Monitoramento aponta agenda defensiva do senador, enquanto aliados de Lula impulsionam entregas do governo e resultados de pesquisas
Crédito: Ricardo Stuckert/PR I Agência Senado
As redes sociais consolidaram uma dinâmica desfavorável ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ampliaram o espaço de mensagens favoráveis ao presidente Lula (PT) entre 14 e 20 de julho. Segundo o Instituto Democracia em Xeque, a política nacional concentrou 42% das 16.983 publicações monitoradas e 50% das interações, equivalentes a cerca de 59 milhões. A prisão de Jair Bolsonaro (PL) mobilizou 19% dos posts e 24,5 milhões de interações. A política externa também respondeu por 19% das mensagens, enquanto gestão e entregas do governo alcançaram 13%, com a esquerda responsável por 60% desse eixo. As pesquisas eleitorais reuniram 7% do conteúdo analisado. Os dados foram publicados nesta quarta-feira (22) na coluna de Míriam Leitão, no jornal O Globo.
O relatório semanal do Instituto Democracia em Xeque aponta que Flávio Bolsonaro manteve alcance e presença expressiva no debate digital, mas enfrentou uma sequência de pautas defensivas. Lula e seus apoiadores, em contraste, concentraram a comunicação em obras, ações na saúde e levantamentos eleitorais favoráveis ao presidente.
A disputa política em torno da pré-candidatura do senador dominou as conversas. O caso Banco Master voltou ao centro do debate, ao lado das críticas da oposição ao Supremo Tribunal Federal (STF). Perfis de direita apresentaram decisões judiciais como sinais de perseguição e tentaram consolidar a narrativa de um suposto cerco político, judicial e financeiro.
A prisão de Jair Bolsonaro ocupou a segunda posição entre os assuntos mais discutidos. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, endureceu as restrições contra o ex-presidente após a divulgação da chamada Carta aos Brasileiros, episódio que impulsionou novas reações de aliados e adversários nas plataformas digitais.
⦾ Pautas defensivas
O diretor-executivo do Instituto Democracia em Xeque, Fabiano Garrido, afirma que a tendência negativa para Flávio Bolsonaro predomina desde o episódio conhecido como Dark Horse. Segundo ele, momentos pontuais de recuperação não alteraram a configuração geral do debate.
Embora a militância bolsonarista mantenha competitividade em volume de publicações e capacidade de mobilização, Garrido avalia que a natureza das mensagens expõe uma dificuldade maior. A campanha do senador precisou responder a controvérsias, decisões judiciais, críticas sobre o tarifaço e questionamentos relacionados a pesquisas eleitorais.
Ao analisar a diferença entre as estratégias, Garrido relacionou o apelido usado contra o senador à proximidade política com o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Na última semana, enquanto a campanha e a militância digital de Flávio Bolsonaro se viram envolvidas em agendas defensivas, como a foto com o sicário, a proibição de visita ao pai por descumprimento de ordem judicial, a responsabilização pelo tarifaço e o questionamento de instituto de pesquisa, Lula e seus apoiadores concentraram esforços na divulgação das entregas do governo, na celebração dos resultados da Quaest e na ironização do senador, por meio da alcunha ‘Tariflávio’, em referência à sua relação com Donald Trump e com o novo tarifaço”, observou.
O levantamento identificou uma estratégia mais propositiva entre os perfis ligados ao governo. Esses grupos divulgaram resultados administrativos, investimentos públicos e dados de pesquisas que mostraram Lula em posição eleitoral favorável.
⦾ Tarifaço e Oriente Médio
A política externa ganhou espaço na semana anterior à entrada em vigor da tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. O novo imposto comercial imposto pelo governo Trump alimentou críticas a Flávio Bolsonaro e reforçou a associação do senador com Donald Trump.
As tensões no Oriente Médio e os ataques na região também impulsionaram o debate, com destaque para os riscos à navegação e ao comércio no Estreito de Ormuz. Esses acontecimentos ajudaram a elevar a política externa ao mesmo patamar da discussão sobre a prisão de Jair Bolsonaro em número de publicações.
A agenda de gestão pública alcançou participação menor, mas apresentou uma diferença relevante na distribuição ideológica. A esquerda liderou esse eixo com 60% das mensagens e priorizou ações nas áreas de infraestrutura e saúde.
A extrema direita manteve maior presença nos debates institucionais e na disputa política. O relatório registrou novamente a fragmentação interna desse campo, dinâmica que já havia aparecido nos monitoramentos das semanas anteriores.
⦾ Ataques às urnas
As declarações de Flávio Bolsonaro contra as urnas eletrônicas também contribuíram para ampliar o cenário negativo identificado pelo instituto. O senador levantou suspeitas sobre o sistema de votação durante um evento com diplomatas, em um momento decisivo para sua articulação presidencial.
“As declarações do senador colocando sob suspeita as urnas eletrônicas diante de uma plateia formada por dezenas de embaixadores apenas aprofundam esse cenário negativo para ele”, afirmou Garrido.
“A quatro dias da convenção que deve oficializá-lo como candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro já enfrentava dificuldades para atrair outros partidos e definir um vice para compor sua chapa. Agora, esse quadro pode se complicar ainda mais”.
A desconfiança lançada sobre o sistema eleitoral mobilizou apoiadores do bolsonarismo, mas também reforçou críticas de adversários que associam o discurso às contestações promovidas por Jair Bolsonaro antes e depois da eleição presidencial de 2022.
⦾ Caso Vorcaro concentra militância digital
O principal eixo político da semana reuniu as repercussões do caso do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, as disputas relacionadas à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e as críticas da oposição ao STF. A direita tratou esses episódios como parte de uma ofensiva contra o campo bolsonarista. O tema liderou o número de publicações, mas recebeu a menor participação relativa da imprensa entre os assuntos avaliados.
Em junho, Michelle disse ter sido humilhada pelo senador da extrema direita. Em outra escândalo, Flávio Bolsonaro negociou com Vorcaro um financiamento de R$ 134 milhões para o filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar atualmente após ser condenado pelo STF a 27 anos de cadeia no inquérito da trama golpista.
Fonte: Brasil 247 com informações da coluna da jornalista Miriam Leitão, no jornal O Globo
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