Defensoria Pública da União afirma que confissão considerada na condenação não foi aplicada como atenuante na dosimetria
O presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Flávio Dino, pautou o julgamento de um recurso apresentado pela Defensoria Pública da União (DPU) que pode resultar na redução da pena do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL). As informações são do Metrópoles.
O caso será analisado no plenário virtual entre 11 e 18 de setembro. A DPU sustenta que declarações de Eduardo foram consideradas pelo próprio STF como “confissões” durante o julgamento, mas a circunstância não foi utilizada como atenuante na definição da pena.
Nos embargos de declaração, o órgão que representa Eduardo Bolsonaro no processo aponta uma contradição no acórdão da condenação por coação. A defesa afirma que a confissão serviu como um dos fundamentos adotados pelos ministros, mas não foi considerada na dosimetria.
A DPU menciona as manifestações dos quatro ministros que participaram do julgamento. Relator do caso, Alexandre de Moraes afirmou que Eduardo “confessou expressamente o delito” em entrevista à BBC e também classificou outras declarações do ex-deputado como confissões.
Condenação por coação
Eduardo Bolsonaro foi condenado a 4 anos e 2 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, por coação no curso do processo relacionado à trama golpista. A sentença também estabeleceu o pagamento de 50 dias-multa, no valor correspondente a dois salários mínimos cada.
Em seu voto, Moraes apresentou vídeos publicados por Eduardo nas redes sociais para contestar a alegação da DPU de que o ex-deputado não teria conhecimento do processo. Segundo o ministro, “não há dúvida do total conhecimento da ação, só do total desconhecimento do Direito Penal”.
Moraes prosseguiu afirmando: “o réu faz questão de se evadir da Justiça. O próprio réu diz que não voltaria ao Brasil com medo de ter, por parte deste STF, uma cautelar apreendendo seu passaporte, e de não poder se evadir de novo”.
O julgamento do recurso da DPU ocorrerá no plenário virtual da Primeira Turma, sob a presidência de Flávio Dino, e analisará o pedido relacionado à aplicação da atenuante da confissão no cálculo da pena.
Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles
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