segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Lula intensifica acenos ao eleitorado feminino enquanto Flávio Bolsonaro acumula desgastes

 Campanha do presidente vê eleitorado feminino como estratégico para a reeleição e busca ampliar vantagem sobre o candidato do PL

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Crédito: Ricardo Stuckert

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai reforçar a ofensiva sobre o eleitorado feminino, tratado pelo núcleo petista como um dos segmentos decisivos para a disputa presidencial. O próximo movimento será um encontro com lideranças mulheres em Belo Horizonte, marcado para sábado (29), com a previsão de reunir cerca de 5 mil participantes de diferentes estados.

Segundo o Metrópoles, a intenção do PT é usar o ato para alinhar estratégias dos próximos meses e “dar o tom” da campanha junto a candidatas, dirigentes partidárias e aliadas políticas. Entre os temas previstos para o encontro estão o combate à violência contra a mulher, incluindo a violência digital, a igualdade salarial, a saúde feminina e a ampliação da presença de mulheres nos espaços de poder.

O foco no público feminino tem peso eleitoral direto. As mulheres somam 83,8 milhões de eleitoras no Brasil, o equivalente a 52,83% do eleitorado nacional. Pesquisas recentes indicam vantagem de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) nesse segmento. Levantamento da Quaest divulgado no início de agosto apontou o petista com 47% das intenções de voto entre as mulheres, contra 35% do candidato do PL.


A estratégia da campanha de Lula é ampliar essa diferença em um momento em que Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades para se aproximar do eleitorado feminino. O senador foi criticado após afirmar, em um evento de campanha, que teve filhas mulheres para que elas cuidem dele na velhice. Outro revés foi a dificuldade de escolher uma mulher para a vaga de vice. Flávio acabou optando pelo deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), alvo de pedido de investigação por suspeita de estupro de vulnerável.

A campanha do PL também sofreu desgaste após uma declaração do influenciador Paulo Figueiredo, aliado do clã Bolsonaro, segundo a qual mulheres solteiras “votam mal”. O episódio reforçou a avaliação de aliados de Lula de que há espaço para ampliar a vantagem petista entre as eleitoras.

O PT busca associar a candidatura de Lula a políticas públicas que tiveram mulheres como beneficiárias centrais em gestões petistas. A secretária nacional de Movimentos Populares do PT e uma das coordenadoras da campanha, Lucinha do MST (PT-BA), afirma que o segmento é decisivo não apenas pelo tamanho do eleitorado, mas também pelo impacto direto dos programas sociais.

“As políticas dos nossos governos beneficiaram diretamente as mulheres. Então, é esse público que eu acho que a gente precisa trabalhar porque terá um peso muito grande”, disse Lucinha.

Entre os exemplos citados pela dirigente estão o Minha Casa, Minha Vida e o Bolsa Família, programas que priorizam famílias chefiadas por mulheres. A campanha também pretende explorar pautas como igualdade salarial, saúde da mulher e enfrentamento à violência, já presentes nas diretrizes do programa de governo de Lula para um eventual novo mandato.

Nos discursos recentes, Lula tem dado destaque ao tema da violência contra a mulher. Durante a convenção que oficializou sua candidatura à reeleição, o presidente afirmou: “Se bater na mulher, não precisa votar em mim”.

Uma das principais ações do governo nessa área foi o lançamento do Pacto de Enfrentamento ao Feminicídio, que reúne os Três Poderes em torno de medidas contra esse tipo de crime. A primeira-dama Janja Lula da Silva também deve ter papel de destaque na campanha, com agenda própria de viagens pelo país e atuação como uma espécie de porta-voz do pacto.

Janja já vem participando de compromissos nos estados e discursando em atos de campanha. Na convenção que confirmou a candidatura de Lula, o presidente reclamou da ausência de mulheres no púlpito e chamou a primeira-dama para falar em nome do segmento. Em ato posterior, em São Bernardo do Campo (SP), Janja dividiu espaço com a candidata ao Senado pelo Rio de Janeiro Benedita da Silva (PT-RJ).

Na ocasião, Janja homenageou Marisa Letícia, ex-esposa de Lula, e convocou mulheres a participarem da campanha pela reeleição. “A estrela da nossa bandeira, do nosso partido, traz à nossa memória o cuidado e o carinho de dona Marisa. Foi ela quem bordou a primeira bandeira do PT e é a ela que eu dedico toda a minha admiração”, afirmou.

Do outro lado da disputa, Flávio Bolsonaro também tenta construir uma agenda voltada às mulheres. O senador conta com o apoio de aliadas como Damares Alves (Republicanos-DF), Tereza Cristina (PP-MS) e a ex-presidente da Caixa Econômica Daniella Marques (Republicanos). Ele lançou o plano “Brasil por Elas”, com propostas focadas em autonomia financeira e segurança.

A disputa pelo eleitorado feminino não se limita a Lula e Flávio. Outros presidenciáveis também têm buscado sinalizações ao segmento. Até o momento, apenas duas mulheres aparecem na corrida ao Palácio do Planalto: Samara Martins (UP) e Clariana Barão (DC).

Apesar da movimentação dos adversários, a avaliação petista é de que Lula parte de uma posição mais favorável entre as mulheres e pode consolidar esse apoio ao vincular a campanha a políticas sociais, proteção contra a violência e participação feminina na política. O ato em Belo Horizonte será, nesse contexto, um dos principais testes da capacidade de mobilização do PT junto a esse eleitorado.

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles

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