segunda-feira, 31 de agosto de 2026

“Dizer que há crise fiscal é fake news”, diz coordenador da campanha de Lula

 Coordenador do programa de Lula afirma que país não vive crise fiscal e defende debate sobre investimentos e taxação dos super-ricos

José Sergio Gabrielli  - Crédito: Câmara dos Deputados

 José Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo da candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que é “fake news” dizer que o Brasil atravessa uma crise fiscal. Em entrevista à coluna Painel, da Folha de São Paulo, ele sustentou que os principais indicadores econômicos não apontam para um quadro de emergência nas contas públicas.

“Não existe uma questão fiscal, ou uma crise fiscal. É meio fake news isso. A economia brasileira está apresentando bons sinais, o desemprego é baixo, o IPCA-15 [índice de inflação] vem apontando para queda, não temos problema da balança de pagamentos, nossas reservas internacionais são firmes e a taxa de câmbio está controlada”, disse Gabrielli.

O ex-presidente da Petrobras também rejeitou o discurso de alarmismo em torno da situação fiscal. “Não há nenhum motivo para pânico”, acrescentou.


A declaração ocorre em meio ao debate sobre os rumos da política econômica em um eventual novo mandato de Lula. Gabrielli é identificado, dentro da campanha petista, com setores que defendem maior flexibilidade no arcabouço fiscal, com o objetivo de abrir espaço para investimentos públicos.

A avaliação contrasta com a posição do ministro da Fazenda, Dario Durigan, que tem defendido a necessidade de uma estratégia de redução de gastos e de reforço ao arcabouço fiscal. A divergência expõe uma disputa de orientação econômica no entorno da campanha, especialmente sobre o grau de prioridade que deve ser dado ao controle de despesas em comparação com a ampliação dos investimentos.

Segundo Gabrielli, a trajetória de alta da dívida pública, frequentemente apontada por economistas como uma das principais fontes de preocupação, não configura um cenário explosivo. Ele argumenta que as projeções do mercado para os principais parâmetros macroeconômicos do próximo ano não sofreram alterações relevantes, o que, em sua avaliação, enfraquece a tese de crise iminente.

O debate também envolve a agenda tributária. De acordo com a coluna, Gabrielli foi procurado nesta semana por movimentos e entidades que defendem a taxação dos chamados “super-ricos”. A iniciativa busca construir um contraponto à pressão por mais austeridade fiscal em um eventual novo governo Lula.

A discussão sobre a tributação das altas rendas ganhou peso entre setores aliados ao PT como alternativa para ampliar a capacidade de investimento do Estado sem concentrar o ajuste fiscal sobre gastos sociais e políticas públicas. Para esse campo, a revisão da carga tributária sobre os mais ricos deve fazer parte da resposta à pressão por equilíbrio nas contas públicas.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

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