segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Lula vê ‘ala bolsonarista’ da PF por trás de vazamentos sobre Fábio Luís

 Presidente demonstra incômodo com vazamentos seletivos contra Fábio Luís. Parte do PT culpa o gabinete de André Mendonça, do STF

Wellington César Lima e Silva, Lula e Andrei Rodrigues - Crédito: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula (PT) tem manifestado forte incômodo a assessores próximos em razão do que considera vazamentos seletivos de informações sigilosas referentes às investigações da Polícia Federal que envolvem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva. O chefe do Executivo atribui a veiculação frequente de relatórios e depoimentos à atuação de uma “ala bolsonarista” encastelada na corporação, em referência a integrantes simpáticos ao grupo político de Jair Bolsonaro (PL), incluindo agentes que ocuparam cargos relevantes na gestão anterior, informa a Folha de São Paulo.

Fábio Luís é investigado por suposto tráfico de influência e corrupção. O presidente tem demonstrado insatisfação com a divulgação gradual dessas informações em plena corrida eleitoral, o que entende ser resultado da falta de controle da Polícia Federal sobre seus próprios servidores. Durante sabatina concedida à TV Globo, Lula afirmou abertamente que a PF está “vazando coisas” para a imprensa e admitiu que o episódio traz “suspeitas” para o ambiente de seu governo.


Na avaliação de auxiliares do Palácio do Planalto, a publicização fatiada dos elementos do caso torna a reação do governo muito mais custosa, gerando desgastes sucessivos e a necessidade contínua de prestar esclarecimentos a cada nova reportagem. Diante disso, o presidente e seus interlocutores avaliam que a retirada total do sigilo da investigação poderia ser benéfica, pois permitiria estancar o desgaste diário e costurar uma resposta única e consistente para superar a questão.

Além do impacto direto na imagem da gestão, aliados do presidente apontam que o ritmo dos vazamentos favorece os opositores ao focar as atenções nas suspeitas contra o filho de Lula, deixando em segundo plano o escândalo do caso Master, que tem potencial para atingir a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL).

A situação tem provocado um clima de desconfiança e troca de acusações entre colaboradores do governo na Esplanada dos Ministérios. Embora afirme confiar no diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ter determinado o avanço das apurações, Lula demonstrou preocupação com o ambiente conflagrado na instituição. Colaboradores mais próximos chegam a cobrar uma postura mais firme da direção da Polícia Federal contra atos com possíveis motivações políticas, sugerindo punições como a troca de delegados ou transferências de membros para outros estados a fim de combater a insubordinação.

Apesar das cobranças internas, o presidente tem reiterado que não pretende interferir na Polícia Federal, nem aparelhar a instituição para ter uma corporação para chamar de sua. Em conversa reservada com os advogados de Fábio Luís, Lula declarou que não deseja ver o filho “acima nem abaixo da Justiça”, reforçando a defesa da autonomia da PF como contraponto às acusações de interferência que marcaram o governo anterior.

Paralelamente, outra ala do PT atribui a origem dos vazamentos ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF). Por sua vez, atendendo a um pedido da defesa de Fábio Luís — que relatou ao tribunal que veículos de imprensa alegavam ter tido acesso à íntegra do inquérito —, Mendonça determinou a ampliação das investigações sobre a divulgação indevida das informações sigilosas, ressaltando a necessidade de apurar as veiculações irregulares de peças do processo.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

Nenhum comentário:

Postar um comentário