domingo, 23 de agosto de 2026

Do hospital, vítima de aliado dos Bolsonaro detalha podridão da extrema-direita e corrupção de Milei

 Advogada atingida por tiros acusa o consultor Fernando Cerimedo de tentar matá-la para encobrir esquemas milionários, uso de robôs e fraudes na Argentina

Nadia Beller  - Crédito: Reprodução/X/clarincom

A advogada e ativista Nadia Beller revelou detalhes estarrecedores sobre a tentativa de homicídio que sofreu e acusou o consultor digital Fernando Cerimedo — aliado da família Bolsonaro e ex-estrategista do governo de Javier Milei — de ter ordenado o ataque a tiros contra ela para impedir a revelação de esquemas de corrupção e bastidores do poder, segundo reportagem do jornal Clarín.


Internada no quinto andar da Clínica Las Américas, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, a advogada concedeu entrevista sob forte custódia policial poucas horas antes de receber alta médica. Beller exibiu as feridas na região do pescoço e explicou que só sobreviveu porque dois projéteis ficaram alojados em seu corpo sem atingir órgãos vitais. Ela rebatou as alegações da defesa de Cerimedo de que o atentado teria sido simulado e afirmou que o consultor decidiu eliminá-la por medo de que ela expusesse os segredos e as operações ilícitas das quais tinha conhecimento.

De acordo com o relato de Beller, a Justiça boliviana agiu corretamente ao decretar a prisão preventiva de Cerimedo por 180 dias. Ela ressaltou que, no presídio onde estava detido inicialmente, o empresário ainda tentava manter o controle das polícias e gerenciar suas redes. Registros de conversas obtidos no processo mostram a articulação prévia para a contratação de pistoleiros e a recepção fria de mensagens confirmando que ela já havia sido baleada, além da comunicação frequente de Cerimedo com Eric Correa, seu chefe de inteligência.

O estopim para a ordem de execução teria sido a recente descoberta de uma gravidez fruto do relacionamento com o empresário, somada às ameaças da advogada de denunciar formalmente agressões físicas sofridas anteriormente. Beller relatou que Cerimedo a havia enforcado em 24 de junho e a chantageava com ameaças de suicídio para evitar registros policiais.

No âmbito financeiro, Beller descreveu movimentações milionárias sem comprovação de origem. A ativista afirmou que Cerimedo ostentava faturamentos mensais da ordem de US$ 800 mil em Buenos Aires, que justificaria perante a fiscalização como doações.

A advogada fez acusações diretas sobre o funcionamento interno da administração de Javier Milei. Ela relatou que Cerimedo afirmava abertamente que a irmã e secretária-geral da Presidência, Karina Milei, chefiava um esquema de cobrança e recebimento de propinas na Agência Nacional de Deficiência (Andis). Beller lembrou que a ex-mulher do empresário, Natalia Basil, foi exonerada do mesmo órgão após o vazamento de áudios e e-mails contendo denúncias contra a gestão.

Beller afirmou ainda que Cerimedo classificava Milei como uma pessoa instável e com problemas mentais. O consultor teria revelado à companheira que a campanha do presidente financiou relacionamentos para criar aparências públicas — citando repasses feitos à atriz Fátima Florez — e costumava pagar por encontros discretos para chantagear ou envolver adversários políticos em situações comprometedoras.

Por fim, a ativista detalhou a dimensão das estruturas operadas pelo consultor para desinformação, ataques virtuais e guerras digitais na América Latina e em outras regiões. Beller afirmou que a principal fazenda de robôs controlada por ele está sediada na Argentina e ressaltou que as táticas de manipulação digital e criação de perfis falsos foram introduzidas no ambiente político boliviano diretamente por Cerimedo. Ela concluiu reafirmando que não será intimidada pelas campanhas de difamação e que continuará atuando na esfera legal até a responsabilização de todos os envolvidos no atentado.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal Clarín

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