segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Lula cobra campanha corpo a corpo para disputar votos e defender resultados do governo

 Presidente orienta aliados a reforçar presença nas ruas, defender resultados da economia e enfrentar bolsonaristas no contato direto com eleitores

Lula e Janja  -  Crédito: Ricardo Stuckert

A estratégia eleitoral do presidente Lula (PT) passou a priorizar uma ofensiva de rua, com cobrança direta para que aliados intensifiquem o corpo a corpo nos bairros e disputem voto a voto em uma campanha considerada acirrada. A orientação é que petistas e apoiadores estejam mais presentes no território, munidos de dados positivos do governo, sobretudo na área econômica. As informações foram publicadas pela Folha de São Paulo.

Segundo relatos, Lula tem repetido a aliados que “não se perde nem se ganha uma eleição de véspera” e defendido cautela, organização e presença constante nas ruas.


O diagnóstico no entorno do presidente é que a disputa será marcada menos por grandes movimentos nacionais e mais pela capacidade de convencimento direto do eleitorado. Lula tem dito que a campanha será travada nos bairros, com embate político no cotidiano das cidades e disputa de narrativa com bolsonaristas no contato presencial com a população.

Nesse desenho, o presidente cobra que a militância assuma um papel central. A avaliação é que a defesa do governo não pode ficar restrita à propaganda ou às redes sociais. Para Lula, aliados precisam traduzir os resultados da administração em argumentos simples e objetivos, capazes de dialogar com eleitores indecisos ou pressionados pela ofensiva da oposição.

A economia é o principal eixo dessa estratégia. Lula afirma a interlocutores que sua gestão teve desempenho positivo na área e quer que esse ponto seja levado para o debate direto com a população. A orientação é que militantes e dirigentes disseminem pelo país dados favoráveis ao governo e usem esses números para confrontar críticas de bolsonaristas.

A aposta no corpo a corpo também reflete a preocupação da campanha com o estado de ânimo da base governista. Aliados ouvidos pela Folha admitem que o ambiente ficou mais difícil após revelações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola. Ainda assim, o comando petista busca impedir que o episódio desmobilize a militância.

Interlocutores reconhecem que as revelações tiveram impacto interno, mas a ordem no entorno de Lula é recolocar a campanha na rua. A preocupação é evitar que militantes se sintam inibidos na abordagem a eleitores em um momento considerado decisivo para consolidar apoios e disputar uma parcela do eleitorado ainda em aberto.

Fábio Luís é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal. A Procuradoria-Geral da República pediu que os casos deixem a corte e sejam enviados à primeira instância, sob o argumento de que não há investigados com foro especial. As suspeitas envolvem uma suposta atuação com a lobista Roberta Luchsinger para tentar vender medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde.

No caso de Marco Aurélio Ribeiro, a suspeita é de que despesas pessoais dele teriam sido pagas por Roberta. Ele afirma que as transações foram um empréstimo. Na quinta-feira (20), veio a público um documento em que a Polícia Federal apontou Fábio Luís como beneficiário indireto do trabalho de Luchsinger e identificou uma suposta “comunhão de interesses” entre os dois.

Tanto Marcola quanto a defesa de Fábio Luís negam irregularidades. Aliados do filho do presidente também reclamam dos vazamentos de informações de investigações da Polícia Federal.

Apesar do desgaste, Lula tenta manter a equipe mobilizada. Nas conversas internas, demonstra otimismo em estados considerados decisivos, como Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. A campanha avalia que a presença territorial pode ser determinante nesses colégios eleitorais, especialmente diante da disputa direta com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (21) mostrou Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 32% de Flávio. Em uma simulação de segundo turno, o presidente aparece com 47%, e o senador, com 43%.

Os efeitos das novas revelações ainda não foram medidos nessa rodada do Datafolha, já que as entrevistas foram realizadas na terça-feira (18) e na quarta-feira (19), antes da divulgação mais recente sobre o caso. Mesmo assim, aliados de Lula afirmam que a campanha precisa responder politicamente com presença nas ruas, mobilização da base e disputa direta do eleitorado.

Uma ala governista minimiza o impacto das acusações e sustenta que Lula mantém um eleitorado fiel. O PT deve adotar a linha de que o presidente e sua família são alvo de denúncias eleitorais, enquanto prepara uma ofensiva contra Flávio Bolsonaro.

Petistas reconhecem que Flávio demonstrou resiliência após a revelação de sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, mas avaliam que a disputa permanece aberta. A prioridade agora é conquistar uma fatia de cerca de 30% do eleitorado considerada decisiva para o resultado final.

Nesse cenário, a ordem de Lula aos aliados é clara: ampliar a presença nos bairros, reforçar o diálogo direto com a população e transformar a militância em linha de frente da campanha.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

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