quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Lula aciona TSE contra Renan Santos e Caiado por ataques em debate

 Campanha pede remoção de posts e multas após declarações feitas no debate da Band

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião com Presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), Igor Calvet, no Palácio do Planalto, em Brasília – DF.  - ( Crédito: Ricardo Stuckert)

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) levou ao Tribunal Superior Eleitoral duas representações contra os candidatos Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) por declarações feitas durante o debate presidencial da Band, realizado no domingo (23). As ações pedem a retirada de publicações nas redes sociais e a aplicação de multas aos adversários. As informações foram reveladas pela Folha de São Paulo

Segundo a defesa de Lula, os dois candidatos usaram o debate, ao qual o petista não compareceu, para atingir a honra e a reputação do presidente e candidato à reeleição. A ofensiva jurídica mira especialmente Renan Santos, acusado de reproduzir ataques em perfis próprios e do partido Missão.

Na representação contra Renan, datada de terça-feira (25), os advogados da campanha listam seis declarações consideradas ofensivas. Entre elas estão: “Lula tinha que vir aqui defender o legado dele. Eu tô aqui chamando ele de ladrão. Por que que não veio se defender?” e “A maior parte do tempo ou ele está bêbado ou tá com a Janja. É melhor ficar bêbado nessas horas, né, presidente?”.

Para a equipe jurídica do petista, as falas extrapolam o debate político e configuram ataques à imagem pessoal de Lula. Os advogados afirmam ser “inequívoco que essas imputações atingem a honra e a reputação” do presidente.

A campanha também argumenta que a repercussão dos trechos nas redes sociais ampliou o potencial de dano. “Em especial, a primeira ofensa à honra perpetrada pelo candidato –a saber, a pecha de que seria Luiz Inácio Lula da Silva um ‘ladrão’– já registra mais de 900 mil visualizações no TikTok e com quase 200 mil ‘curtidas’ no Instagram”, diz a peça.


O documento sustenta ainda que se trata de “publicações caluniosas, difamatórias e injuriosas com altíssimo poder de alcance, sendo compartilhadas em uma diversidade de plataformas”. A defesa, comandada por Angelo Ferraro, pede a exclusão de 20 publicações em perfis de Renan Santos e do Missão, além da proibição de nova divulgação dos conteúdos nas plataformas digitais.

A campanha de Lula também solicita que Renan Santos e o partido Missão sejam punidos com multa de R$ 30 mil por postagem.

No caso de Ronaldo Caiado, a ação foi apresentada na segunda-feira (24) e se concentra em uma declaração específica feita no mesmo debate. O governador de Goiás citou o caso Dark Horse, que envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e tentou associar o tema a Fábio Luís, filho de Lula.

“Você tem a característica de dois candidatos: o Dark Horse, esse vocês conhecem. E o Lula tem o Dark Lobby”, disse Caiado no debate.

A declaração fazia referência às ligações de Fábio Luís com a lobista Roberta Luchsinger, que tentava intermediar a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. A peça da campanha petista também menciona uma montagem com imagem de Lula e a expressão “Dark Lobby”.

Segundo os advogados, “o conteúdo emprega indevidamente a imagem do postulante ao cargo presidencial da coligação representante para associá-lo à prática de lobby, bem como a um escândalo do qual não possui qualquer tipo de vínculo –a produção audiovisual Dark Horse”.

“Dark Horse” é o nome de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio Bolsonaro. No primeiro semestre, veio a público um áudio em que o senador pedia dinheiro ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para concluir a produção do filme.

A campanha de Lula sustenta que a publicação da fala nos perfis oficiais de Caiado agravou a conduta por ampliar “de forma expressiva o alcance do conteúdo perante o eleitorado”. A defesa pede a retirada de duas postagens nas redes sociais do candidato e multa de R$ 30 mil por publicação.

O debate da Band, tradicionalmente o primeiro da campanha presidencial, teve baixa adesão dos principais candidatos. Lula e Flávio Bolsonaro, que lideram as pesquisas de intenção de voto, não participaram. Romeu Zema (Novo) também ficou de fora. Com isso, o evento reuniu apenas Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury (Avante).

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

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