terça-feira, 8 de setembro de 2026

Quem assume o comando da PF após o afastamento de Andrei Rodrigues

 Diretor-executivo William Marcel Murad é o substituto imediato no comando da Polícia Federal após decisão do STF

                William Marcel Murad  -  Crédito: Marcos Oliveira/Agência Senado

Com a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento preventivo do delegado Andrei Augusto Passos Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal (PF), o comando da corporação passa a ser exercido pelo atual diretor-executivo do órgão, o delegado William Marcel Murad. Pela estrutura hierárquica e regimental da instituição, a Diretoria-Executiva ocupa o segundo posto na hierarquia central da Polícia Federal, sendo o substituto imediato do diretor-geral em seus impedimentos legais, licenças e afastamentos cautelares.

O afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, foi ordenado no âmbito da Petição 16.662. Mendonça justificou a medida como necessária para cessar uma prática ilícita de “monitoramento e coleta dirigida” promovida pela estrutura de inteligência da corporação contra o próprio relator no STF e contra o advogado-geral da União, Jorge Messias, além de impedir interferências indevidas na colheita de provas e nas investigações em andamento.


Com a vacância temporária do cargo principal, cabe a William Marcel Murad assumir a gestão administrativa, operacional e institucional da Polícia Federal. Delegado de carreira desde 2002, Murad assumiu a Diretoria-Executiva em janeiro de 2025, vindo de uma extensa trajetória técnica e de chefia dentro do órgão e em missões internacionais.

Formação e trajetória do novo comandante da PF

Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), onde se graduou em 2001, William Marcel Murad ingressou na Polícia Federal após se classificar em 1º lugar no 17º Curso de Formação Profissional de Delegado de Polícia Federal na Academia Nacional de Polícia (ANP), em Brasília, no ano de 2002.

Sua formação complementar inclui o Curso Superior de Polícia (2012) e capacitações internacionais, como o curso de especialização na Academia Nacional do FBI (FBI National Academy), em Virgínia, nos Estados Unidos (2010), o Curso de Inteligência Antidrogas na Escola Regional da Comunidade Americana de Inteligência Antidrogas (ERCAIAD), no Peru (2003), e o Curso de Inteligência Policial na Diretoria de Inteligência da PF (2005).

Ao longo de mais de duas décadas na corporação, Murad acumulou vasta experiência operacional, estratégica e de inteligência:

  • Atuação Internacional: Atuou como Adido Policial Federal no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte de novembro de 2021 a dezembro de 2024.
  • Tecnologia e Inovação: Foi Diretor de Tecnologia da Informação e Inovação (DTI/PF) entre maio de 2018 e maio de 2021, além de Coordenador-Geral de Tecnologia da Informação (CGTI/DLOG/PF).
  • Inteligência e Segurança de Grandes Eventos: Ocupou o cargo de Coordenador-Geral de Inteligência (CGI/DIP/PF) em 2017. Na Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (SESGE) do Ministério da Justiça, desempenhou as funções de Diretor de Inteligência (DINT/SESGE/MJ) e Coordenador Nacional da Operação de Inteligência de Segurança Pública dos Jogos Olímpicos Rio 2016, bem como Coordenador Substituto do Centro Integrado de Comando e Controle Nacional na Copa do Mundo FIFA 2014.
  • Unidades Regionais e Combate ao Crime Organizado: No âmbito regional, chefiou a Delegacia de Polícia Federal em São José do Rio Preto (SP) de 2010 a 2013. No Rio Grande do Norte, exerceu os cargos de Delegado Regional de Combate ao Crime Organizado (DRCOR), Chefe do Núcleo de Inteligência Policial (NIP) e Chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE). Também foi Chefe da Divisão de Repressão a Crimes Fazendários (DFAZ/CGPFAZ/DIREX) em Brasília e Chefe Substituto da DRE em Pernambuco.

Fluente em inglês e com conhecimentos avançados em espanhol, William Marcel Murad é também instrutor da Academia Nacional de Polícia nas disciplinas de “Planejamento Operacional” e “Direção Operacional”. Ele assume o comando interino da instituição em meio a um dos momentos mais delicados da relação entre a cúpula da Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal.

Fonte: Brasil 247

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