O candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL), em sabatina do Jornal Nacional. Foto: Reprodução/Globo
Flávio Bolsonaro (PL) negou o aquecimento global e atribuiu a ocorrência de calor, chuvas e secas extremas a “efeitos cíclicos” durante a sabatina do Jornal Nacional nesta sexta-feira (28). Pressionado por Renata Vasconcellos a dizer se reconhecia o aquecimento global, o candidato evitou responder diretamente e afirmou que existem épocas em que “faz mais calor” e outras em que “faz mais frio”.
“Eu acredito que são efeitos cíclicos”, afirmou Flávio Bolsonaro ao abordar os eventos climáticos extremos. Renata então perguntou de maneira direta: “O senhor acha que não tem aquecimento global?”. O candidato respondeu que reconhecia a existência de eventos climáticos, mas acrescentou: “Eu não acho que isso tenha a ver diretamente só com a influência do ser humano”.
Questionado por César Tralli sobre como seu plano de governo pretende proteger a população dos efeitos das mudanças climáticas, Flávio Bolsonaro colocou o saneamento básico no centro de sua resposta. Disse que “a melhor forma que nós temos de proteger o meio ambiente é oferecendo saneamento básico para a população” e citou como legado do governo de Jair Bolsonaro a atualização do Marco Legal do Saneamento
A explicação apresentada por Flávio Bolsonaro contraria o conhecimento científico consolidado sobre o aquecimento recente do planeta. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) conclui que é evidente a influência humana no aquecimento da atmosfera, dos oceanos e da superfície terrestre. O aumento das concentrações de gases de efeito estufa desde a Revolução Industrial também é atribuído inequivocamente às atividades humanas.
Variações naturais e fenômenos cíclicos de fato interferem no clima, mas não explicam o aumento de temperatura observado nas últimas décadas. A Organização Meteorológica Mundial destaca que fenômenos naturais, como El Niño e La Niña, provocam oscilações de curto prazo, enquanto o aquecimento de longo prazo decorre da ação humana.
O IPCC também aponta que a mudança climática causada pelo homem já influencia a frequência e a intensidade de diversos extremos de calor, precipitação e seca. Isso não significa que cada evento isolado tenha uma única causa humana, mas que a tendência global de aquecimento não pode ser explicada apenas por ciclos naturais.
Flávio Bolsonaro também relacionou problemas ambientais da Amazônia ao crime organizado, citando exploração ilegal de ouro em áreas indígenas, mas não apresentou no trecho medidas voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa. A postura se aproxima de uma tradição de relativização da crise climática dentro do bolsonarismo. integrantes do grupo político de Flávio também já questionaram a influência humana no aquecimento global.
Fonte: DCM
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