segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Campanha de Lula vai ao TSE contra ação ‘coordenada e inautêntica’ sobre preços dos alimentos

 Equipe do presidente acusa perfis ligados ao bolsonarismo de espalhar conteúdos com roteiros e imagens idênticos

Presidente Lula  -  Crédito: Ricardo Stuckert

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a abertura de investigação sobre uma suposta operação digital “coordenada e inautêntica” envolvendo publicações contra o petista a respeito dos preços dos alimentos. As informações foram divulgadas pela jornalista Daniela Lima, em sua coluna no UOL

O material que será levado pelo PT à Justiça aponta semelhanças em roteiros, imagens, objetos em cena, gestos e estrutura de fala em vídeos publicados por influenciadores impulsionados por lideranças do PL.

De acordo com o levantamento citado pela coluna, mais de 20 influenciadores aparecem na documentação reunida pela campanha de Lula. Alguns deles, segundo o material, relataram em suas próprias redes ter recebido doações de empresários e de canais bolsonaristas depois de publicarem conteúdos contra o presidente.


O caso ocorre em meio à escalada da disputa digital entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado na reportagem como o principal adversário do petista até o momento. A coluna afirma que há uma troca de acusações entre as campanhas: enquanto o PT pretende questionar a divulgação de conteúdos sobre carestia, o PL já acionou a Justiça contra o que diz ser uma rede de ataques “sistemáticos e simultâneos” contra Flávio.

No material obtido pela coluna, uma mulher do Rio Grande do Norte aparece relatando ter recebido bens após a publicação de vídeos. “Eu ganhei essa TV aqui porque eu fui lá falar sobre a pobreza do país, porque eu mostrei a pobreza aqui na minha casa nas redes sociais. Meu banheirinho já está feito, minha mesa já ganhei, minha cozinha já ganhei”, diz ela.

A mesma mulher também cita um empresário do ramo alimentício de Brasília que teria feito “doações” depois da publicação do conteúdo. Ao final, afirma: “Esse banheiro aqui foi até mão do presidente Flávio Bolsonaro”.

Segundo o documento que será apresentado pelo PT, as coincidências entre as publicações não se limitariam ao tema dos vídeos. A campanha sustenta que haveria repetição de elementos centrais na produção dos conteúdos. “É o roteiro. O mesmo lugar de gravação, o mesmo objeto em quadro, o mesmo gesto e a mesma estrutura de fala. A mais recorrente aparece em sete postagens de seis perfis”, diz o levantamento.

O material também aponta o uso repetido de uma mesma imagem de carne. “A fotografia de um pedaço de contrafilé circulou por 33 contas, com o mesmo código de barras na etiqueta. Em 25 de junho, três contas publicaram esse arquivo em seis minutos e vinte e três segundos”, registra o documento, de acordo com a coluna.

Outro trecho do levantamento afirma que, em parte dos casos analisados, os próprios criadores de conteúdo relataram algum tipo de vantagem depois da publicação. “Em nove desses registros o criador [de conteúdo] descreve um benefício concreto: ganho de seguidores, acesso pessoal, status ou uma benfeitoria física”, diz o texto.

A auditoria usada pela campanha de Lula também menciona episódios classificados como ganho de “status”. Segundo o levantamento, “um vereador do PL apresentou, no mesmo 5 de março de 2026, três moções de congratulações a três desses influenciadores. São consecutivas [na numeração], 18880, 18881 e 18882, com o mesmo texto e o mesmo erro de concordância”.

Daniela Lima informou que decidiu não divulgar os nomes dos influenciadores que serão acionados judicialmente pela campanha petista para não interferir no tráfego de acessos em seus canais.

Do outro lado da disputa, a campanha de Flávio Bolsonaro também tem recorrido ao TSE. O PL acusa perfis adversários de atuarem de forma coordenada na divulgação de conteúdos falsos e manipulados contra o senador. Em uma das ações, segundo a coluna, o partido apontou uma rede de 409 perfis que teria como objetivo ampliar publicações contra o pré-candidato bolsonarista.

A equipe de Flávio também alega ter identificado impulsionamento irregular de conteúdo difamatório, uso de perfis falsos e até contas geradas por inteligência artificial em ações de propaganda negativa contra o senador.

Segundo a assessoria citada pela reportagem, a disputa de narrativas na internet é considerada um “ponto central na estratégia de campanha”. A campanha de Flávio afirma ainda que já obteve decisões judiciais contra perfis denunciados. “A Justiça já deu ordem de bloqueio de diversos perfis apontados por nós, a ponto de a Meta reivindicar mais tempo para cumprir as ordens, dado o volume de material envolvido”, disse.

Fonte: Brasil 247 com informações divulgadas pela jornalista Daniela Lima, em sua coluna no UOL.

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