domingo, 23 de agosto de 2026

Encurralado, Milei acusa “castrochavismo” e nega vínculo com ex-assessor preso por tentativa de feminicídio

Presidente argentino tenta se distanciar de Fernando Cerimedo e ataca Lula, opositores e a imprensa para desviar de escândalos

Javier Milei (mais destaque) e Fernando Cerimedo - Crédito: AGUSTIN MARCARIAN / REUTERS I Reprodução (X)

O presidente da Argentina, Javier Milei, falou publicamente no sábado (22) pela primeira vez sobre a prisão de seu ex-assessor Fernando Cerimedo, acusado de envolvimento na tentativa de assassinato contra a própria namorada, Nadia Beller. Durante entrevista concedida à Radio Mitre, o mandatário buscou se distanciar categoricamente do antigo colaborador, alegando que não mantém nenhum tipo de contato com ele desde 2023, e tentou transformar o caso em uma narrativa de conspiração contra o seu governo, atribuindo o episódio a uma suposta “operação política e midiática” arquitetada pela oposição e por lideranças de esquerda da América Latina, segundo reportagem do jornal La Nación.

Ao ser questionado sobre o escândalo envolvendo Cerimedo, o presidente argentino garantiu que o ex-assessor já não faz parte de suas fileiras políticas e rejeitou qualquer relação atual. “É alguém que não faz parte do nosso espaço e não tem vínculo conosco de nenhum tipo. Deixamos de nos relacionar em 2023. Não descartemos que por trás disso esteja toda a turma de [Marcela] Pagano, [Franco] Bindi, Evo Morales, o castrochavismo, Lula…”, declarou Milei, citando a deputada ex-libertária, o companheiro dela e os ex-presidentes e atuais líderes de Bolívia e Brasil.


Na mesma fala, o mandatário argentino voltou a direcionar ataques ao governo brasileiro, acusando o país de liderar uma suposta “campanha anti-argentina” e de “interferir nos processos eleitorais de toda a região”. Milei insistiu na tese de que o governo Lula (PT) estaria por trás de uma suposta operação para espalhar a informação de que na Argentina se vendia carne de jumento. O argentino já havia abordado o tema durante discurso na Bolsa de Comércio de Rosário, onde alegou que a história teria sido orquestrada por um “estudante de jornalismo que trabalha para Lula”. “Nós os identificamos facilmente. Desta vez fizeram de forma tão grosseira que ficou evidente demais. Essa é a banda de criminosos castrochavistas que opera na região e que faz verdadeiramente desastres”, afirmou neste sábado.

A prisão preventiva de Fernando Cerimedo ocorreu após o registro de um atentado na Bolívia, onde dois homens dispararam contra Nadia Beller. Diante das acusações, a defesa do ex-assessor passou a sustentar a versão de que o ataque foi uma encenação sem provas e um “autoatentado”. Essa tese de “operação política” ganhou força nas redes sociais entre apoiadores e interlocutores próximos da Casa Rosada. A deputada libertária Lilia Lemoine e o influenciador digital Franco Antunes Puchol (@FranFijap), ligado ao assessor presidencial Santiago Caputo, publicaram mensagens classificando a agressão como uma manipulação, conteúdos que foram posteriormente replicados e referendados pelo próprio Milei em seu perfil oficial.

Ainda na entrevista, o presidente argentino saiu em defesa de outro aliado, o ex-deputado José Luis Espert, que está sendo investigado por suposta lavagem de dinheiro após ser revelada uma transferência de 200 mil dólares efetuada por Fred Machado, empresário condenado pela Justiça dos Estados Unidos. Para Milei, a apuração judicial contra Espert não passa de um ataque orquestrado. “Ele foi um soldado de ferro desde a primeira parte do governo e o submeteram a essa operação sinistra, o que o fez ter que se afastar”, alegou, acrescentando que seria motivo de “grande felicidade” ver o aliado limpar seu nome contra supostas mentiras promovidas por setores da política, do Judiciário e de veículos da imprensa.

Mesmo diante do desgaste gerado por denúncias e investigações ao redor de aliados e ex-colaboradores, Milei aproveitou a oportunidade para projetar seu futuro político e confirmar a intenção de disputar um novo mandato nas eleições presidenciais de 2027. “Se estou fazendo o melhor governo da história, como não vou tentar a reeleição?”, questionou. Ele revelou manter contato frequente com a senadora Patricia Bullrich e explicou que as definições de chapa passarão por uma articulação conduzida por sua irmã, Karina Milei, ao lado de Santiago Caputo, Diego Santilli e Martín Menem. O chefe de Estado também mencionou que a Casa Rosada mantém diálogo com o ex-presidente Mauricio Macri, reiterando sua gratidão pelo apoio recebido do setor conservador durante a campanha eleitoral de 2023.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal La Nación

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