa de pobreza, que ficou em 28,2% no segundo semestre de 2025, pode alcançar entre 30% e 31,6% no primeiro semestre deste ano, dependendo da projeção considerada.

O próprio governo argentino admite a possibilidade de uma alta. Fontes oficiais ouvidas pelo jornal “La Nación” projetaram uma taxa entre 30% e 31%, o que representa um aumento de dois a três pontos percentuais.

A estratégia oficial continua baseada na manutenção do superávit fiscal e no processo de desinflação. O problema é que outros indicadores também apontam dificuldades para os trabalhadores argentinos.

O emprego privado assalariado formal acumula 13 meses de retração, enquanto estimativas privadas indicam que a recuperação dos rendimentos reais perdeu força.

Entenda as acusações contra Moraes em julgamento no STF


Alexandre de Moraes, ministro do STF. Foto: reprodução

O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta terça-feira (15) um julgamento inédito que pode abrir caminho para uma investigação sobre o ministro Alexandre de Moraes. Antes de chegar a essa discussão, porém, a Corte deve enfrentar divergências sobre a validade de um relatório da Polícia Federal, o alcance do processo e a participação de ministros na análise.

O presidente do STF, Edson Fachin, abre a sessão prevista para as 10h e deve apresentar o relatório do caso, que reúne os atos praticados desde a decisão do ministro André Mendonça de requisitar a produção do documento policial. O texto trata de mensagens que o banqueiro Daniel Vorcaro enviou a Moraes.

Fachin também delimitará o objeto do julgamento. A definição ganhou importância porque a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República não pediram formalmente a abertura de investigação contra Moraes, enquanto ministros próximos ao magistrado apontam falta de clareza sobre o que o plenário analisará.

O presidente do STF comunicou a colegas que a sessão ficará restrita ao relatório da PF sobre as mensagens de Vorcaro. Depois da leitura, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, deve se manifestar; a expectativa é que mantenha a posição já apresentada nos autos, pela nulidade do documento policial.

Abate de bovinos, suínos e frangos bate recordes no 2º trimestre de 2026, aponta IBGE

 Pesquisa trimestral da pecuária do IBGE revela marcas históricas no abate de animais e avanço na produção de leite, couro e ovos no país

    Carne bovina - Crédito: Divulgação

 O setor pecuário brasileiro registrou marcas históricas no segundo trimestre de 2026, impulsionado pelo crescimento no abate de bovinos, suínos e frangos, além de avanços na captação de leite, produção de ovos e processamento de couro, informa a Pesquisa Trimestral da Pecuária divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No setor bovino, o país alcançou o melhor resultado para um segundo trimestre em toda a série histórica da pesquisa. Entre abril e junho de 2026, foram abatidas 10,72 milhões de cabeças de bovinos, um crescimento de 1,3% em comparação ao mesmo período de 2025 e de 4,0% frente ao primeiro trimestre de 2026. O mês de junho destacou-se com a maior atividade do período, somando 3,66 milhões de cabeças (alta de 3,5% em relação a junho de 2025). O abate de fêmeas teve recuo de 1,9% na comparação anual, mas subiu 2,0% em relação ao trimestre anterior.

Moraes está “pintado para a guerra” e será uma “carnificina”, diz aliado

 Plenário julga nesta terça-feira se abre investigação contra ministro; aliados preveem embate duro com André Mendonça e outros integrantes da Corte

O ministro Alexandre de Moraes, na primeira turma do STF - Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal (STF) deve viver nesta terça-feira (15) uma sessão de alta tensão política e institucional ao analisar se abre ou não uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes no âmbito do caso Master.

Segundo a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, aliados de Moraes afirmam, nos bastidores, que o ministro está disposto a enfrentar André Mendonça e outros colegas da Corte durante o julgamento. A avaliação desse grupo é que o debate poderá expor relações de integrantes do Supremo com o Banco Master ou com o empresário Daniel Vorcaro.

Um ministro aliado de Moraes afirmou à coluna, sob reserva, que o magistrado e seu grupo estão “pintados para a guerra”. A expectativa é que Moraes apresente uma defesa dura e, ao mesmo tempo, questione a atuação de outros ministros no caso.

“Vai ser uma tragédia. Vão expor as vísceras de alguns ali. Vai ser uma carnificina. Vai ser um show de horrores. O (presidente do STF, Edson) Fachin não vai segurar. Estão pintados para a guerra”, disse o aliado de Moraes ao Metrópoles.

Dino aponta que voto de Mendonça no STF favoreceu Banco Master e o próprio irmão

 Decisão vincula posicionamento do ministro contra restrição de tarifas ao interesse de fundos e à promoção de familiar na SP Regula

Daniel Vorcaro e André Mendonça - Crédito: Victor Piemonte/STF / Banco Master/Divulgação

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a adoção de uma série de providências para esclarecer indícios de irregularidades na concessão de serviços funerários, cemiteriais e de cremação no município de São Paulo e suas conexões com apurações relativas ao Banco Master, segundo decisão proferida no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.196. Na decisão, o relator elencou que o voto divergente proferido pelo ministro André Mendonça — contrário ao estabelecimento de teto para as tarifas e favorável às empresas concessionárias — atendeu diretamente a interesses de fundos vinculados ao Banco Master e coincidiu temporalmente com a ascensão profissional de seu irmão, Alexandre de Almeida Mendonça, no órgão municipal encarregado de fiscalizar o setor.

