segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Ministros defendem definição do TSE sobre IA antes do horário eleitoral

 Corte tem maioria para manter proibição de deepfakes, mas pedido de vista de Nunes Marques adiou julgamentos sobre o tema

Vídeo gerado por IA mostrando o ex-presidente Jair Bolsonaro no lançamento da campanha de Flávio Bolsonaro
    Crédito: REUTERS/Bia Borges

 Integrantes do Tribunal Superior Eleitoral avaliam que a Corte precisa encerrar, antes do início do horário eleitoral gratuito, as dúvidas sobre os limites do uso de inteligência artificial na campanha deste ano. A preocupação central é evitar insegurança jurídica e impedir que candidatos passem a testar os limites da resolução eleitoral sobre deepfakes. As informações foram publicadas pelo blog de Valdo Cruz, no G1

Ministros do TSE defendem que o tribunal confirme de forma expressa a proibição do uso de deepfakes já prevista nas regras eleitorais, diante do avanço de conteúdos produzidos por inteligência artificial generativa.

O debate ganhou força porque o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, e aliados têm usado vídeos feitos com inteligência artificial com imagens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em uma estratégia vista por integrantes da Corte como um desafio ao entendimento da Justiça Eleitoral.


Para ministros do tribunal, a análise desses casos é necessária para consolidar a posição do TSE sobre o que pode ou não ser feito durante a campanha. A avaliação nos bastidores é que, se a Corte não reafirmar de maneira clara a vedação aos deepfakes, outros candidatos poderão se sentir autorizados a tensionar as normas já estabelecidas.

A regulamentação sobre o tema foi aprovada pelo TSE em meio à preocupação com ferramentas capazes de criar imagens, vozes e vídeos falsos com aparência realista. A Corte considera que esse tipo de tecnologia pode afetar a integridade das informações que chegam ao eleitorado e interferir indevidamente na formação do voto.

Até o momento, há maioria no tribunal para manter a proibição prevista na resolução eleitoral. O entendimento tem como base os votos já apresentados pela ministra Estela Aranha, relatora dos processos relacionados ao uso de inteligência artificial nas eleições.

A definição, porém, foi adiada após o presidente do TSE, Nunes Marques, pedir vista em três julgamentos sobre o tema. Ele argumentou que a medida é necessária para uniformizar o entendimento da Corte a respeito do uso de deepfakes e de outras ferramentas de inteligência artificial durante a disputa eleitoral deste ano.

Nos bastidores, ministros defendem que a conclusão dos julgamentos ocorra antes da propaganda no rádio e na televisão. A avaliação é que a campanha precisa começar com regras claras para todos os candidatos, especialmente em um cenário de uso crescente de tecnologias que podem simular falas, imagens e aparições públicas.

O ponto central para a Corte é impedir que a inteligência artificial seja usada para produzir conteúdo enganoso com potencial de confundir o eleitor. A preocupação não se limita à produção de peças falsas, mas também ao efeito político de materiais aparentemente realistas que possam influenciar a percepção pública durante a campanha.

A expectativa entre integrantes do TSE é que a Corte fixe um entendimento que dê previsibilidade à disputa e reduza o espaço para contestações posteriores. Sem uma decisão definitiva, ministros temem que a campanha avance sob interpretações divergentes sobre a aplicação das normas eleitorais.

O caso envolvendo Flávio Bolsonaro e aliados, portanto, é visto como um teste relevante para a Justiça Eleitoral. A decisão do TSE poderá definir não apenas os limites da propaganda do candidato do PL, mas também o padrão a ser seguido por todas as campanhas no uso de inteligência artificial.

Fonte: Brasil 247 com informações publicadas pelo blog de Valdo Cruz, no G1.

Nenhum comentário:

Postar um comentário