Petista compara investigações envolvendo aliados de Lula e Bolsonaro, critica classificação de facções como terroristas e defende ação integrada contra o crime
O candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, apresentou no Roda Viva uma proposta de integração entre forças de segurança, órgãos de fiscalização e Ministério Público para enfrentar o crime organizado, além de defender diálogo institucional para superar desafios nacionais. A mensagem central da sabatina foi a de que São Paulo e o Brasil precisam de coordenação entre instituições, planejamento e políticas públicas baseadas em dados.
Durante a entrevista exibida nesta segunda-feira (31), pela TV Cultura, Haddad também abordou economia, orçamento, apostas esportivas, juros e a sucessão no campo progressista. As declarações foram registradas pelo portal Metrópoles, fonte original da notícia, que destacou a defesa do candidato por uma atuação conjunta da Polícia Federal, da Receita Federal e das polícias paulistas.
O ex-ministro da Fazenda e candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, levou a disputa nacional para a sabatina. Ao comentar as investigações que atingem pessoas próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL), Haddad afirmou que há uma “falsa simetria” entre os casos.
Sem citar Flávio Bolsonaro nominalmente, o petista disse que o candidato não consegue esclarecer uma série de episódios, enquanto Lula, segundo ele, permite a atuação independente das instituições de investigação.
“Nós temos um candidato a presidente que não consegue explicar a rachadinha, não consegue explicar a lavagem de dinheiro na loja de chocolate, não consegue explicar o preço da mansão que comprou no Lago Sul, não consegue explicar a homenagem que fez a um miliciano que foi assassinado numa operação da Polícia Militar da Bahia, não consegue explicar os vínculos com a milícia do Rio de Janeiro, não consegue explicar nada”, afirmou.
Haddad também mencionou as visitas de Flávio a Daniel Vorcaro, ex-banqueiro investigado no caso Banco Master, e criticou a tentativa de equiparar a relação do senador com o empresário à investigação sobre Luiz Cláudio Lula da Silva, o Lulinha, alvo de apuração por suspeitas de tráfico de influência.
“Não consegue explicar as visitas que fez ao votado do Banco Master e nós estamos botando esse cara como candidato a presidente da República e comparando com uma pessoa que não mexe um dedo para favorecer quem quer que seja e manda investigar todo mundo. Então, não vamos colocar no mesmo patamar coisas tão diferentes”, declarou.
O candidato petista já havia defendido que a Polícia Federal conduzisse de forma independente o inquérito sobre Lulinha. Durante a entrevista, afirmou ainda que nunca se reuniu com Roberta Luchsinger.
☆ Integração contra organizações criminosas
Na área de segurança pública, Haddad voltou a defender a criação de um gabinete integrado entre a Polícia Federal, a Receita Federal, as polícias Civil e Militar de São Paulo e o Ministério Público. A proposta, segundo ele, busca reunir informações e operações contra organizações criminosas.
O petista citou a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto do ano passado para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e fraudes no setor de combustíveis ligado ao crime organizado. Para Haddad, a cooperação entre a Receita e o Ministério Público paulista precisa se tornar permanente.
Essa colaboração “não pode ser exceção, ela tem que ser a regra”, afirmou.
Haddad também minimizou a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Para ele, a denominação não altera o essencial do combate às facções.
“Essa é uma questão menor. Máfia, facção… O importante é como você vai trabalhar o combate”, disse.
Na avaliação do candidato, terrorismo e crime organizado pertencem a categorias diferentes. “Terrorismo, pra mim, tem uma ideologia por trás, não é uma máfia, não é uma facção que está buscando dinheiro e se infiltrar em negócios legítimos para lavar esse dinheiro que é roubado de outras áreas. O terrorismo é uma outra categoria que eles inventaram nos Estados Unidos com suporte pela extrema-direita para criar confusão”, declarou.
☆ Orçamento e juros
Ex-ministro da Fazenda, Haddad defendeu o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 enviado pelo governo Lula. Ele comparou a proposta com o orçamento encaminhado no último ano da gestão Jair Bolsonaro, que, segundo sua avaliação, previa déficit de R$ 60 bilhões sem contabilizar despesas do Bolsa Família e precatórios.
O projeto do governo atual estabelece meta de superávit primário de R$ 73,2 bilhões, equivalente a 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB).
Ao abordar a taxa básica de juros, Haddad citou a decisão de novembro de 2024, quando o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, elevou a Selic para 14,25%. Naquele período, o governo havia encaminhado a proposta de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com renda mensal de até R$ 5 mil, medida que, de acordo com o petista, ampliou as divergências sobre a condução da política monetária.
☆ Bets como problema de saúde pública
Haddad classificou o crescimento das plataformas de apostas esportivas, conhecidas como bets, como um problema grave e afirmou que o tema deveria fazer parte do debate eleitoral.
Para ele, a discussão precisa envolver Congresso, especialistas, profissionais da saúde e instituições financeiras, com dados sobre o impacto das apostas no endividamento da população.
“Tem que ser discutido na eleição, mas, depois da eleição, eu sou favorável a esse tipo de consulta, de fazer, eventualmente, um diálogo com a sociedade, envolver o Congresso, fazer seminário de especialista, as pessoas da saúde dizerem o que está acontecendo, os bancos abrirem os dados sobre o que está acontecendo com as finanças das pessoas que estão ficando comprometidas com isso”, afirmou.
O candidato estimou que os valores movimentados pelo setor podem alcançar 0,5% do PIB brasileiro. “Pode chegar 0,5% do PIB brasileiro. É muito, muito dinheiro”, disse.
☆ Sucessão de Lula no campo progressista
Questionado sobre o futuro do PT e a sucessão de Lula, Haddad afirmou que será difícil encontrar uma liderança com a mesma dimensão política do atual presidente, especialmente em sua provável última disputa eleitoral.
“Olha, a sucessão do Lula vai ser complexa, qualquer que seja o cenário, porque é muito difícil aparecer uma liderança da envergadura do presidente Lula. Mas eu posso te assegurar, muita gente vai surgir no campo progressista”, declarou.
Fonte: Brasil 247
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