Entre as providências ordenadas por Flávio Dino estão a intimação do Município de São Paulo e da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Município de São Paulo (SP Regula) para prestarem esclarecimentos sobre a concessionária Cortel SP. Além disso, a decisão exige o envio de informações e documentos por parte da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), além do encaminhamento de cópia dos autos ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, para instruir apurações sobre as condutas de André Mendonça.

Dino cita relação do Master com cemitérios em São Paulo e pede investigação de André Mendonça; entenda

 Flávio Dino aponta indícios de irregularidades em concessões funerárias e solicita ao STF apuração sobre a conduta de Mendonça

     Flávio Dino e André Mendonça  - Crédito: STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou uma série de providências para apurar a existência de eventuais irregularidades na concessão dos serviços funerários, cemiteriais e de cremação no município de São Paulo, bem como a sua relação com investigações envolvendo o Banco Master, segundo decisão proferida nesta terça-feira (15) no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.196. Na decisão, o magistrado destacou a existência de um conjunto indiciário relevante e grave envolvendo a concessionária Cortel, fundos geridos pela instituição financeira controlada pelo empresário Daniel Vorcaro e a atuação do ministro André Mendonça na tramitação e votação do processo na Corte.

Entre as medidas ordenadas por Dino estão a intimação do Município de São Paulo e da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Município de São Paulo (SP Regula) para prestarem esclarecimentos sobre a concessionária Cortel SP. Além disso, o relator determinou requisições de informações e documentos à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), bem como a apresentação de cópia da decisão ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, para juntada nos autos em que se apuram as condutas do ministro André Mendonça.

O histórico da ação e o pedido de vista de Mendonça

A controvérsia em torno da privatização dos cemitérios paulistanos teve início em 24 de novembro de 2024, quando Dino proferiu decisão liminar determinando que a Prefeitura de São Paulo restabelecesse a comercialização e a cobrança dos serviços funerários, cemiteriais e de cremação com o teto de valores praticado imediatamente antes das concessões, atualizado pela inflação. A medida cautelar foi adotada diante das evidências de que os preços cobrados pelas concessionárias privadas eram abusivos e incompatíveis com a natureza pública dos serviços.

Em 13 de março de 2025, o relator proferiu decisão complementar determinando o reforço da transparência, a ampla divulgação de tabelas de preços e gratuidades, a ampliação dos canais de reclamação aos usuários, o aprimoramento da fiscalização e a revisão das multas aplicadas às empresas. No entanto, ao submeter a medida ao referendo do Plenário do STF em 14 de março de 2025, o julgamento foi suspenso no dia seguinte devido a um pedido de vista formulado pelo ministro André Mendonça.

As reuniões de Fachin antes de sessão sobre Moraes no STF


      Edson Fachin, presidente do STF. Foto: reprodução

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, realizou uma série de reuniões individuais com ministros antes da sessão extraordinária desta terça-feira (15), convocada para analisar se há elementos para abrir investigação sobre a conduta de Alexandre de Moraes. Fachin também assumiu relatorias e concentrou na Presidência procedimentos ligados aos casos Banco Master e INSS.

O plenário deve examinar o procedimento relacionado a Moraes a partir de mensagens localizadas no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, em relatório da Polícia Federal. O documento apontou o ministro como interlocutor do ex-banqueiro.

As conversas de Fachin buscaram discutir o rito da sessão e a condução do julgamento em meio à disputa entre Moraes e André Mendonça. Moraes pediu apuração contra Mendonça e apontou parcialidade na condução dos inquéritos sobre o Banco Master e o INSS.

Na quarta-feira da semana passada, Fachin se reuniu separadamente com Flávio Dino e Moraes. No mesmo dia, assinou decisões para enfrentar a crise, entre elas a convocação da sessão extraordinária do STF.

“A tentativa de golpe mudou seu modus operandi”, diz Moraes sobre relatório de Mendonça


         Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes no plenário do STF. Reprodução

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a tentativa de golpe de Estado não terminou com os ataques de 8 de janeiro de 2023 e apenas mudou sua forma de atuação. A declaração aparece no encerramento da manifestação enviada nesta segunda-feira (14) ao presidente da Corte, Edson Fachin.

“A tentativa de Golpe não se encerrou em 8/1/2023, simplesmente mudou seu modus operandi”, escreveu Moraes. O ministro relacionou o relatório apresentado por André Mendonça sobre suas mensagens com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro a uma ofensiva política de aliados de condenados pela trama golpista.

Moraes classificou o documento como uma “farsa” e afirmou que as acusações contra ele são movidas por “vingança”. “Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo Supremo Tribunal Federal”, declarou.

Trecho final da manifestação do ministro Alexandre de Moraes


A manifestação tem 44 páginas e 121 tópicos. Moraes sustenta que a análise de 7.742 documentos distribuídos em 48 petições, uma reclamação e quatro inquéritos relacionados à Operação Compliance não encontrou indícios de infração penal praticada por ele.

O ministro também contesta a forma como o relatório associou anotações encontradas no celular de Vorcaro a supostas conversas entre os dois. Segundo Moraes, 47 das 52 notas apresentadas não foram localizadas em nenhuma conversa no WhatsApp, o que representaria 90,4% do conjunto analisado.

Moraes afirma ainda que nunca julgou processos envolvendo o Banco Master ou Vorcaro, antes, durante ou depois do contrato da instituição financeira com o escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes. Ele nega ter praticado qualquer ato oficial em benefício do banco ou do ex-banqueiro.

A manifestação foi juntada à PET 16.704, aberta a partir de uma cópia integral da PET 16.662, relatada por Mendonça. O plenário do STF analisará nesta terça-feira (15) a validade da investigação e o pedido da Procuradoria-Geral da República para encerrá-la.

Fonte: DCM