quinta-feira, 27 de agosto de 2026

‘Derrite precisa explicar denúncias seríssimas de corrupção nas polícias de SP’, diz Tebet

 Candidata do PSB ao Senado diz que ex-secretário terá de responder por suspeitas envolvendo polícias durante gestão Tarcísio

Simone Tebet  -  Crédito: Flickr / Simone Tebet

 Simone Tebet (PSB), candidata ao Senado por São Paulo, elevou o tom contra Guilherme Derrite (PP) e afirmou que o ex-secretário de Segurança Pública do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) terá de explicar, durante a campanha, as denúncias de corrupção e de envolvimento de integrantes das polícias paulistas com o crime organizado no período em que esteve à frente da pasta.

As declarações foram dadas durante agenda de campanha em São José dos Campos, no interior paulista. Para Tebet, a passagem de Derrite pela Secretaria de Segurança Pública é o principal ponto vulnerável da candidatura do adversário ao Senado.

“Nós temos denúncias seríssimas dentro da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Estamos falando não só da de uma falta de inteligência no combate ao crime organizado, ao elevar capitães para os postos estratégicos e tirar os coronéis do processo, mas denúncia envolvendo o comandante geral da Polícia Militar, coisa que nunca aconteceu no estado de São Paulo”, afirmou Tebet.

A candidata também associou as denúncias ao período em que Derrite comandou a segurança no estado. “São denúncias de envolvimento da Polícia Militar e até da Polícia Civil com o crime organizado, com o PCC e o Comando Vermelho no período em que o secretário era o Derrite na Segurança Pública. Então acredito que essa seja uma fragilidade. (…) Essa é a grande fragilidade do Derrite. Ele foi secretário de Segurança Pública por três anos. Ele vai ter que se explicar enquanto candidato”, disse.


Ao mesmo tempo, Tebet reconheceu convergências pontuais entre sua visão para a segurança pública e o diagnóstico defendido por Tarcísio sobre o caráter transnacional do crime organizado. A candidata afirmou que facções como PCC e Comando Vermelho já extrapolam os limites dos estados e exigem uma resposta articulada em âmbito nacional.

“Quando a gente fala de organização criminosa PCC e CV, nós estamos falando de organizações que tocam de terror, não só nas grandes cidades, mas nas médias e nas pequenas cidades e não tem fronteira ultrapassa as fronteiras brasileiras. Consequentemente, isso passou a ser um problema transnacional. Não é o seu problema estadual, que é um problema do país e da América Latina e precisa de integração”, declarou.

Tebet criticou ainda a resistência de governadores à PEC da Segurança Pública proposta pelo governo federal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apresentada como tentativa de integrar o combate a crimes de alcance nacional e transnacional. Para ela, disputas políticas entre governadores dificultaram o avanço da proposta.

“O governo federal tentou e lamentavelmente, os governadores, com medo de perder protagonismos, não aceitavam o avanço dessa PEC. (…) Só há uma solução. Só há uma forma de se fazer. Os governadores têm que tirar as vaidades de lado e entender que somente com uma coordenação do presidente da República, através de um ministério, que é o Ministério da Segurança Pública, que precisa ser criado para ter uma ampla coordenação nacional, sem tirar toda a autonomia dos governadores”, afirmou.

As críticas ocorrem em um momento de disputa acirrada pelo Senado em São Paulo. Pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (25), encomendada pela Globo, mostra empate técnico entre os principais nomes da corrida. No levantamento estimulado que combina as menções para as duas vagas ao Senado, Guilherme Derrite aparece com 12%, empatado com Marina Silva (Rede), também com 12%. Simone Tebet tem 11%, e André do Prado (PL), 7%.

Como em 2026 serão eleitos dois senadores por estado e pelo Distrito Federal, cada eleitor deverá escolher dois nomes diferentes. A Quaest ouviu 1.800 pessoas de 16 anos ou mais entre 21 e 24 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número SP-06946/2026.

Na pesquisa espontânea, em que os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, 91% dos eleitores não souberam citar nenhum nome para o Senado. Derrite e Tebet aparecem com 2% cada, Marina Silva e Salles (Novo) têm 1% cada, e outros nomes somam 1%. Brancos, nulos e eleitores que dizem não votar representam 2%.

O levantamento também indica que a disputa ainda está aberta. Para 51% dos entrevistados, a escolha do candidato ao Senado já é definitiva. Outros 49% afirmam que ainda podem mudar o voto até a eleição, marcada para 4 de outubro.

No recorte de conhecimento, potencial de voto e rejeição, Marina Silva e Simone Tebet aparecem como as candidatas mais rejeitadas entre os nomes avaliados, segundo a Quaest. Marina tem 33% de eleitores que dizem conhecê-la e votar nela, 22% que não a conhecem e 45% que a conhecem e não votariam. Tebet tem 26% de “conhece e votaria”, 39% de desconhecimento e 35% de “conhece e não votaria”.

Derrite, por sua vez, registra 22% de eleitores que dizem conhecê-lo e votar nele, 65% que afirmam não conhecê-lo e 13% que o conhecem e não votariam. André do Prado aparece com 14% de “conhece e votaria”, 73% de desconhecimento e 13% de rejeição entre os que o conhecem.

Fonte: Brasil 247

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