Ascensão do escritor retira votos do eleitorado alinhado à direita e cria margem para vitória do presidente sem necessidade de segundo turno
O avanço da candidatura do escritor Augusto Cury (Avante) pode se transformar em elemento decisivo para que o presidente Lula (PT) liquide a disputa presidencial ainda no primeiro turno, analisa a jornalista Daniela Lima nesta segunda-feira (31), na rádio TMC. A mais nova rodada da pesquisa BTG/Nexus traz o presidente Lula na liderança do cenário estimulado de primeiro turno, registrando 39% das intenções de voto. O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece na segunda posição, com 33%, enquanto Augusto Cury surge como o grande fato novo do levantamento ao alcançar 11%, isolando-se no terceiro lugar.
Na avaliação de Daniela Lima, a ascensão do escritor mexe diretamente na base do eleitorado conservador: “O que a gente tem na BTG/Nexus é uma queda de Flávio Bolsonaro de quatro pontos percentuais. Ele sai de 37% para 33%. E o Augusto Cury avança nove pontos percentuais, chegando a 11%, e se isolando na terceira colocação. Lula também teve uma oscilação para baixo. Isso nos mostra que Augusto Cury está pegando no ambiente digital um público que estava mais alinhado à direita e puxando para ele. Isso pode fazer diferença numa eleição acirradíssima. (…) A eleição está absolutamente apertada, mas esse dreno nos votos de Flávio Bolsonaro que neste momento está promovendo o Augusto Cury pode produzir um resultado importante para o presidente Lula no primeiro turno. Se não conseguir puxar votos de Lula no primeiro turno, Augusto Cury pode acabar favorecendo essa tentativa da campanha do Lula de liquidar a fatura da eleição no primeiro turno”.
☉ Cury ganha tração e abre vantagem na terceira colocação
Ao atingir os dois dígitos na pesquisa estimulada, Cury alterou a configuração da corrida presidencial e estabeleceu uma vantagem expressiva sobre os candidatos que tentam ocupar o espaço fora da polarização. Na sequência do levantamento aparecem o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), com 5%; Renan Santos (Missão), com 3%; o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 1%; e Samara (UP), que também registra 1%.
Os dados do primeiro turno informados pela BTG/Nexus mostram o seguinte quadro:
● Lula: 39%
● Flávio Bolsonaro: 33%
● Augusto Cury: 11%
● Ronaldo Caiado: 5%
● Renan Santos: 3%
● Romeu Zema: 1%
● Samara: 1%
Lula sustenta seis pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro. O crescimento de Cury o posiciona em um patamar isolado dentro da disputa, à frente dos competidores que já desenvolviam campanhas há mais tempo.
☉ Lula lidera todas as simulações de segundo turno
O levantamento BTG/Nexus testou quatro cenários diretos de segundo turno. O atual presidente aparece à frente numericamente em todas as projeções realizadas pelo instituto.
Nos confrontos mais apertados, a pesquisa aponta um cenário de empate técnico dentro da margem de erro. Contra Flávio Bolsonaro, Lula marca 46% contra 45% do senador, uma margem de um ponto percentual. Diante de Ronaldo Caiado, a situação se repete: o presidente atinge 45% ante 44% do governador goiano.
A distância a favor do chefe do Executivo cresce nas outras duas simulações: contra Romeu Zema, o placar é de 46% a 41%, e diante de Renan Santos, a vantagem chega a 47% contra 38%.
Os números testados para o segundo turno são:
● Lula 46% x 45% Flávio Bolsonaro
● Lula 45% x 44% Ronaldo Caiado
● Lula 46% x 41% Romeu Zema
● Lula 47% x 38% Renan Santos
☉ Pesquisa não testou duelo entre Lula e Augusto Cury
Um ponto ressaltado na divulgação é que a pesquisa BTG/Nexus não simulou um confronto de segundo turno entre Lula e Augusto Cury. A ausência do teste ganha importância diante do desempenho do escritor, que ao atingir 11% passou a ocupar uma faixa própria de pontuação.
A pesquisa confirma que a disputa segue polarizada entre Lula e o bolsonarismo encabeçado por Flávio Bolsonaro, mas introduz Cury como o elemento novo capaz de atrair eleitores que buscam alternativas. O movimento desse eleitorado no ambiente digital, tirando votos da direita, torna-se uma das principais variáveis no cálculo das campanhas.
Fonte: Brasil 247
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