O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou a reaproximação com a cúpula do Congresso, com três reuniões em duas semanas com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o apoio eleitoral público do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
De acordo com informações do Globo, o movimento ocorre enquanto líderes do Centrão evitam embarcar na candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).
A federação União-PP e o Republicanos decidiram manter neutralidade na disputa, inclusive em estados onde Flávio esperava apoio, como Rio de Janeiro e Minas Gerais. Entre dirigentes partidários, há a avaliação de que Lula lidera as pesquisas e tem mais chances de vencer, além do interesse desses grupos em preservar influência sobre o comando do Congresso em 2027.
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) passou a se distanciar de Flávio após o caso Dark Horse, revelado pelo The Intercept, sobre um pedido de recursos do candidato do PL ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, para financiar um filme em homenagem a Jair Bolsonaro. Ciro nega ter atuado em favor dos interesses de Vorcaro, alvo de investigação da Polícia Federal, mas evita fazer campanha para Flávio mesmo após aliançar o PP ao PL no Piauí.
Artur Lira (PP-AL), ex-presidente da Câmara, também não retribuiu o apoio anunciado por Flávio à sua candidatura ao Senado em Alagoas. Integrantes do PP afirmam que Lira articulou a neutralidade da federação União-PP e ajudou a barrar a indicação da senadora Tereza Cristina (PP-MS) como vice na chapa do PL.

Alcolumbre busca apoio para seguir no comando do Senado
Alcolumbre tenta reunir apoio de Lula e do PT para disputar a permanência na Presidência do Senado em 2027. O PL, que espera eleger uma grande bancada, ameaça lançar candidato próprio para a Casa e defende a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal, pauta à qual Alcolumbre tem resistido.
O senador do União Brasil não declarou voto em Lula, mas fechou aliança com o PT no Amapá e apoia a reeleição de Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso. Em contrapartida, o PT apoia a reeleição do governador Clécio Andrade (União Brasil), aliado de Alcolumbre.
A relação entre Lula e Alcolumbre havia deteriorado após o Senado rejeitar a indicação do então ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para o STF. Naquele período, ficaram travadas propostas como a PEC do fim da escala 6×1, a PEC da Segurança e o projeto sobre minerais críticos; depois dos encontros entre os dois, as matérias voltaram a avançar nas comissões.
“Há muita boa vontade do presidente Alcolumbre de encaminhar esses projetos”, afirmou o líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE).
Hugo Motta declarou apoio a Lula em um evento na Paraíba, e o presidente telefonou para agradecer e convidá-lo para uma reunião ainda sem data marcada. Motta também atuou pela neutralidade do Republicanos, apesar de Flávio ter procurado o presidente da sigla, Marcos Pereira; o dirigente afirmou que a maioria dos estados preferia não apoiar o candidato do PL.
Fonte: DCM com informações do jornal O Globo
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